A betoneira, os intocáveis e a corrupção

Fazem falta mais homens como Marinho Pinto. Ele até pode ‘destruir a Ordem’ mas vai projectando o ‘país real’, ao ousar meter-se no caminho dos ‘intocáveis’.

03 de fevereiro de 2008 às 00:00
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Os portugueses estão preocupados com um certo ‘terrorismo social’, que lhes afecta o quotidiano. Até ao dia em que Portugal seja observado como uma placa giratória de interesses norte-americanos – e as recentes notícias a dar conta do envolvimento do Estado português no oferecimento de apoio para o trânsito de voos da CIA, não propriamente turísticos, para Guantánamo, podem lançar sobre as nossas vidas um halo de inquietação. Certo deslumbramento político de figuras, como Durão Barroso e José Sócrates, tem conhecido um duplo efeito: Portugal ganhou alguma visibilidade nos circuitos da política internacional, mas essa visibilidade torna o País mais exposto perante aqueles que, junto dos amigos de Bush, querem esquartejar e dinamitar o pindérico imperialismo norte-americano.

Apesar das preocupações, há quem continue a colocar Portugal fora das rotas do terrorismo. Já não estou tão certo – e se, nesse particular, alguma coisa de indesejável acontecer, a pôr em causa a soberba e a falsa serenidade no luso torrão, realizar-se-ão milhares de teorizações sobre a inevitabilidade da situação. A verdade é que ela será consequência – mais do que uma opção política – da forma como nos temos posto em bicos de pés, no meio de tratados e de hipócritas recepções a ‘criminosos de Estado’.

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No meio dos legos e das brincadeirinhas diplomáticas, José Sócrates, o homem-de-ferro, não resiste à remodelação ministerial. Pensava-se que ia resistir a tudo, porque a tudo (leiam-se críticas) reage como se fosse uma betoneira ou um rolo compressor.

As palavras de Cavaco Silva ainda produzem algum efeito. Na abertura do ano judicial, polémica acesa. O novo bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, é uma daquelas personalidades muito úteis à sociedade. Pelo menos tenta travar as negociatas a céu aberto. É odiado pelos seus colegas elitistas, que conhecem melhor do que ninguém o tecido empresarial, alimentando-lhe as manhas, e, por isso, compreendo a postura da magistrada Maria José Morgado, conhecedora das dificuldades que se levantam sempre que se fala ou luta contra a corrupção. Colhe-se a ideia de que o País já não ouve ninguém.

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