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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Jorge Jesus de volta ao banco do Benfica

Treinador registou "melhoria substancial do seu quadro clínico", com "ausência de sintomas" durante três dias.

08 de fevereiro de 2021 às 01:30

Jorge Jesus volta esta segunda-feira ao banco do Benfica, no jogo frente ao Famalicão para a 18ª jornada da Liga. O técnico encarnado está de regresso após falhar três jogos das águias devido a uma infeção respiratória e por ter acusado positivo à Covid-19.

“O treinador realizou ao longo do dia [de ontem] vários exames no Hospital da Luz que comprovaram uma melhoria substancial do seu quadro clínico face à infeção respiratória por SARS-CoV-2, contraída no final do mês de janeiro”, revelou o Benfica ao início da noite de ontem, acrescentando: “Após ter apresentado uma ausência de sintomas nos últimos três dias, Jorge Jesus estará de regresso ao banco.”

Jesus estava em casa isolado desde a noite de 27 de janeiro. Depois de ter passado esse dia no hospital a fazer exames para descortinar a origem de uma infeção respiratória, o técnico acusou positivo num teste à Covid - foi o oitavo que fez em duas semanas, tendo os restantes sete dado negativo, situação que foi justificada por se tratar de um “caso atípico de índole rara” em que “o vírus é detetável somente ao fim de alguns dias, com o evoluir da infeção respiratória e o agravamento dos sintomas”.

Jesus, sabe o CM, foi registando melhorias significativas, de forma progressiva, desde quarta-feira. O técnico submeteu-se a exames de três em três dias e manifestou pressa em voltar ao trabalho - está consciente da contestação de que é alvo e de que é preciso inverter a crise de resultados. Mas os médicos, face à idade do treinador (66 anos) e aos riscos de uma infeção respiratória mal tratada, jogaram pelo seguro e só agora lhe deram alta.

Jorge Jesus vai apostar tudo em Lucas Veríssimo para travar e inverter a crise de resultados que, a manter-se até ao fim deste mês, põe em causa o seu futuro como treinador do Benfica. Ao que o CM apurou, o central brasileiro, que chegou este domingo a Lisboa, é visto pelo técnico como a tábua de salvação de que a equipa tanto precisa para render de acordo com o seu potencial e iniciar uma onda de vitórias.

Jesus, sabe o CM, desde o início da época que tem a convicção de que o esquema que melhor se adequa às características dos jogadores do plantel benfiquista é o 3-4-3. O técnico nunca avançou em definitivo para essa solução tática - que tem sido utilizada com sucesso por Rúben Amorim no Sporting e por Carlos Carvalhal no Sp. Braga - porque lhe faltava um terceiro central de qualidade para juntar a Otamendi e Vertonghen. Um problema que a chegada de Lucas resolve.

Com uma linha defensiva de três homens, forte e segura, Jesus quer dar liberdade aos criativos do ataque. O técnico tem explicado aos dirigentes encarnados que um dos motivos para Everton, reforço que custou 20 milhões de euros, não estar a render o esperado é a inadaptação às tarefas defensivas. Rafa, Pizzi e Taarabt são outros jogadores que o treinador quer potenciar deixando-os praticamente livres só para atacar.

Ao que o CM apurou, é provável que Jesus passe da teoria à prática já na quinta-feira: Lucas deverá jogar em casa do Estoril, na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. A equipa não deverá estranhar a passagem para o 3-4-3, que já foi utilizado nalguns jogos e tem sido testado frequentemente nos treinos.

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