Carlos Sá: "Pensei que era um sonho impossível"

A vitória na Ultramaratona de Badwater no último verão deu-lhe a atenção mediática que os triunfos na montanha há muito mereciam. Carlos Sá só descobriu depois dos 30 que podia viver das corridas.

11 de janeiro de 2014 às 11:01
Carlos Sá, Ultramaratona, Badwater, Teste Americano, Califórnia, Maratona, Ultramaratonista Foto: Luís Vieira
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Carlos Alberto Gomes de Sá nasceu em Vilar do Monte, Barcelos, na véspera de natal de 1973. Aos 12 anos, foi por brincadeira correr uma meia-maratona a vigo e descobriu a vocação para o atletismo. MAs teve de trabalhar cedo e o emprego na fábrica deixou o desporto de lado. Chegou a fumar dois maços de tabaco por dia. Quando recomeçou a correr, o treinador mandou-o primeiro "perder a barriga".

Se tudo correr como planeado, em 2014, Carlos Sá vai finalmente subir à montanha de Cho Oyo, no Tibete, um projeto que anda a adiar desde 2007. Foi quando se preparava para subir à sexta maior montanha do Mundo que descobriu as ultramaratonas, em que se correm centenas de quilómetros a subir e descer montanhas. Aos 35 anos, Carlos descobriu uma nova paixão. Operário têxtil, viu-se desempregado com a crise na indústria, mas hoje consegue viver só das corridas. A vitória em Badwater, no calor tórrido do deserto da Califórnia, consagrou-o como um dos melhores do Mundo nestas correrias desenfreadas. Em 2014, 40 anos feitos, Carlos promete continuar a dar nas vistas. Vai, por exemplo, correr 300 km em Inglaterra, de costa a costa.

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*A resposta escolhida aparece sublinhada.

Começou a correr no Núcleo Desportivo da Silva, clube de Barcelos, aos 12 anos. Quando via na TV o seu ídolo Carlos Lopes imaginava que...

a) Sonhava que um dia também conquistaria medalhas

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b) Pensei que fazer carreira no atletismo era um sonho impossível

c) Até consegui bons resultados, mas tinha outras prioridades

Durante muitos anos trabalhou como operário fabril do setor têxtil. O que mais recorda desses tempos...

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a) Os muitos sacrifícios que fazia para conciliar estudos, trabalho e treinos

b) Uma experiência rica, que me ensinou a ser humilde

c) Comecei a trabalhar cedo e aprendi a dar valor a tudo o que consegui na vida

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O seu percurso nas provas de altitude nasce do alpinismo. O que tem a montanha de tão especial?

a) O ar puro e as vistas deslumbrantes

b) Uma sensação de liberdade que é única

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c) O prazer de superar obstáculos para chegar ao topo

Como é que se aguenta maratonas como o Ultra Trail du Mont Blanc de 2011, em que fez 170 km, com um desnível total de 20 mil metros, em 22h48m?

a) Muito treino físico e, sobretudo, muita resistência mental

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b) Às vezes quando penso nas provas que faço até eu acho que tenho alguma dose de loucura

c) Elimina-se do cérebro a palavra ‘desistir' e faz-se o que é preciso

Fez a sua primeira ultramaratona aos 35 anos e as suas grandes vitórias chegam perto dos 40. O que teria conseguido se tivesse começado mais cedo?

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a) Se tivesse conseguido apostar mais cedo no atletismo, talvez tivesse medalhas olímpicas

b) Não penso muito no que podia ter sido. Estou muito feliz com o que já consegui

c) Tenho pena de não ter descoberto mais cedo as corridas de montanha

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A vitória na ultramaratona de Badwater, em julho na Califórnia (EUA), trouxe-lhe o aplauso do País. O que gostaria que mudasse para que aparecessem mais vitórias destas?

a) Devia haver uma aposta forte no desporto juvenil, que desse oportunidades ao talento

b) O País devia deixar de olhar tanto para o futebol e passar a apreciar outros desportos

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c) Fico feliz se houver um jovem que comece a subir montanhas por causa do meu exemplo

Portugal vive uma das maiores crises da sua história recente. Que problema gostaria de deixar esquecido para sempre no topo de uma montanha?

a) O desemprego, sobretudo no caso dos jovens

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b) A fuga dos mais qualificados para o estrangeiro

c) Os brutais impostos que nos amarram a ambição

É um exemplo de força de vontade. O que falta aos portugueses para terem melhores resultados no desporto e na vida?

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a) Abandonar o espírito de lamúria e maledicência

b) Só vence quem acredita que é tão bom como os outros, sem complexos de inferioridade

c) O medo de arriscar é a maior ameaça ao sucesso

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Tem dois filhos. Quando pensa no futuro deles, o que mais o preocupa?

a) Que não tenham oportunidade de perseguir os seus sonhos profissionais

b) Que sejam obrigados a emigrar por falta de emprego

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c) Que não cheguem a viver num país livre da palavra crise...

Tem 40 anos. Que poderemos ainda esperar da sua carreira desportiva?

a) Continuarei a correr pela montanha acima por mais uns anos

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b) Se não for a correr, chegarei ao topo pela via do alpinismo convencional

c) Imagino-me a treinar atletas jovens e a ensinar-lhes o que aprendi.

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