Ciclista da W52-FC Porto fez a festa em Lisboa.
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Rui Vinhas foi sempre um corredor de equipa, tímido e abnegado, um 'gregário' humilde, tão humilde como era o seu historial até conquistar hoje a 78.ª Volta a Portugal em bicicleta.
Natural de Sobrado, no concelho de Valongo, o corredor da W52-FC Porto é, segundo os seus companheiros de pedaladas, um atleta extremamente aplicado e rigoroso nos treinos, que cumpre faça chuva ou faça sol.
Reservado, mas amigo do seu amigo, o português, aos 29 anos, contava apenas a conquista do Grande Premio do Dão de 2015, no qual venceu pela primeira vez uma etapa, em Mangualde, e, mesmo então, dedicou-a à equipa.
A maior coroa conquistou-a este domingo, ao segurar de forma surpreendente a vantagem sobre o espanhol e seu companheiro de equipa Gustavo Veloso, nos 32 quilómetros do 'crono' final, entre Vila Franca de Xira e Lisboa, um terreno à medida de especialistas do exercício solitário como o galego, vencedor em 2014 e 2015.
Vinhas chegou a Lisboa com a camisola amarela, depois de a envergar durante sete etapas, graças a uma fuga bem-sucedida na terceira, que terminou em Macedo de Cavaleiros, onde conquistou a liderança, com mais de três minutos sobre todos os outros, incluindo o colega feito rival.
"O Rui sempre teve o sonho de ganhar uma etapa e poder vestir de amarelo, mas estar na discussão da Volta nunca pensou", segundo André Cardoso, da Garmin-Sharp, companheiro de treino de Vinhas há três anos, que o apresenta como "um bom amigo, tímido e reservado".
Ao longo da sua sexta presença da Volta, prova na qual se apresentava com o 15.º lugar em 2013 como melhor registo, essa faceta foi sempre percetível, mas disfarçada, nas declarações à comunicação social, com o foco na equipa e no seu chefe de fila.
Este triunfo é, segundo Luís Mendonça, da Funvic Soul Cycles, o resultado do afinco, "quiçá excessivamente profissional": "O Rui Vinhas evoluiu muito, não era um ciclista de geral, de ganhar corridas, agigantou-se e, provavelmente, acreditou mais nele".
Anteriores diretores desportivos também não pouparam elogios ao corredor "humilde, dedicado e trabalhador", que "aproveitou bem a oportunidade" do Louletano, como diz Jorge Piedade, enquanto Mário Rocha enalteceu "a simpatia e o esforço".
Sem outras ocupações além do ciclismo, que pratica desde os nove anos, gosta, segundo a sua esposa, de ajudar o irmão gémeo, mecânico da equipa 'azul e branco', nas bicicletas, atestando o seu empenho nos treinos.
"Ele só não treina nos dias de descanso. Nunca falha e vai sempre ao ponto de encontro do grupo, em São Martinho do Campo, às 10:00, se não estiver ninguém volta e treina sozinho", frisou Sara, grávida de um menino, que nascerá em setembro, e ao qual foi dedicada a vitória.
Sensivelmente um mês depois de se ter tornado o primeiro português a vencer a Volta desde o triunfo de Ricardo Mestre em 2011, Rui Vinhas poderá pôr em prática uma outra 'vocação' que lhe é apontada por André Cardoso: "Adora crianças e no grupo de amigos é quase um 'babysitter'".
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