Alugo uma rica vida

"Com boa vontade e uma notinha tudo se consegue”. Talvez os requisitos apontados pela cobaia de serviço não cheguem para a sorte grande. A taluda só se dá com plurais: notinhas, altas e em grande número. Mas a aproximação é possível e pode ajudar a fazer vista.

25 de novembro de 2007 às 00:00
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Crédito e imaginação sem plafond permitem tudo, ou quase. Do mais discreto ao mais extravagante. Do recheio de uma casa a um passeio pela capital a bordo da limusine utilizada pelos Police na sua última deslocação a Portugal. Para quem não pode - ou não quer - comprar, o circuito do aluguer dá uma ajuda.

Num dia dedicado a luxos, basta ser mãos largas para abrir as portas da vistosa Lincoln e imaginar em que lugar se terá sentado Sting. Por via das dúvidas, Nuno, um estudante e modelo fotográfico de 27 anos, faz mais do que imaginar. Experimenta-os a todos.

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Mais que não seja para averiguar os índices de conforto. E testa a operacionalidade da televisão. E a qualidade das flûtes de champanhe. E todo e qualquer botão eléctrico que dê sinal de vida. Confesse, se fosse marinheiro de primeira viagem, você faria o mesmo.

Uma vez lá dentro, não é preciso muito tempo para o dinheiro lhe subir à cabeça. Mesmo que não o tenha e o motivo seja o faz-de-conta. O deslumbre é como a mentira: tem perna curta. Mas neste caso desculpa-se. Apanha-se depressa. E contagia. Pois deixe-se contagiar. Porque um dia não são dias.

COM 500 EUROS FAZ-SE A FESTA

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“Com 500 euros faz-se a festa, enquanto que se alugar um táxi por um dia inteiro, se calhar gasta-se o dobro”, lembra o chauffeur, António. Na volta, o cúmulo da extravagância rodoviária seria outro. Mas como nisto não basta ser, é preciso parecer, não é com veículos de praça que se engarrafa o trânsito e as atenções em pleno Marquês de Pombal. Os olhos também comem. Que o digam os habitues deste serviço, regularmente solicitado por programas como ‘Família Superstar’ e não só. Despedidas de solteiros, festas privadas, casais que num acesso de romantismo surpreendem o respectivo cônjuge.

“Temos empresas e particulares”, diz Sofia Pereira, da WH-Executive Service, que disponibiliza veículos topo de gama, minibus ou autocarros.

O crème de la crème da ostentação não foi esquecido. “Uma limusine depende do número de horas e serviço. O mínimo são três horas, 300 euros. Daí para a frente a média é 100 euros à hora”.

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Se tem queda para os clássicos caia de amores por veículos antigos que fizeram furor em vários filmes e já transportaram celebridades como Meryl Streep ou Jeremy Irons.

Entraram em anúncios, figuraram em séries como ‘Alves dos Reis’, ‘Ballet Rose’ ou ‘Arsene Lupin’, e fizeram uma perninha em videoclips dos Da Weasel ou Black Company. Genésio Laranjo ou Aníbal Mendes alugam este tipo de automóveis para todo o tipo de eventos.

Se não falta pretexto, o traje a rigor também não deve faltar. Em dez minutos é possível alugar um smoking pelo telefone. Ou um fraque. Ou, imagine-se, um vestido de noiva.

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PRONTA A... CASAR

A casa Ilon, em Campolide, trouxe o conceito da terra natal, a Ucrânia, onde a prática é corrente. Entre 150 e 250 euros nada como entrar e sair pronta a... casar.

“Há casos de noivas que andavam à procura para alugar e como não encontraram em outro sítio, alguém que já tinha alugado aqui passou o contacto”, conta Olga. Importa-se de ver repetido o vestido? Neste caso, a vista é grossa.

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Para alugar um smoking, 100 euros chegam. “Por dois ou três dias, mas pode ser mais.

Algumas pessoas que vão para o estrangeiro, ou em cruzeiros, e precisam deles pedem-nos mais uns dias”, explica Iryna. Sem problemas. Como no melhor pano cai a nódoa, lembre-se que em caso de estragos, não há volta a dar.

“O cliente tem que pagar. Já nos aconteceu queimarem algo a passar a ferro e tentarem disfarçar, mas tiramos logo do saco para confirmar mal chegue.”

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Mesmo que não haja enlace nem lua-de-mel, pode sempre embarcar num capricho que é unha com carne com o conceito: hotel. Não, não é um quarto. Sonhe alto.

Eleve a vontade à altura do último piso do Sheraton Lisboa e reuna os amigos - muitos - num dos refúgios de artistas e futebolistas internacionais. “Não é habitual, mas é possível alugar a totalidade do hotel.

Nos tempos recentes, aconteceu-nos não a totalidade, mas quase. Em 2 % do hotel estavam outros clientes”, explica Marco Faria. Nada como abordar o gabinete comercial para avaliar a possibilidade de alugar todo o espaço e respectivos serviços. São 369 quartos.

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Os preços dos quartos variam entre os 145 euros e os 3 mil euros (suite presidencial). Pegue na calculadora e comece a somar parcelas para saber se pode seguir as pisadas dos craques da Figo All Stars Team, que se hospedou por aqui.

Nem sempre a satisfação do pedido passa pela consulta de um gabinete comercial.

É PRECISO TER LATA

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Para os mais desenvoltos nas movimentações, um ‘acordo de cavalheiros’ pode bastar para ter carta branca. “Em conversa privada, muita coisa se pode fazer. Em muitos países lá fora se faz isto. Cá não é muito frequente”, diz Paula Bobone.

O sector, extensível a carros, barcos, aviões, mas também a peças mais melindrosas, como roupas e jóias, levanta algumas questões. “Temos um sistema um pouco lateral de lojas, mas há espaços com muita facilidade de troca, e há marcas mais rigorosas.

"É preciso ter lata, correm-se riscos. E ninguém gosta de comprar uma peça sabendo que já foi alugada”, admite a apresentadora e especialista em etiqueta, que distingue algumas referências. Quanto a jóias, os antiquários da Rua de São Bento, são uma das opções. “Muito para produções de filmes, mediante o pagamento de seguros”, diz Paula.

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No vestuário masculino, a Anahory faz as honras do género.

O espaço é também destino de eleição de Lili Caneças. “Para bailes de máscaras, roupa de época”. Fora deste contexto pontual, “ninguém aluga roupa. No circuito onde me movo, se acontece nunca ouvi falar”, confessa a socialité habituada à recriação de sumptuosos cenários . “Já fiz produções com helicópteros, limusines, para algo mais sofisticado”.

Segundo Lili, mais discrição, menos ostentação é regra de ouro para quem tem “categoria”. “Há pessoas com jóias fantásticas que preferem usar imitações a tirar os originais dos cofres. Não me parece que, numa altura de crise, alguém seja tão tonto ao ponto de querer parecer que é rico”.

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Quanto a transportes, o seu Lancia encarrega-se das deslocações regulares. Em eventos especiais, o veículo é outro. “Tenho contrato com a JetLimo que me conduz nestes casos. Fiz-lhes imensa publicidade em várias ocasiões e o senhor Augusto deixa-me à vontade para as usar”

Se apanhar boleia até ao célebre Guarda-Roupa da baixa pombalina confirma a oferta de vestuário que faz as delícias do meio.

PREÇOS A PARTIR DOS 25 EUROS

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Quem procura a Anahory? “Toda a gente. Temos particulares, empresas dentro da área de produção, televisões”, esclarece Cristina. Os preços oscilam consoante o tipo de peça. “Temos fatos para alugar a partir de 25 euros, por 24 horas.

Durante o ano, se levantar a peça numa sexta-feira à tarde e devolver na segunda-feira de manhã só paga um dia”. Mas há excepção. No Entrudo, conta a diária. Se no Carnaval nada se leva a mal.

O mesmo não se pode dizer do resto do ano. “Suponho que se aluguem automóveis de luxo, casas, barcos e aviões. Mas uma roupa de luxo ou uma jóia não se aluga, só para uma festa especial, senão é pindérico.

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Os costureiros só vendem ou cedem dentro da permuta de imagem”, diz Maya. Quem pode, pode. Aqui, caro leitor, um simples aluguer não chega.

O aluguer de espaços é uma outra vertente. Para uma festa exclusiva é possível alugar uma discoteca como o Buddha Lisboa. “O preço depende dos dias. A uma segunda ou terça-feira é mais barato. A um sábado é mais caro.

O mínimo são 1600 euros, só o espaço”, explica a relações públicas da casa.

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Para umas férias nos Alpes ou no Mediterrâneo, a Índigo Lodges sugere chalés e villas com todas as mordomias. De Courchevel a Ibiza, a escolha é sua. “Fazemos tanto Verão como Inverno.

A grande vantagem é a privacidade, o serviço perfeitamente personalizado e o facto dos espaços darem até para 28 pessoas”, explica Paulo Ribeiro de Lemos, representante do grupo em Portugal. São mais de 150 chalés prontos a acomodar um casal à procura de um refúgio romântico ou grupos de 25 ou mais pessoas em busca do esqui em Itália, França ou Suíça.

Mordomos, butlers, seguranças, chefes de cozinha de classe Michelin. Nada falta. “Posicionamo-nos para as cinco mil famílias mais ricas de cada país.

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O cliente tipo tem entre 40 e 50 anos, financeiramente bem na vida. São empresários, políticos, artistas”, continua. Quanto a valores, “um chalé na estância de St. Morritz para dez pessoas pode atingir os 50 mil euros por semana”. Alguns espaços, também em Portugal, podem chegar aos 200 mil.

OPÇÕES CONVENCIONAIS OU EXÓTICAS

Em solo nacional não faltam opções mais convencionais ou exóticas que alimentam áreas como a publicidade ou cinema. Nada a que um particular com ideias extravagantes não possa aceder, apesar da procura limitada. “Os particulares procuram pouco porque os custos são elevados, só para algo muito especial, como casamentos.

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Para além do aluguer do espaço acresce a nossa taxa fixa, que são 485 euros por local. Quanto aos espaços, não há tabela. Depende do sítio, do tempo de aluguer e do efeito”, indica Patrícia Lino, da Locations Portugal, o maior banco de locais online do país. Mansões, palácios, mas também localizações tão exóticas como lixeiras, estufas ou ruínas são apenas algumas das solicitações.

Basta dinheiro e vontade para satisfazer o seu desejo, cabendo a avaliação do mesmo à Locations. “É diferente ser para uma filmagem restrita a umas 40 pessoas e alugar o espaço para uma festa com cinco mil”, explica Patrícia.

Primeiro o espaço, depois os ornamentos. Na Aderecos.com estão em peso. “Procuram-nos mais produtoras através dos aderecistas, em situações de S.O.S.

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Também particulares, mas mais para eventos, festas temáticas”, explica Carla Lopes. Quer dar uma festa mexicana lá em casa?

A Adereços pode responder ao desafio. “O mais caro são as peças de design, sofás italianos, cadeiras, todo o mobiliário de autor. Para um sofá de 10 mil euros, fica um aluguer de 30 %, ou seja, 3 mil euros.” Se tiver alguma peça que gostava de ver alugada, também é possível rentabilizá-la.

“O nosso pequeno armazém serve de entreposto, mas as peças não saem de casa dos donos. Qualquer pessoa pode pôr uma peça à disposição”. Mais uma vez, sigilo é a alma do negócio. “As pessoas não querem que se saiba a proveniência das peças”, confirma Carla.

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O aluguer adquire ainda outras molduras. Diversificar a decoração de casa, ou do escritório, aceder a obras de arte com baixos custos, é o conceito de Art Renting, que existe há mais de uma década no norte da Europa e EUA.

Apesar de ainda incipiente em Portugal, o caminho vai sendo desbravado. A Domus Varius ou a Art Lounge alugam peças sem a necessidade de compra. “É um contrato normalíssimo de renting. O preço é 10 % do valor de cada peça. Para uma de 2 mil euros, fica em 200 euros por mês”, explica Ricardo Cruz, da galeria de arte contemporânea Art Lounge.

O foco são sobretudo empresas mas os particulares também podem aderir, apesar de “uma entidade com portas abertas oferecer mais garantias”, reconhece Ricardo. Pintura, escultura, tudo está disponível para aluguer. Os contratos são de 3 em 3 meses podendo ser renovados.

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Terminado o roteiro, se a única coisa que lhe falta é uma estampa como companhia para desfrutar dos luxos, não se preocupe. Também se arranja.

ELES ALUGAM E PÕEM A ALUGAR

Extravagância é o nome do meio de inúmeras estrelas do cinema, música ou futebol. Eles podem ter, mas também alugam. Cristiano Ronaldo, por exemplo, já o fez com um jacto por 38 mil euros, para se deslocar de Inglaterra para o Algarve. Havendo quem aluga, é sinal que alguém se dispõe a alugar. Casas, solares, quintas, palácios, numa lógica de rentabilização dos investimentos e amortização das despesas de conservação.

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Propriedade da família Berardo, a Quinta dos Lóridos (Bombarral), um solar do século XVII, é, desde 2004, alugada para casamentos. Foi ainda escolhida para servir de cenário à série ‘A Ferreirinha’. Dez dias após o fim das gravações, Alain Delon instalava-se no local com a comitiva do filme ‘Frank Riva’.

Já a empresária Maria Manuel Cyrne transformou o solar de família no Hotel de Charme Casa Viscondes da Várzea, em Lamego. Nas embarcações, veja-se o iate Canados do empresário Stefano Saviotti - uma semana pode chegar aos 65 mil euros.

IDEIAS PARA FAZER A FESTA

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25 EUROS é o preço mínimo para o aluguer de um vestido para festa na Anahory. Com 90 euros aluga algo mais elaborado.

500 EUROS permitem um périplo em limusine durante cinco horas. O mínimo na WV-Executive são três (300 euros).

9 MIL EUROS pelo aluguer de um jacto para duas pessoas voarem de Lisboa/Porto a Madrid, pela Aircraft Charter World.

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600 EUROS por três meses (tempo mínimo) de aluguer de uma obra de arte no valor hipotético de 2000 euros na Art Lounge.

1600 EUROS é o mínimo para desfrutar de um espaço como o Buddha Bar. Restaurantes e casinos são outras opções.

TRANSPORTE EM ALTAS

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Os meios de transporte continuam entre os itens mais solicitados para aluguer. Desde 180 euros diários pode alugar uma lancha de 6,9 metros através da Nautirent.

Pela Algariate, 3300 euros semanais é quanto pode custar o aluguer de um veleiro de 14,5 metros. Em trainchartering.com tem opções glamourosas sobre carris, como o Expresso do Oriente ou o Trans-Siberiano. ‘Bastam’ 250 mil euros para 14 noites.

REFÚGIOS DE VERÃO OU INVERNO

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Pelo ar ou a rasgar as ondas, todos os caminhos são bons para ir ter aos refúgios de Verão ou Inverno da exclusiva Indigo Lodges. Os chalés e villas podem atingir os 200 mil euros por semana.

Pintura, escultura, instalação. O conceito de ‘Art Renting’ é recente em Portugal. Empresas e hotéis estão entre os principais clientes, mas um particular que ofereça generosas garantias bancárias pode conseguir seguir-lhes as pisadas.

UM ALERTA PARA OS ALPINISTAS SOCIAIS

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O aluguer ou o empréstimo podem equipar uma modalidade como o alpinismo social, mas cuidado. Não é fácil ludibriar quem cá anda há muitos anos. “Já vi o mesmo vestido no corpo de 48 mil! Como é possível?!

É um deja vu muito grande”, aponta o colunista Carlos Castro. “Nota-se se uma mulher aparece com roupa emprestada e joalharia”. Quanto a alugar, “não há sequer autorização para isso”. Mas há o regime das “vendas à consignação”. “Conheço muita gente que o faz”, comenta, distinguindo perfis. “Temos gente com muito dinheiro mas não temos jet set. Há figuras e figurinhas. As pessoas que têm dinheiro não mostram.

Depois há os emergentes, que aparecem com bens que não sabemos se são deles. Fico sempre de pé atrás porque há quem viva no faz-de-conta, que usa e abusa da aparência.”

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MESMO SE NÃO TEM PREÇO, O DINHEIRO RESOLVE

Tudo pode ter um preço. Bens e... pessoas. Se a companhia de aluguer não é uma novidade, nomeadamente através dos serviços de ‘escort’ de luxo, nem as polémicas barrigas de aluguer, o mesmo não se pode dizer quando o assunto são... adeptos.

Pois, o emir Hamad Bin Khalifa Al-Thani, do Qatar, não é de meias-medidas. Depois da compra da bola de futebol da final do último Mundial, por 1,9 milhões de euros, para a Taça da Ásia, realizada em Julho no Vietname, foi mais longe. Como o Qatar tem pouca gente para apoiar a selecção, mandou ‘alugar’ dez mil adeptos entre a população estudantil vietnamita e a ‘boat people’.

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O jornal Thanh Nien divulgou a façanha sem revelar o custo unitário do aluguer. Foi ainda contratada uma fábrica têxtil de Hanói para fazer dez mil camisolas e outras tantas bandeiras do Qatar. O dinheiro resolveu tudo.

ALUGAR?! NEM PENSAR!

Para quê alugar se tem quem lhe empreste carros, telemóveis, jóias e muito mais? É o caso de Cinha Jardim e de outras figuras nacionais.

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Neste caso, é para quem pode. Mas se quiser um dia diferente, Lili Caneças sugere alguns passos: “Ir ao Guarda-Roupa Anahory alugar um fato; mais uma limusine e um espaço para fazer a festa. No Casino do Estoril, à segunda-feira, é possível alugar o Salão Preto e Prata, como fez Roberto Leal”.

QUANDO EMPRESTAR É UM BOM NEGÓCIO

Conhecedora do meio do social, Paula Bobone não tem dúvidas que numa conversa privada muita coisa se pode conseguir. No entanto, se o circuito do aluguer não é frequente entre particulares (para lá dos itens mais comuns, como casas, barcos e automóveis), o mesmo não se pode dizer da cedência de peças para produções jornalísticas ou no âmbito da permuta de imagem. A mais-valia é mútua.

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A pessoa beneficia do usufruto dos artigos, enquanto a marca goza da publicidade. Cresce o número de figuras públicas que se tornam embaixadoras de marcas e produtos dentro desta lógica cada vez mais apurada.

“Isto está mais condicionado e obedece a planos de marketing mais elaborados. Sou representante da Nissan em Portugal e também tive que ir a Paris para ser aceite pela marca como tal”, diz Maya.

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