25 FIGURAS: O QUE MUDOU NA VIDA DELES
Num ano a vida deles deu uma reviravolta. Gente notória ou insuspeita passou a viver atrás das grades. Políticos caíram em desgraça. E um juiz desconhecido passou a simbolizar a Justiça.
Idade: 35 anos
Estado civil: Divorciado
Juiz do processo Casa Pia
Antes: Vivia em Mem-Martins (Sintra), onde era locutor anónimo de uma rádio-pirata. Chegou a trabalhar na Rádio Paris-Lisboa mas optou pelo Direito, começando a estagiar na comarca de Oeiras, em 1996. É amante de motos de alta cilindrada e de filmes de acção. “Homem grande e robusto”.
Depois: Tornou-se numa das figuras mediáticas do ano quando entrou no Parlamento, na manhã de 21 de Maio, para pedir o levantamento da imunidade parlamentar a Pedroso. Os detractores criticam a sua inexperiência, as 't-shirts' e calças de ganga mas o juiz tem sabido resistir às investidas da defesa e da acusação. A sua última decisão foi a de ordenar a prisão domiciliária de António Sanches, ex-funcionário da Casa Pia, por abusos sexuais de crianças. É o 13.º arguido no processo. Entretanto, mudou-se para Torres Vedras, onde vive com a namorada e o seu filho.
CARLOS SILVINO ‘BIBI’
Idade: 46 anos
Estado civil: Solteiro
Arguido
Antes: Foi aluno da Casa Pia desde os 4 anos. Passou a funcionário da instituição aos 19 anos. Abusou sexualmente de menores e angariou rapazes para redes de pedófilia desde 1975. É suspenso (e readmitido) das suas funções e alvo de processos disciplinares. Seria aposentado compulsivamente em Setembro de 2002. Mas sempre se gabou de estar protegido por poderosos. Chegou a estar de casamento marcado, mas desistiu à última hora.
Depois: A denúncia da mãe de ‘Joel’, em 2001, e a notícia do 'Expresso' a 23 de Novembro do ano seguinte, alertam a PJ, que o detém dois dias depois, no escritório da advogada Edviges Ribeiro. Está preso preventivamente nos calabouços do edifício da PJ, em Lisboa, quase sem visitas (a amiga Ana Paula Valente é uma rara excepção). É acusado de 35 crimes de abuso sexual sobre quatro menores, dois dos quais deficientes. Os seus dois julgamentos foram adiados.
Idade: 61 anos
Estado civil: casada
Arguida
Antes: A ex-emigrante viajou de França para Portugal com o seu marido para erguer um negócio de aluguer de casas em Elvas. Era ama de três crianças.
Depois: Era proprietária da moradia de três andares onde alegadamente decorriam os encontros entre casapianos e alguns dos arguidos no processo Casa Pia. Foi constituída arguida depois de ter sido identificada pelas testemunhas e aguarda o processo em prisão domiciliária. Devido ao seu envolvimento no caso, foi impedida de continuar a ser ama ao serviço da Segurança Social.
Idade: 38 anos
Estado civil: Divorciado
Arguido
Antes: Foi ministro aos 36 anos, número dois do PS e ideólogo do Rendimento Mínimo Garantido. O sociólogo de QI elevado e filho de merceeiros de Aveiro preparava-se para ser a ‘next big thing’ da política portuguesa.
Depois: O dia em que Rui Teixeira entrou pelos corredores dos Passos Perdidos mudaria por completo a sua vida. Na prisão ficou amigo de Carlos Cruz e aproveitou o ‘tempo livre’ para aperfeiçoar o seu alemão e escrever dois livros de Sociologia. Dos VIP da ala F era quem recebia mais visitas, entre elas a da namorada, a deputada Ana Catarina Mendes e do irmão, João Pedroso. Teve ‘alta’ de prisão preventiva e foi a correr para o Parlamento sob uma chuva mediática. Vai pôr lentes de contacto e deitar fora os aros escuros. Não quer continuar a ser o ‘político dos óculos’. “O que peço é que se investigue tudo”, afirmou depois de sair em liberdade.
Idade: 50 anos
Estado civil: casado
Arguido
Antes: Aos 11 anos, estudava na Casa Pia. Fez carreira na instituição e, em 1997, era adjunto do Provedor da Casa Pia, Luís Rebelo. Quando a 25 de Novembro de 2002, este foi exonerado, devido a uma frase infeliz, sobre Bibi, Abrantes sucedeu-o como provedor interino. Por 24 horas. O seu apoio ao antigo provedor valeu-lhe a exoneração de Bagão Félix.
Depois: A 21 de Janeiro, Catalina Pestana suspendeu-o por suspeitas de envolvimento em violação de menores. A 1 de Abril foi preso preventivamente, indiciado por mais de 80 crimes de abuso sexual a casapianos. É ainda acusado de venda ilícita de equipamento da instituição.
Idade: 61 anos
Arguido
Antes: O mar é a sua paixão. Arqueólogo de renome e director do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, faz mergulho desde os 17 anos. Foi o homem-forte de museus e unidades arqueológicas, e de cadeiras universitárias de Arqueologia Subaquática.
Depois: O seu nome surgiu ligado ao do embaixador Jorge Ritto, que terá conhecido em Paris. Foi constituído arguido por alegadamente ter cedido a sua casa para encontros sexuais com crianças. Aguarda o processo em liberdade.
Idade: 69 anos
Suspeita de lenocínio
Antes: Foi enfermeira no Hospital de Santa Maria.
Depois: É suspeita de ter cedido a sua própria casa, em Lisboa, para encontros onde se praticavam alegados abusos sexuais de menores de idade. Saiu em liberdade, sob termo de identidade e residência. Uma médica, Maria da Fé Viseu Mesquita, também seria arguida do processo, mas morreu vítima de ataque cardíaco.
Idade: 42 anos
Estado Civil: Casado
Arguido
Antes: É desde 1998, advogado com escritório em Elvas. Acumulava essa função com a de professor primário e universitário. Também enveredou pela política, tendo já representado a CDU, o PS e, mais recentemente, o PSD para a Assembleia Municipal de Elvas.
Depois: A sua vida teve uma reviravolta de 180 graus. Chegou a defender Bibi durante quase dois meses, mas passou à condição de arguido, indiciado por 48 crimes de abuso sexual de menores e de lenocínio (favorecimento de prostituição). Ao contrário de Carlos Cruz e Ferreira Diniz, acabou por sair em liberdade, com uma caução de 10 mil euros, refugiando-se na sua casa de Elvas. Não por muito tempo. A 6 de Maio seria novamente detido. Durante quatro meses, teve como rotina fazer ‘jogging’ no seu corredor da Ala F ou jogar xadrez com Ritto. Com alguma surpresa, foi libertado na madrugada de 18 de Outubro, depois de novo interrogatório de Rui Teixeira.
ANTÓNIO JAIME BRITO
Estado civil: Casado
Suspeito de lenocínio
Antes: Trabalhava na Câmara Municipal de Lisboa, na divisão de projectos e actividades.
Depois: O ‘Tó Jaime’ (nome pelo qual era conhecido entre os menores) terá aliciado rapazes para encontros sexuais com o embaixador Jorge Ritto, num apartamento que ficava a uns “escassos 20 metros” do seu local de trabalho. Está sob termo de identidade e residência.
Idade: 49 anos
Estado civil: Solteiro
Arguido
Antes: O homem que inventou o cantor romântico 'Tony Silva', o 'menino Nelito' ou o 'diácono Remédios' era o humorista do regime. Mesmo sem a frescura dos primeiros tempos, Herman nunca teve rival à altura na comédia ‘made in Portugal’.
Depois: A 25 de Maio, foi notificado para prestar declarações ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa. Cinco dias depois, após um interrogatório de três horas e meia, feito por João Guerra, saiu em liberdade provisória, indiciado pelo crime de actos homossexuais com adolescentes, punível com três anos de prisão. Nessa mesma noite, apresentou os ‘Globos de Ouro’, visivelmente agastado. Regressou em Setembro aos ecrãs da SIC com uma nova imagem. Louro.
E juntou-se aos arguidos detidos do processo Casa Pia, defendendo o cara-a-cara entre as alegadas vítimas de abusos sexuais e os suspeitos.
JOÃO FERREIRA DINIZ
Idade: 48 anos
Estado civil: Solteiro
Arguido
Antes: Era o médico dos famosos e o homem do Ferrari. Circulava no ‘jet set’ com à vontade e vivia com Ricardo Torres, um ex-casapiano de 26 anos, de cabelos loiros e compridos – oficialmente o seu motorista. Chegou a ser proibido de observar os internos da Casa Pia, por suspeitas de pedofilia, no fim dos anos 80.
Depois: Diz-se inocente e deprimido. E está endividado. Como pagar as prestações dos dois carros de luxo, do apartamento na Restelo e da clínica privada, em Belém, avaliada em 2,5 milhões de euros? Sofre de cancro.
Idade: 67 anos
Arguido
Antes: O embaixador melómano e reservado deixou um rasto de escândalos diplomáticos em Kinshasa, no Congo, e em Estugarda, na Alemanha, de onde foi expulso, mas também em Rabat (Marrocos) e Pretória (África do Sul). Motivo? Relações sexuais com jovens em locais impróprios. Seria em sua casa, em 1982, que se praticavam actos sexuais com menores casapianos.
Depois: Apesar do seu nome ter sido dos primeiros a ser referenciado, só seria preso preventivamente a 20 de Março, suspeito de 11 crimes de pedofilia. Na ala D, passa os dias a ouvir Beethoven e Mozart, enquanto lê os sete volumes de ‘Em Busca do Tempo Perdido’, de Marcel Proust.
JOÃO FERREIRA DINIZ
Idade: 48 anos
Estado civil: Solteiro
Arguido
Antes: Era o médico dos famosos e o homem do Ferrari. Circulava no ‘jet set’ com à vontade e vivia com Ricardo Torres, um ex-casapiano de 26 anos, de cabelos loiros e compridos – oficialmente o seu motorista. Chegou a ser proibido de observar os internos da Casa Pia, por suspeitas de pedofilia, no fim dos anos 80.
Depois: Diz-se inocente e deprimido. E está endividado. Como pagar as prestações dos dois carros de luxo, do apartamento na Restelo e da clínica privada, em Belém, avaliada em 2,5 milhões de euros? Sofre de cancro.
Idade: 53 anos
Estado civil: Casado
Procurador-Geral da República
Antes: Substituiu Cunha Rodrigues na PGR, em Outubro de 2000. Estava a ter um mandato discreto e mal se ouviu falar nele nos casos de Entre-Os-Rios, Universidade Moderna ou Fátima Felgueiras.
Depois: Depois de notícias garantirem que os telemóveis de António Costa e Ferro Rodrigues estavam sob escuta, afirmou: “Não tenho conhecimento disso.” No dia seguinte, dava o dito pelo não dito. Em Novembro de 2002, garantiu que “nenhum indício, prova ou investigação” era imputada a Carlos Cruz. Três meses depois, o apresentador era detido e constituído arguido.
Idade: 42 anos
Estado civil: Divorciado
Advogado do irmão, Paulo Pedroso
Antes: Chefe de gabinete de Ferro Rodrigues e pertenceu ao Conselho Superior de Magistratura (CSM) suspendendo a função a 21 de Maio.
Depois: Divulgou nos média o conteúdo da escuta telefónica entre Ferro e António Costa e que terá ditado a prisão de Paulo. Exigiu desculpas a Marcelo Rebelo de Sousa, por este ter insinuado que a proposta pelo PS da sua nomeação para o CSM (dois meses antes de Pedroso ter sido preso) poderia ter tido segundas intenções.
Idade: 45 anos
Estado civil: Divorciado
Procurador do processo da Casa Pia
Antes: Converteu-se ao judaísmo, por influência da ex-mulher, de quem se separou de forma litigiosa. Depois: Depois de uma foto sua aparecer nos jornais, o homem que lidera a investigação da Casa Pia passou a ter segurança pessoal. “Corria risco de vida”. É duro, ‘workaholic’ e desconfiado e os seus interrogatórios temidos. Nega a possibilidade de fabricação de testemunhos das vítimas e trava um braço-de-ferro com José Miguel Júdice.
ANTÓNIO SERRA LOPES
Idade: 69 anos
Estado civil: Casado
Advogado de Carlos Cruz
Antes: Foi advogado de um príncipe árabe e de Sá Carneiro. É fã de ‘gadgets’ como máquinas de abrir cartas ou de triturar lixo.
Depois: Defende Carlos Cruz, ao lado de Ricardo Sá Fernandes. Foi no seu escritório que congeminou uma estratégia com outros advogados de defesa na ‘reunião dos charutos’. Tentou impugnar o juiz Rui Teixeira e tem--se desdobrado em recursos. A sua experiência será um trunfo que guarda na manga.
Idade: 54 anos
Estado civil: casado
Bastonário da Ordem dos Advogados (OA)
Antes: Ilustre militante do PSD e patrão da Júdice & Associados. É bastonário dos advogados desde Dezembro de 2001.
Depois: O seu nome foi referido nas escutas telefónicas divulgadas pelos média. Teve um duelo com João Guerra que considera ter feito “chicana processual”. Para Júdice, o processo só teve um aspecto positivo: “Alertou as pessoas para temas como o segredo de justiça, a prisão preventiva e as escutas telefónicas.” E, talvez, por isso considere que para a justiça portuguesa existirá “um período Antes e Depois da Casa Pia”.
Idade: 56 anos
Provedora da Casa Pia
Antes: Aos 27 anos era a directora do colégio de Santa Catarina da Casa Pia. Aos 38, dava aulas em Pina Manique. Aos 51, coordenava o programa de Prevenção de Toxicodependência em Meio Escolar.
Depois: A 5 de Dezembro torna-se na nova Provedora da Casa Pia no meio do turbilhão mediático. É célebre a sua frase: “Não tentem destruir os miúdos porque vão ter de passar com um cilindro por cima de mim”. O futuro da instituição erigida por D. Maria Pia está nas suas mãos.
Idade: 48 anos
Estado civil: Casado
Advogado de João Ferreira Dinis e Hugo Marçal
Antes: Advogado mediático. Ficou célebre a sua prestação no caso Aquaparque e no caso de José Carvalho, morto por um ‘skinhead’, em 1989, à porta do PSR, entre outros.
Depois: Defende João Ferreira Diniz e Hugo Marçal. O seu trabalho de investigação de 21 dias terá sustentado o alibi de Marçal, que sempre afirmou ter estado aos sábados na Faculdade de Direito e não na sua casa de Elvas, em actos pedófilos. A libertação do seu cliente, a 18 de Outubro, é já uma vitória do advogado.
Idade: 53 anos
Advogado de Jorge Ritto
Antes: É uma figura mítica em Coimbra, sendo conhecida a sua adoração por bons charutos. Advogado de Direito Penal, é especialista em requerimentos de ‘habeas corpus’. Foi advogado da Dinensino, no início do caso Moderna, e de Donas Botto, conseguindo a sua absolvição, no caso da Junta de Autónoma das Estradas.
Depois: Representa Jorge Ritto desde Dezembro de 2002 e ficou famoso pelas suas declarações bombásticas. No entanto, perdeu um ‘habeas corpus’ no Supremo Tribunal.
Idade: 39 anos
Estado civil: Casado
Testemunha
Antes: Foi casapiano e também alvo de uma tentativa de violação por parte de Carlos Silvino. Anos depois, já como advogado ainda foi procurado por Bibi, quando este foi acusado de pedofilia.
Depois: Denunciou as violações aos jovens casapianos e tem prestado apoio às vítimas. Nos últimos tempos, algumas divergências afastaram-no de Granja. Tem sido alvo de ameaças, tentativas de suborno e notícias pouco abonatórias para a sua imagem. Namora defende-se: “estão a querer abater-me para atingir as testemunhas do processo”.
Idade: 42 anos
Advogado de Joel
Antes: Foi interno da Casa Pia durante 11 anos e terá sido violado por Bibi. Foi porta-voz da ‘Revolta dos Gansos’, em 1980. Pediu ajuda a Ramalho Eanes e a Teresa Costa Macedo. Em vão. É advogado e deputado municipal.
Depois: Voltou a dar a cara, ao lado de Namora, e denunciou os crimes sexuais perpetrados por Bibi. Divergiu com o seu ‘compangnon de route’, a meio do processo porque Granja põe em causa a actual Provedoria da Casa Pia e o trabalho de Pedro Strecht. É advogado de ‘Joel’, mas o seu lugar chegou a estar em causa pelo próprio cliente.
Idade: 45 anos
Estado Civil: Casado
Advogado de Bibi
Antes: O advogado alentejano já foi agente da PSP, em Lisboa e funcionário judicial no TIC. Como advogado, especializou-se em matéria criminal. “Quase por acaso”. E defendeu dez jovens acusados de abuso sexual de menores, em Odemira. Ganhou.
Depois: Dória Vilar convidou-o para colaborar a meias na defesa de Bibi. E do Alentejo, passou para debaixo dos holofotes da capital. José Martins acabou por ficar sozinho na defesa. Apresentou um incidente de recusa de juiz, pediu o fim da prisão preventiva de Bibi e clamou pela demissão de José Miguel Júdice. “Estou a enfrentar os ‘lobbies’ de pessoas que não querem que se descubra a verdade.”
PROENÇA DE CARVALHO
Idade: 62 anos
Estado civil: Casado
Advogado das vítimas
Antes: Conhecido advogado, ilustre militante do PSD e ex-Presidente da RTP.
Depois: Defende as vítimas de abusos sexuais. Está agastado com os dois adiamentos do julgamento e com a estratégia do advogado de defesa de Bibi. “Um terceiro adiamento seria um desprestígio para o sistema”, afirmou.
PROENÇA DE CARVALHO
Idade: 62 anos
Estado civil: Casado
Advogado das vítimas
Antes: Conhecido advogado, ilustre militante do PSD e ex-Presidente da RTP.
Depois: Defende as vítimas de abusos sexuais. Está agastado com os dois adiamentos do julgamento e com a estratégia do advogado de defesa de Bibi. “Um terceiro adiamento seria um desprestígio para o sistema”, afirmou.
Foi ‘Joel’ (nome fictício), aluno da Casa Pia, que despoletou o processo da Casa Pia, ao apresentar uma queixa de violação por parte de Bibi, em Setembro de 2001.
Era um anónimo advogado da Quinta do Conde, na margem Sul, até defender Carlos Silvino, depois de Hugo Marçal. A fama trouxe-lhe proveito: um escritório novo no centro de Lisboa. “Foi um dividendo, mas indirecto, do caso”, frisa. Mas também dissabores, tornando público um processo judicial contra si (uma mega-burla, julgada em Oliveira do Hospital). Bibi tinha acessos de fúria, cada vez que o visitava à cadeia, acabando por dispensá-lo dos seus serviços. “Tinha um feitio complicado”, admite o advogado. Discorda da estratégia utilizada pelo actual defensor, José Maria Martins. “Comigo, o julgamento já tinha começado, dado que, até 1 de Setembro, dia em que deixei a sua defesa, Carlos Silvino estava preparado para enfrentar o juiz”.
A poucos dias de rebentar o escândalo da casa Pia, o nome de Ferro era unanimemente aclamado no XIII Congresso do PS. O ex-ministro da Solidariedade parecia a pessoa certa para combater o Governo de Durão. Este ano, tudo lhe aconteceu: escutas telefónicas, conversas privadas tornadas públicas, testemunhos contra si, interrogatórios de seis horas no DIAP... . E nem a festa de boas vindas a Pedroso no Parlamento parece ter melhorado a imagem do líder acossado – e por inerência a do seu partido. Para o anedotário nacional irá ficar a frase: “Estou-me cagando para o segredo de justiça”. Uma sondagem CM revela que 60 por cento dos inquiridos acham que ele deve sair.
A filha da cozinheira da Casa Pia, Mariana Pereira (que tratava o pequeno Bibi como uma mãe) brincava com ele como se fossem irmãos.Hojé é visita regular de Bibi na prisão – apesar deste já a ter proibido uma vez de entrar no EPPJ – e já avisou que continuará a ser sua amiga independentemente do desfecho do julgamento, “por consideração pelo ser humano”. Facto que não a impediu de participar na marcha branca contra a pedofilia.
É um dos psicólogos mediáticos do nosso ‘burgo’, lançando alguns livros sobre Psicologia Infantil e Adolescente. Começa a trabalhar no caso da Casa Pia a 21 de Novembro de 2002.Tem preparado psicologicamente as testemunhas que irão depor no Tribunal da Boa Hora, defronte de arguidos e advogados. Já avisou que nenhuma delas “irá desistir”, negando que haja “situações de falsos testemunhos”. E, garantiu que destes rapazes, “nenhum foi prostituto”.
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