"Gostava de correr como as atletas do Quénia ou da Etiópia"

Salomé Rocha ficou no 26.º lugar na final dos 10.000 metros.

12 de agosto de 2016 às 17:37
Salomé Rocha, 10.000 metros, Jogos Olímpicos, Atletismo Foto: Inácio Rosa/Lusa
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Salomé Rocha mostrou-se esta sexta-feira "completamente satisfeita" com a sua participação na final dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos Rio2016, em que o recorde do mundo caiu por mais de 14 segundos.

"Se tenho a sensação de ter andado num TGV? Tenho, tenho essa noção. Elas passavam por mim e eu percebia que o ritmo ia muito forte, são ritmos para 'super-heróis'. Posso dizer que estava com eles na prova em que se bateu o recorde do mundo, o que, para mim, já é muito bom", disse a atleta lusa.

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No Estádio Olímpico, a etíope Almaz Ayana tirou 14,33 segundos ao 'velhinho' máximo mundial da chinesa Wang Junxia, que datava de 8 de setembro de 1993, e 37,21 ao recorde olímpico, da sua compatriota Tirunesh Dibaba, que foi terceira, ao correr em 'supersónicos' 29.17,45 minutos.

Longe, muito longe dessas correrias, a atleta do Benfica manteve o seu ritmo: "Tentei acompanhar o 'comboio' o mais que consegui. Depois, elas atacaram e eu não fui, porque poderia não conseguir aguentar até final aquele ritmo".

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"Tentei adotar o meu ritmo e fui passando algumas atletas na parte final. Saio daqui bastante satisfeita. Fiquei a apenas 23 centésimos do meu máximo pessoal, o que, em 10.000 metros, não é quase nada", disse, após ser 26.ª, com 32.06,05 minutos, muito perto da sua melhor marca (32.05,82).

A fundista portuguesa lamentou não ter conseguido esse registo, nem entrar nas 20 primeiras, mas saiu do Estádio Olímpico "com o dever cumprido", sentido que orgulhou o país, as cores de Portugal, tendo 'sprintado' "até ao último metro", para depois abraçar o treinador, Rui Ferreira.

A atleta 'encarnada' disse ainda ter-se adaptado bem às condições meteorológicas, com algum frio e chuva, e gostado do ambiente no Estádio Olímpico: "É fantástico passarmos pela meta e estar toda a gente a gritar, a apoiar. É brutal".

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Quanto aos números do recorde do mundo a bater no Rio2016, Salomé Rocha admitiu ser imprevisível: "Estamos nuns Jogos Olímpicos. Aqui, tudo poderá ser possível. As etíopes meteram o seu ritmo e bateram o recorde do mundo. É fantástico".

"Se são de outro planeta? Sim, podemos dizer isso, mas ninguém é invencível. Um dia, quem sabe, não poderá ser uma europeia a bater o recorde. Claro que estamos a falar de super-mulheres. Para já, estão num mundo à parte. São máquinas e é excecional vê-las correr - embora eu não tenha visto muito - mas é excecional", reconheceu.

Salomé Rocha lembra-se de as "ver passar uma vez", no seu passo imparável: "Porque correm assim? Nunca fui para a Etiópia ou para o Quénia para tentar perceber. Gostava de correr como elas, gostava muito. São espetaculares".

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Quanto aos seus objetivos futuros, passam por bater os seus máximos: "Para a próxima, gostava de bater o meu recorde pessoal. Cada ano que passa proponho-me sempre bater as minhas marcas e gostava de bater novamente".

"Treinei para isso. Posso dizer que este ano cumpri tudo, não faltei a um único treino, não reclamei uma única vez de um treino e cumpri mesmo tudo para que tudo corresse bem e saio daqui satisfeita, porque mais do que isto só mesmo o recorde pessoal, que não bati por 23 centésimos, mas saio daqui completamente satisfeita", finalizou.

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