Apocalipse Manga

Hayao Miyazaki e o Estúdio Ghibli revolucionaram a animação japonesa e transformaram-se numa escola que é hoje referência até da Disney. 

31 de janeiro de 2014 às 11:36
imperdível, Adolfo Luxúria Canibal, animação japonesa, Lovelace
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O desenho animado japonês existe pelo menos desde 1917, ano do primeiro filme conhecido - ‘O Porteiro Imokawa Mukuzo' -, uma curta-metragem de Oten Shimokawa realizada com papel recortado (o celuloide seria usado pela primeira vez só em 1933). Durante a II Guerra Mundial há uma grande produção de curtas de animação de propaganda anti-americana, com destaque para ‘Momotaro, a Águia dos Mares' (1943) e ‘O Soldado Divino' (1944), ambos de Mitsuyo Seo, onde os americanos eram representados como malvados Popeyes. No entanto, seriam esses mesmos americanos que, depois da guerra, iriam relançar os estúdios através da produção de filmes de propaganda aos ideais democráticos, com destaque para a série ‘Tora-Chan, o Gato Vadio' (1947-1950), um gato vadio adoptado por uma família, de quem se torna conselheiro, com uma solução progressista para as mais diversas situações da vida japonesa. Mas foi com a fundação da Toei em 1951 (com a pretensão declarada de ser a ‘Disney do Oriente') que o desenho animado japonês se lança na produção da sua primeira longa-metragem - ‘A Serpente Branca' (1958), de Kazuhiro Okabe e Taiji Yabushita -, filme que iria marcar os espíritos dos futuros protagonistas do cinema de animação nipónico, nomeadamente de Hayao Miyazaki.

Bestiário

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Antes, com o advento da TV e pela mão de Osamu Tezuka, um antigo empregado da Toei, o cinema de animação japonês passaria por um dos seus períodos mais icónicos e menos interessantes, com a criação da série ‘Astro Boy' (1963), onde os personagens praticamente não têm movimento e os planos fixos se alternam com o decorrer da acção, e é este princípio que, sob diversas nuances, vai ser seguido e modelar toda a posterior produção acelerada e barata de conteúdos animados para televisão, incluindo a da própria Toei. E é da Toei que saem, insatisfeitos com a sua visão estritamente comercial e com a falta de liberdade artística que a sua direcção muito hierarquizada impunha, Isao Takahata e Hayao Miyazaki, que viriam a fundar o estúdio Ghibli em 1985, produzindo filmes de grande qualidade artística e, simultaneamente, de êxito comercial por todo o mundo. Mas tudo começou um pouco antes, quando em 1982 Miyazaki iniciou o desenho de um manga que se tornou um acontecimento local, ‘Nausicaä do Vale do Vento', e que decidiu transformar em desenho animado (1985), vendo esse sucesso multiplicar-se. Criado, então, o estúdio Ghibli, sucedem-se ‘O Castelo no Céu' (1986), ‘Meu Vizinho Totoro' (1988), ‘Kiki, a Aprendiz de Feiticeira' (1989), ‘Porco Rosso, o Porquinho Voador' (1992), ‘Princesa Mononoke' (1997), ‘A Viagem de Chihiro' (2001), ‘O Castelo Andante' (2004), ‘Ponyo à Beira-Mar' (2008) e finalmente ‘Levanta-se o Vento' (2013), anunciado como o derradeiro filme de Miyazaki, onde a humanidade é representada como destruidora implacável e cega da Natureza e simultaneamente como um conjunto frágil de ligações afectivas entre personalidades complexas, impotentes perante o mecanismo da sua própria destruição. Tudo numa narrativa com tanto de naturalista como de fantástico, cheia de heroínas, de máquinas extraordinárias a desafiarem as leis do espaço e de um fascinante bestiário de criaturas híbridas. Obras-primas a descobrir!

Livro

‘Nove histórias'

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Alguns dos contos mais célebres publicados por J. D. Salinger na revista The New Yorker, desde ‘Um Dia Ideal para o Peixe-Banana' de 1948, originalmente compilados e editados em livro em 1953, logo após o seu primeiro e único romance, o aclamado ‘À Espera no Centeio', e que são um belo exemplo da escrita pura e grave do autor.

autor JD Salinger

editora Quetzal

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Filme

‘Lovelace'

A biografia de Linda Boreman, aliás Linda Lovelace, actriz que protagonizou o cultíssimo filme porno de 1972, ‘Garganta Funda', com destaque para os tempos da prostituição de luxo, onde foi iniciada pelo namorado proxeneta, para os anos de estrela X e para o período de activismo contra a indústria pornográfica.

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realizador Rob Epstein & Jeffrey Friedman

Em exibição nos cinemas

Disco

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‘Join the Dots'

Segundo álbum da banda de Brighton, marcando o seu afastamento em relação ao post-punk dos ‘The Horrors', que lhe assombrou o homónimo disco de estreia de 2012, ao assumir de forma mais descarada as sonoridades krautrock e psicadélicas que, já estando no seu ADN musical, vinham sendo relegadas para um plano subalterno.

Autor Toy

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Editora Heavenly Recordings

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