Futebolista amador sem vontade de regressar à pátria

O título ‘Ruben resgatado em Castelo Branco’ fechava uma história que deixou o País em suspenso. Ruben Filipe, nascido no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a 4 de Dezembro, foi levado por uma falsa médica. A polícia encontrou-o são e salvo, em Castelo Branco, seis dias depois do rapto.

11 de dezembro de 2011 às 00:00
Futebolista amador sem vontade de regressar à pátria Foto: Direitos reservados
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Foi por volta dos seis anos que o pequeno Ruben descobriu o drama dos seus primeiros dias de vida. Numa caixa guardada em sítio discreto, Ruben deu com dezenas de recortes de jornais com a notícia do rapto de um bebé do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Havia também uma cassete de vídeo com reportagens televisivas sobre o caso.

"Os meus pais nunca me tinham contado porque me quiseram proteger. Quando descobri os recortes, explicaram-me tudo. Mas hoje evitamos falar nisso. A minha família sofreu muito".

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DE CASA ÀS COSTAS

Na altura do rapto, os pais de Ruben viviam na Vila Cardoso, no Bairro das Galinheiras, em Lisboa. Mas quando Ruben fez três anos, a família partiu. "Fomos morar para o Algarve, onde passei a minha infância", explica Ruben.

Mas não foi este o último destino da família Narciso. Em 2004, Manuel, pai de Ruben, arranjou emprego numa companhia de exportação da Islândia. No ano seguinte, Ruben e a mãe, Ana Isabel, juntaram-se--lhe na ilha do Norte do Atlântico. Ruben era adolescente. "Ao princípio foi difícil adaptar-me por causa do clima e da língua. Mas quando se é jovem tudo se aprende", conta.

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Ruben começou cedo a jogar futebol, mas num país sem futebol profissional evita iludir-se com sonhos de uma carreira promissora. Aos 20 anos, trabalha num restaurante mexicano e não faz planos de voltar a Portugal: "A Islândia passoupor uma grande crise mas já está a recuperar. Em Portugal não há empregos".

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