Protesto, em Lisboa, foi convocado por várias organizações, incluindo o Comité de Solidariedade com a Palestina e o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.
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Algumas dezenas de manifestantes concentraram-se este domingo junto à meta da Volta a Portugal, em Lisboa, para contestar a participação de uma equipa israelita, afirmando que "não há lugar para o genocídio no ciclismo".
Empunhando bandeiras da Palestina e cartazes e envergando 'keffyehs', os tradicionais lenços palestinianos, os manifestantes gritavam "Free Palestine" (Palestina livre) à passagem dos ciclistas.
O protesto foi convocado por várias organizações, incluindo o Comité de Solidariedade com a Palestina e o MPPM -- Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.
Lara Aladina, da organização Ações pela Palestina, considerou, em declarações à Lusa, que a equipa "não tinha o direito a estar aqui".
A ativista denunciou o "extermínio do povo da Palestina", afirmando que "um dos elementos da equipa é a favor, diz que deviam acabar com Gaza".
"É uma vergonha. Não se deve permitir isto, é um exemplo mau para a nossa juventude", reclamou.
A representante afirmou que organizações de defesa da Palestina contestaram junto da organização da prova de ciclismo e da Câmara de Lisboa, mas a resposta foi "o silêncio, que é uma coisa comum".
Outra manifestante, Ana Rita Tereso, do Global Movement to Gaza, quis mostrar que está contra que "defensores de genocídio possam participar em competições desportivas".
"Se deixamos israelitas participarem, então teremos que deixar outras equipas de outros países, como a Rússia, a Coreia do Norte, porque pelos vistos um genocídio na Palestina não é igual a um genocídio na Ucrânia", criticou.
"Não há espaço na Volta a Portugal para uma equipa que defende o genocídio", afirmou.
A manifestante empunhava um cartaz com as fotografias de seis jornalistas palestinianos, a maioria correspondentes da cadeia qatari Al Jazeera, mortos na semana passada num ataque direcionado de Israel.
"O sangue deles está nas nossas mãos", lia-se no cartaz.
Para Ana Rita Tereso, "Israel não quer que o mundo entenda as atrocidades que se passam em Gaza", uma região que "tem cada vez menos vozes e olhos".
Fernando Alle aderiu de forma espontânea ao protesto, do qual soube, juntamente com a namorada, através das redes sociais, para defender que "Israel tem que ser completamente ostracizada de eventos desportivos, culturais e artísticos", à semelhança do que aconteceu com a Rússia desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
"Quem acha que não há um genocídio [em Gaza] ou anda muito mal informado ou tem maldade no seu coração. É impossível ver aquelas imagens de crianças inocentes a morrer à fome", disse.
O manifestante contestou o argumento de que a ofensiva israelita no enclave palestiniano seja "importante para eliminar" o movimento islamita palestiniano Hamas.
"Então, se houver um comandante do Hamas em Lisboa, é terraplanar Lisboa toda?", perguntou.
Alguns dos manifestantes exibiam cartazes com mensagens como "Israel assassinou mais de 700 atletas palestinianos", "Israel está a fazer Gaza passar fome intencionalmente" ou "Israel está a enterrar crianças vivas".
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