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Totti lê carta de despedida emocionada aos adeptos

O capitão do Roma ficou em lágrimas durante o adeus ao clube italiano.

29 de maio de 2017 às 16:28

Totti, capitão do Roma, despediu-se do clube italiano este domingo em lágrimas e deixou todos os adeptos emocionados com uma carta que leu. O jogador, de 40 anos, quis agradecer os 28 anos que esteve no clube e fez questão de ser ele a ler a derradeira despedida, mesmo entre soluços.

Leia a carta de despedida na íntegra:

Obrigado, Roma.

Obrigado mãe, pai, irmão, familiares e amigos. Obrigado  também à minha mulher e aos meus três filhos. Quero começar pelo fim, pela despedida, porque não sei se sou capaz de terminar estas linhas.

É impossível concentrar 28 anos em algumas frases. Gostaria de fazer disto uma música ou um poema, mas não sou capaz de os escrever. Ao longo destes anos, usei os meus pés para falar por mim, o que tornou tudo muito mais fácil. Assim foi desde pequeno.

Por falar na infância, conseguem adivinhar qual era o meu brinquedo favorito? Uma bola de futebol, claro! E ainda é. Mas crescemos ao longo da vida. Foi isso que me disseram e assim aconteceu.

Maldito tempo.

Tempo que, no dia 17 de junho de 2001, só queríamos que passasse rápido. Não aguentávamos esperar mais pelo apito final. Ainda me arrepio quando me lembro desse dia. Hoje, esse mesmo tempo deu-me uma palmada nas costas e disse: "Precisamos crescer. Amanhã serás um adulto. Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem e não poderás continuar a sentir o cheiro da relva, o sol a bater no rosto enquanto assistes ao golo dos rivais, a adrenalina a devorar-te, a satisfação dos festejos’.

Nos últimos meses, perguntei à minha mulher porque é que eu estava a ser acordado à força deste sonho. Imaginem que são crianças e estão a ter um sonho bom. De repente, a vossa mãe acorda-vos para irem para a escola. Vocês querem continuar a sonhar, tentam dormir outra vez, mas já não conseguem...Desta vez, não é um sonho. É a realidade. E eu não posso voltar a dormir.

Quero dedicar esta carta a todos vós. A todas as crianças que torceram por mim. Às crianças de ontem, que cresceram e hoje são pais, bem como às crianças de hoje que talvez gritem "Tottigol". Gosto da ideia de que, para vocês, a minha carreira é um conto de fadas a ser contado.

Agora é mesmo o fim. Vou despir esta camisola pela última vez. Ficará guardada, ainda que não esteja pronto para dizer "chega". Talvez nunca esteja.

Peço desculpa por não dar entrevistas para esclarecer o que penso, mas não é fácil apagar a luz. Tenho medo. E não é o mesmo medo que se sente quando se está na prestes a marcar um golo, prestes a bater um pénalti. Desta vez, não posso ver o que está à minha frente como via pelos buracos da rede.

Permitam-me que tenha medo. Desta vez, sou eu que preciso de vocês e do amor que vocês sempre me deram. Com o vosso apoio, vou conseguir virar a página e começar uma nova aventura.

Agora, é hora de agradecer a todos os meus companheiros de equipa, treinadores, diretores, presidentes e todos os que trabalharam ao meu lado nesta jornada.

Para os adeptos e à Curva Sud, faço uma referência a todos os romanos e romanistas. Ter nascido romano e romanista é um privilégio. Ser o capitão desta equipa é uma honra.

Vocês são e sempre serão a minha vida. Os meus pés vão deixar de vos emocionar, mas o meu coração estará sempre com vocês. Vou descer as escadas e entrar no balneário que me acolheu ainda criança e que agora deixarei com um homem.

Estou orgulhoso e feliz de ter dado ao Roma 28 anos de amor.

Amo-vos".

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