Mesmo sem fazer campanha, o líder com mais troféus futebolísticos da história do clube lisboeta dominou nas urnas com 89,47%.
O médico Frederico Varandas ambiciona solidificar a recuperação do Sporting, após vencer este sábado as eleições dos órgãos sociais do clube para o quadriénio 2026-2030, chegando ao terceiro mandato consecutivo na presidência dos bicampeões nacionais de futebol.
Mesmo sem fazer campanha, o líder com mais troféus futebolísticos da história do clube lisboeta (lista B) dominou nas urnas com 89,47% (67.106 votos), contra 6,28% (919) do empresário Bruno Sorreluz (A), prolongando um percurso iniciado em setembro de 2018, ao derrotar cinco candidatos, e renovado em março de 2022, perante dois opositores.
Da contestação inicial à progressiva estabilização competitiva do Sporting, congregada com a reestruturação financeira e reformas infraestruturais, Varandas, de 46 anos, devolveu glória futebolística a um clube diminuído pelos rivais Benfica e FC Porto nas décadas anteriores e dividido com a invasão à Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, em maio de 2018.
Três campeonatos (2020/21, 2023/24 e 2024/25), três Taças da Liga (2018/19, 2020/21 e 2021/22), duas Taças de Portugal (2018/19 e 2024/25) e uma Supertaça Cândido de Oliveira (2021) comprovaram a reabilitação 'verde e branca', atestada ainda pela passagem à fase a eliminar em três das quatro presenças nas últimas cinco edições da Liga dos Campeões.
Nesse período, o Sporting interrompeu um hiato de 19 anos na I Liga, o maior da história do clube, em 2020/21, antes de, na época passada, revalidar o título nacional pela primeira vez em mais de sete décadas e ganhar a Taça de Portugal, comemorando a 'dobradinha' 23 anos depois.
Os êxitos mais recentes permitiram mesmo a Varandas superar António José Ribeiro Ferreira, vencedor de oito cetros entre 1946 a 1953, como presidente mais titulado do futebol sénior masculino 'leonino', sem esquecer as dezenas de conquistas nacionais, europeias e mundiais nas outras modalidades.
Filho de um médico e de uma professora, Frederico Nuno Faro Varandas nasceu em Lisboa, em 19 de setembro de 1979, e cresceu numa família de sportinguistas, tornando-se associado do clube, no qual praticou ginástica ou natação.
Além de replicar as pisadas do pai, com a licenciatura em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, seguida de uma pós-graduação em Medicina Desportiva, o atual líder 'verde e branco' abraçou a carreira militar, formou-se e chegou a capitão do exército.
Médico oficial da Força Nacional Destacada no Afeganistão, Varandas seguiu através da rádio a vitória do Sporting sobre o FC Porto na final da Taça de Portugal (2-0, após prolongamento), em maio de 2008, e foi condecorado com a medalha de D. Afonso Henriques depois de regressar da guerra.
A ligação ao futebol começara no ano anterior, no então primodivisionário Vitória de Setúbal, cujo departamento clínico comandaria de 2009 a 2011, antes de sair para o Sporting, que era presidido por Luís Godinho Lopes.
Sucessor de José Gomes Pereira na equipa sénior, na sequência de uma passagem pelos juniores, resistiu à reestruturação encetada por Bruno de Carvalho, cresceu em influência e até declinou propostas de emblemas estrangeiros.
O diretor clínico fundou as Jornadas Internacionais de Medicina Desportiva no Sporting, do qual se demitiria em maio de 2018 para concorrer à presidência, volvido o ataque de adeptos a jogadores e equipa técnica na academia.
A vontade de suceder a Bruno de Carvalho foi amadurecida no relvado do Estádio Nacional, em Oeiras, onde, após a derrota com o Desportivo das Aves na final da Taça de Portugal (2-1), realizada cinco dias depois da invasão, Frederico Varandas consolou as lágrimas de vários futebolistas, com os quais extravasava a simples relação entre médico e paciente.
No mês seguinte, Bruno de Carvalho foi destituído da presidência em Assembleia Geral, cabendo à comissão de gestão chefiada por Artur Torres Pereira assegurar a transição até às eleições mais participadas de sempre, vencidas pelo antigo diretor clínico.
A poucos dias de completar 39 anos, Varandas tornava-se o 44.º líder da história 'leonina' e o mais jovem a assumir o cargo no século XXI, mas sentiu francas dificuldades para cumprir o lema eleitoral "Unir o Sporting".
A ausência de maioria absoluta, a menor quantidade de votantes face a João Benedito, segundo candidato mais votado, e as críticas dos apoiantes de Bruno de Carvalho dificultaram a tarefa do médico, que foi retirando privilégios às claques e ouviu pedidos de demissão vindos das bancadas.
Apesar da conquista da Taça de Portugal e da Taça da Liga em 2018/19, o neerlandês Marcel Keizer, sucessor do regressado José Peseiro, então aposta da comissão de gestão, foi substituído por Jorge Silas e contribuiu para o sexteto de treinadores efetivos da era Varandas - Tiago Fernandes e Leonel Pontes foram interinos -, que se estabilizaria com Ruben Amorim.
Contratado ao Sporting de Braga em março de 2020, num negócio final de 12,7 milhões de euros (ME), o ex-médio transformou os 'leões' e amparou em 2022 a reeleição com votação quase duplicada do fisiatra, que se havia juntado ao corpo médico nacional na pandemia de covid-19.
À medida dos êxitos futebolísticos, Frederico Varandas aprimorou a comunicação e intensificou os ataques aos rivais, postura da qual não abdicou quando Amorim rumou aos ingleses do Manchester United em 2024, com Rui Borges a reordenar a equipa depois da curta passagem de João Pereira.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.