Como se identifica um cadáver sem rosto?

No laboratório da polícia científica, peritos habilitados fazem reconstruções faciais sobre crânios desprovidos de face,

14 de abril de 2013 às 15:00
Como se identifica um cadáver sem rosto? Foto: Sérgio Lemos
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Numa pequena sala do Laboratório da Polícia Científica (LPC), em Lisboa, desvenda-se o rosto inexistente de uma caveira. A mesma equipa que procura vestígios no local do crime está também habilitada a trabalhar na reconstrução facial, técnica que a polícia portuguesa aplica em caso de aparecimento do crânio de um cadáver não identificado e que conta com o apoio da Medicina Legal e da Antropologia Forense.

O método recorre a sofisticados programas de computadores e, graças a medidas-padrão exatas, que têm em conta os dados anatómicos, num ecrã vão nascendo faces, olhos, narizes e até cabelo. Até ao rosto final.

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Esta técnica faz parte de uma vasta área relacionada com a imagem,explica Carlos Farinha, diretor do LPC. "Desenvolvemos retratos-robô, construídos a partir de uma descrição falada, fazemos reconhecimento facial, por vezes com a imagem de videovigilância, e, mais recentemente, a reconstrução facial, quando não existe ninguém ou nenhuma imagem para nos contar o que se passou e estamos perante o crânio de um cadáver não identificado", adianta. Muitas vezes, as técnicas misturam-se e com os vários conhecimentos identifica-se rostos a partir de crânios anónimos.

CSI À PORTUGUESA

Apesar de em Portugal esta técnica estar a dar os primeiros passos, nos EUA é prática comum e existem mesmo duas ‘quintas de cadáveres’–uma fundada pela Universidade do Tennessee em 1971 e outra localizada na Carolina do Norte desde 2006. Aí é possível recolher informação sobre a decomposição dos corpos,expostos aos elementos naturais, e assim ajudar a investigação forense.

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Certo é que a reconstrução facial obriga a um conjunto de técnicas precisas. Num crânio, limpo de tecidos moles, há que determinar os pontos característicos – como seja a distância entre olhos, nariz ou inclinação dos ossos – fazer um molde e, a partir daí, construir uma nova cabeça e tentar chegar a uma face.

A técnica foi já aplicada pela polícia portuguesa com sucesso na identificação de um cadáver desfigurado encontrado na zona da Murtosa, Aveiro.

Encontrados os dados morfológicos,reconstruiu-se uma face correspondente a um homem, entre 50 e 60 anos, com cerca de 1,60 metros de altura, compleição forte, falha de um dente incisivo no maxilar inferior e espaçamento entre incisivos no maxilar superior. A imagem divulgada,cruzada com a base de dados de desaparecidos da zona, permitiu a identificação da vítima.

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Quem trabalha na área admite alguma semelhança com o que se vê na ficção, em produções televisivas como ‘CSI’ ou ‘Ossos’. No entanto, "o tempo da ficção é o instantâneo, o da realidade é outro. Tem a morosidade necessária", diz Carlos Farinha. O trabalho pode recorrer também a outros dados biométricos, como impressões digitais ou ADN. Mas, "no caso de não existirem esses dados biométricos, a reconstrução facial ganha mais importância e tem de ser mais rigorosa".

Integrada na rede europeia ENFSI – European Network Forensic Sience and Investigation –, com grande desenvolvimento a nível da ciência forense,o Laboratório de Polícia Científica português aposta no avanço tecnológico.

"Aqui fazemos uma comparação facial também através da comparação com fotografias de desaparecidos e imagens/fotografias do crânio. O que usamos é ainda um programa a duas dimensões, mas estamos a evoluir para uma imagem 3D que faz a rotação do crânio", explica João Cardoso, um dos peritos. No fundo, este trabalho, diz, "é um complemento do‘composite lab’ – base de dados que permite chegar ao retrato-robô –, mas a identificação é sempre feita por complemento com ADN, ficha dentária e outros". 

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Apesar de em Portugal esta técnica estar a dar os primeiros passos, nos EUA é prática comum e existem mesmo duas ‘quintas de cadáveres’–uma fundada pela Universidade do Tennessee em 1971 e outra localizada na Carolina do Norte desde 2006. Aí é possível recolher informação sobre a decomposição dos corpos,expostos aos elementos naturais, e assim ajudar a investigação forense.

Certo é que a reconstrução facial obriga a um conjunto de técnicas precisas. Num crânio, limpo de tecidos moles, há que determinar os pontos característicos – como seja a distância entre olhos, nariz ou inclinação dos ossos – fazer um molde e, a partir daí, construir uma nova cabeça e tentar chegar a uma face.

A técnica foi já aplicada pela polícia portuguesa com sucesso na identificação de um cadáver desfigurado encontrado na zona da Murtosa, Aveiro.

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Encontrados os dados morfológicos,reconstruiu-se uma face correspondente a um homem, entre 50 e 60 anos, com cerca de 1,60 metros de altura, compleição forte, falha de um dente incisivo no maxilar inferior e espaçamento entre incisivos no maxilar superior. A imagem divulgada,cruzada com a base de dados de desaparecidos da zona, permitiu a identificação da vítima.

Quem trabalha na área admite alguma semelhança com o que se vê na ficção, em produções televisivas como ‘CSI’ ou ‘Ossos’. No entanto, "o tempo da ficção é o instantâneo, o da realidade é outro. Tem a morosidade necessária", diz Carlos Farinha. O trabalho pode recorrer também a outros dados biométricos, como impressões digitais ou ADN. Mas, "no caso de não existirem esses dados biométricos, a reconstrução facial ganha mais importância e tem de ser mais rigorosa".

Integrada na rede europeia ENFSI – European Network Forensic Sience and Investigation –, com grande desenvolvimento a nível da ciência forense,o Laboratório de Polícia Científica português aposta no avanço tecnológico.

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"Aqui fazemos uma comparação facial também através da comparação com fotografias de desaparecidos e imagens/fotografias do crânio. O que usamos é ainda um programa a duas dimensões, mas estamos a evoluir para uma imagem 3D que faz a rotação do crânio", explica João Cardoso, um dos peritos. No fundo, este trabalho, diz, "é um complemento do‘composite lab’ – base de dados que permite chegar ao retrato-robô –, mas a identificação é sempre feita por complemento com ADN, ficha dentária e outros". 

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