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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Sporting finalmente chegou ao 'bi' em época atribulada

Gyokeres, que assinou 39 golos, vai ficar eternamente ligado aos 21.º título dos 'leões' e foi a grande figura da época.

19 de maio de 2025 às 12:00

O Sporting chegou ao seu primeiro bicampeonato de futebol em 71 anos, mas teve um percurso algo atribulado, com mudanças de treinadores e vários problemas físicos, numa temporada que confirmou Gyokeres como um dos melhores de sempre.

O avançado sueco, que assinou 39 golos, vai ficar eternamente ligado aos 21.º título dos 'leões' e foi a grande figura da época, não só no emblema de Alvalade, mas na I Liga. O jogador de 26 anos fez dois póqueres e três hat-tricks e registou mais golos do que oito equipas (Santa Clara, Arouca, Gil Vicente, Nacional, Estrela da Amadora, AVS, Farense e Boavista), alcançando também o dobro do seus principais rivais na lista de melhores marcadores (Samu, do FC Porto, e Pavlidis, do Benfica, fizeram 19).

Os 'leões' também beneficiaram de uma época inspirada de Francisco Trincão, que assinou um total de 14 assistências, e da liderança do médio dinamarquês Morten Hjulmand, o novo capitão, que fez 'esquecer' o uruguaio Sebastián Coates.

Chegado em janeiro do futebol espanhol, o guarda-redes Rui Silva foi igualmente determinante para o Sporting ter reconquistado alguma estabilidade defensiva, sofrendo apenas 13 golos nos 17 jogos que fez na I Liga.

A época acabou em festa, mas, nos dois primeiros meses de 2025, o bicampeonato passou quase a miragem, com o Sporting a registar uma onda de lesões na equipa, incluindo Gyokeres, que jogou nessa altura visivelmente limitado.

Sob o comando de Rúben Amorim, o caminho para o 'bi' arrancou com 11 vitórias seguidas, incluindo três goleadas e com 16 golos de Gyokeres.

Bem cedo, a hipótese do segundo campeonato seguido em mais de 70 anos passou a ser bem real, mas tudo tombou com a inesperada saída de Amorim para o Manchester United em novembro e com a passagem caótica de João Pereira pelo comando técnico.

O antigo internacional português durou apenas quatro jogos, somando uma vitória, um empate e duas derrotas, naqueles que acabariam por ser os únicos desaires do Sporting na I Liga. Pereira estreou-se a perder com o Santa Clara (1-0), em Alvalade, e depois teve novo revés no campo do Moreirense (2-1).

Com o dérbi com o Benfica à porta, o nulo com o Gil Vicente em Barcelos ditou o esperado adeus de João Pereira, entrando em cena Rui Borges.

Mal chegou do Minho, o técnico de 43 anos bateu os 'encarnados', por 1-0, em Alvalade, mas acabaria por ter um inicio de ciclo bastante complicado.

Um 'tsunami' de lesões, que também apanhou Gyokeres, varreu o balneário 'leonino' e Sporting somou quatro empates em janeiro e fevereiro, numa altura em que a 'teimosia' de Borges também não ajudou.

O treinador de Mirandela, a viver a sua primeira passagem por um 'grande', bem tentou acabar com a linha de três defesas de Amorim, passando a um 4-4-2, mas no inicio de março finalmente desistiu.

O Sporting renasceu, Gyokeres regressou em 'grande' e, com nove vitórias e dois empates e mais 16 golos do sueco, os 'leões' voaram para o bicampeonato, fazendo a festa na última jornada e logo frente ao antigo clube de Rui Borges, batendo o Vitória de Guimarães (2-1), com um golo de Gyokeres e outro de Pedro Gonçalves, que falhou grande da temporada por lesão.

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