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Rússia deplora "politização do desporto"

"Movimento olímpico encontra-se de novo à beira da divisão".

18 de julho de 2016 às 20:54

A Rússia deplorou, esta segunda-feira, aquilo que considera ser a "politização do desporto" em curso, após a publicação de um relatório revelando a existência de um programa de dopagem no desporto russo com apoio estatal.

"O movimento olímpico, que joga um papel unificador para a humanidade, encontra-se de novo à beira da divisão", pode ler-se em comunicado divulgado hoje pelo Kremlin, recordando que em 1980 os países ocidentais, encabeçados pelos Estados Unidos, boicotaram a participação nos Jogos realizados nesse ano na então União Soviética, após a invasão do Afeganistão por Moscovo.

A União Soviética, por seu turno, retaliou e boicotou os Jogos de 1984, em Los Angeles.

"Muitos atletas soviéticos, norte-americanos e de outros países viram-se arrastados para uma campanha de boicote mútuo", observa o comunidado.

No entender do governo russo, "vive-se uma revisitação da ingerência da política no desporto".

"A forma desta ingerência mudou, é certo, mas a essência é a mesma: converter o desporto num instrumento de pressão geopolítica e para formar uma imagem negativa de países e povos", refere.

Lembrando que nos últimos seis meses, por recomendação da Agência Mundial Antidopagem (AMA), os desportistas russos têm sido submetidos a múltiplos testes antidopagem, o Kremlin desvalorizou o relatório divulgado.

Para o governo russo, o documento baseia-se exclusivamente no depoimento do antigo diretor do laboratório antidoping de Moscovo, Grigori Ródchenkov, que afirmam ser "uma pessoa de duvidosa reputação".

De acordo com relatório independente elaborado para a Agência Mundial Antidopagem (AMA) pelo professor canadiano Richard McLaren, o governo russo dirigiu um programa de dopagem no desporto com apoio estatal, com participação ativa do ministro dos Desportos e dos serviços secretos.

O relatório refere que o programa "à prova de falhas" foi colocado em prática pelos responsáveis russos, inclusivamente durante os Jogos Olímpicos de Inverno Sochi2014.

De acordo com o documento, o ministro dos desportos da Rússia, Vitaly Mutko, teve "participação ativa" neste sistema, que teve a assistência dos serviços secretos nos laboratórios antidopagem de Moscovo e Sochi.

A Rússia anunciou entretanto que os responsáveis visados no relatório serão suspensos durante o inquérito.

"Os responsáveis referidos no relatório como sendo os executores diretos [das infrações] serão temporariamente suspensos de funções até ao final do inquérito", indicou o Kremlin, em comunicado, sem especificar a identidade dos visados.

O presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), Craig Reedie, tinha apelado à Rússia para afastar os responsáveis visados no relatório McLaren, que demonstrou a existência de um sistema de dopagem de Estado durante os Jogos Olímpicos de Sotchi, em 2014.

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