O MAÇON TEM DE FAZER LOBBY
No próximo dia 27, num templo de Alvalade, José Manuel Anes vai entregar o bastão de Grão-mestre. Durante o seu ‘reinado’ expandiu a influência da Grande Loja Legal de Portugal na África de língua portuguesa. Um passo decisivo para quem se quer tornar a primeira corrente maçónica do nosso País.
Foi católico devoto até aos 16 anos. Depois um padrinho ofereceu-lhe um livro sobre OVNIS que lhe incutiu uma consciência mística, adormecida nos tempos da universidade pelo PCP. Fez serviço militar em Angola e, desencantado com o dogma comunista, filiou-se no PS, na secção de Arroios. No início dos anos 70, porém, “estava já nas espiritualidades alternativas, bastante desiludido com as ideologias”.
Por isso, em 1988, aproximou-se da corrente maçónica do Grande Oriente Lusitano – para depressa perceber que a sua perspectiva deísta não se encaixava ali. Saiu em 1990 para fundar a Grande Loja Regular de Portugal. A mesma que daria que falar há sete anos, com a cisão da Casa do Sino e com o envolvimento no caso Moderna de alguns dos protagonistas desse assalto ao poder maçónico. Dessa cisão nasceria a Grande Loja Legal de Portugal, dirigida pelo advogado Nadim de Carvalho. José Manuel Anes sucedeu-lhe há três anos no Grão Mestrado. Tem 60 anos, formação de base em Química, é professor nas áreas da Antropologia da Religião na Universidade Nova de Lisboa e ex-perito de Criminalística na Polícia Judiciária.
O seu mandato poderia ser lembrado apenas pela tranquilidade e a expansão do número de membros. Mas em Fevereiro deste ano houve uma tentativa de golpe palaciano, que resultou na expulsão de 25 pessoas.
É neste contexto que entrega o bastão de Grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal, no dia 27, ao seu sucessor Trovão do Rosário – ex-director geral do Ministério da Educação.
ENTREVISTA
Imagine que quero entrar para a Grande Loja Regular. O que teria de fazer?
Há dias recebi um telefonema de uma pessoa a dizer que queria ‘aderir à organização’. Disse-lhe: ‘É muito simples ou tem alguém conhecido na Maçonaria e exprime-lhe esse desejo ou manda uma carta ou um 'e-mail' com os dados e a natureza do seu desejo e o que pensa da organização. A partir daí são as pessoas de cada loja que irão contactá-lo para uma conversa preliminar.’ Na tradição maçónica há sempre um inquérito; faz parte das precauções mínimas. E não é por acharmos que somos uma elite. Na minha loja, tinha um guarda-nocturno que era um bom maçon. Temos pessoas de maior poder económico mas também desempregados.
E moralmente como deve ser um bom maçon?
Por não ser uma Igreja, a Maçonaria não se preocupa tanto com a moral, como por exemplo com a moral sexual. Fundamental é a ética, o comportamento em sociedade e o dever para com os outros homens.
Mas esses são predicados subjectivos. Como é que se consegue aferir da moral ética de alguém?
Tem razão. Mas temos um conjunto de valores éticos tradicionais da Maçonaria com os quais a pessoa é confrontada. Depois, ao longo da sua vida maçónica, terá ocasião para dar provas no nosso quadro de valores que é a fraternidade, a liberdade, a tolerância e a solidariedade – e nesta perspectiva cabem muitas orientações religiosas, filosóficas e políticas. Naturalmente, o pretendente não pode ser um criminoso ou um burlão, o que não quer dizer que, às vezes, não passe um pela malha da peneira.
Numa entrevista à ‘Visão’ disse que havia “muita gente desejosa de entrar na Maçonaria”.
Sim, muita gente nova, na casa dos 20, 30 anos. O desejo de melhoria profissional e social todos têm, mas há sobretudo gente com um interesse enorme pela parte filosófica do esoterismo maçónico.
No próximo dia 27 deixa de ser Grão-mestre. O que mudou durante o seu mandato?
Foi minha preocupação continuar a melhorar a imagem pública. O caso Moderna deixou marcas e o público ainda está traumatizado com esse espectáculo lamentável. Por outro lado, acho que recuperei a dimensão e rede de contactos internacional. Aquilo que desejo é um crescimento continuado e que dentro em breve, talvez ainda no mandato do meu sucessor o dr. Trovão do Rosário, possamos ser a primeira audiência maçónica em Portugal.
Falou da má imagem do caso Moderna, cujos principais arguidos eram maçons. Como viu a sentença?
Por ser ainda Grão-mestre da Maçonaria Regular não posso fazer comentários relativamente a assuntos políticos ou judiciais. Posso dizer que talvez se estivesse à espera de muito mais. Naturalmente que, para condenar, os tribunais têm de provar inequivocamente determinados acontecimentos de carácter criminal. Se não encontraram… Os tribunais é que sabem.
A eleição do dr. Trovão do Rosário, que esteve consigo nos últimos três anos, significa uma continuidade na Grande Loja?
Penso que sim, embora cada um tenha a sua filosofia. Há pouco tempo tivemos uma esmagadora minoria que queria o poder sem passar pelas eleições.
Está a falar na tentativa de golpe que culminou com expulsão de 25 pessoas em Fevereiro?
Não falo de ninguém em concreto. Às vezes, aparecem pessoas que até parecem maçons, mas depois revelam a sua verdadeira natureza. Ir a eleições é pior e preferem a via do golpe.
A tentativa de pacificação saiu machucada pela tal ‘esmagadora minoria’?
Se calhar são pessoas que nunca deviam ter entrado.
Lá está a tal peneira com malha aberta…
Evidentemente, mesmo que às vezes disfarcem e aparentem serem bons maçons. Quando a ambição é desmedida, as pessoas guerreiam-se.
Disse que “uma crise moral e ética” poderia atingir a Maçonaria verificando-se a entrada de “membros contaminados pelos erros e defeitos que todos condenamos”. Mantém a afirmação?
É positivo para a sociedade aceitar a diversidade de comportamentos sociais ou sexuais. Mas ao mesmo que se vê essa tolerância surgem aberrações inacreditáveis, inadmissíveis numa sociedade moderna. Como é possível, o terrorismo? Como é possível que em Inglaterra aconteça um caso como o daquelas duas meninas?
Portugal tem um mega caso de pedofilia…
Só depois dos tribunais provarem. Agora é indesmentível que existem crianças abusadas, que estamos perante crimes e que tem de ser apurada a responsabilidade. Não podemos estar a condenar pessoas à partida, mas há vítimas e é preciso fazer justiça. Isto não tem nada a ver com a liberdade de comportamentos.
Mas existe uma certa tendência para dizer que isso é sintomático de uma sociedade que está…
…podre. É uma tentação associar as duas coisas: pelo facto de haver liberdade de comportamentos sexuais, aparecem essas coisas. Ora essas coisas já apareciam há muito tempo, quando não havia liberdade nenhuma de comportamento. A pedofilia, o abuso de menores e de mulheres existiu sempre em sociedades extremamente conservadoras. Isso é um erro de raciocínio.
Não lhe parece peculiar que um país com a dimensão de Portugal tenha tantas correntes maçónicas?
Isso é normal. Ainda aqui há dias falava com alguém sobre isso que me dizia: ‘Não é de espantar haver umas dezenas largas de pequenas correntes maçónicas. Muitas vezes, a pessoa tem dificuldade em atingir o topo em estruturas grandes e decide juntar-se com umas pessoas lá do bairro e fazer uma pequena audiência onde são todos chefes e há uma enorme satisfação para o ego.’
Aquilo que existe, grosso modo tem sentido: o Grande Oriente Lusitano corresponde àquela tradição liberal, ligada à França; a Maçonaria Mística foi fundada no início do século; e há ainda a Maçonaria Feminina. Existe também a Regular, que está dividida por via de alguns incidentes, mas estou convencido que, dentro de poucos anos, podemos refazer a unidade.
E relacionam-se todas bem?
A nível individual, o melhor possível. Agora a nível institucional, não podemos ter relações oficiais. Em França, fazem-se algumas reuniões periódicas da Grande Loja Nacional Francesa e do Grande Oriente de França. Para, por exemplo, evitar que alguns elementos que saem de uma obediência e que não são recomendáveis, vão bater à porta da outra.
A juíza Conceição Oliveira, que presidia ao colectivo de juízes no caso Moderna, deixou no ar a acusação de tráfico político entre a Maçonaria e os poderes executivos.
Roosevelt, Churchill, George Washington e Truman foram maçons. Fizeram tráfico político?
Evidentemente que não. São maçons de pleno direito na função política e que transportam para essa função os seus valores. Podem também transportar algumas fraternidades mas isso também podem os militantes dos Partido ‘A’ ou ‘B’ ou os sócios do clube ‘C’ ou ‘D’. Quando se fala de tráfico, entendo no sentido criminal do termo. Nesse sentido, se ele alguma vez se verificar, esses elementos são expulsos. Naturalmente, que um maçon exerce a sua profissão e as suas vocações, mas tráfico criminal, isso é outra questão!
Outra questão é também a do ‘lobby’…
Na América, o ‘lobby’ é uma actividade transparente e legal. Fundamental é que seja harmonizado, porque seria terrível que a Maçonaria ou as instituições pudessem cair nas mãos de determinado ‘lobby’. Agora se existir um movimento de interesses particulares, desde que eles sejam transparentes, isso é bom.
Aceita então que um maçon possa fazer ‘lobby’ para atingir determinados objectivos que tenham a ver com os preceitos da própria Maçonaria?
Não aceito, exijo. O maçon tem a obrigação de fazer ‘lobby’ pela tolerância, pela liberdade e pela solidariedade. E não é só nas horas vagas.
Mesmo dentro da sua actividade profissional?
Absolutamente. Praticar a fraternidade no sentido amplo da palavra não é arranjar emprego para os amigos. Poderá fazê-lo, nós todos o fazemos se pudermos. Deixemos de ser hipócritas. Devemos ser fraternos e solidários, não só em Portugal mas no contexto da lusofonia. E aí a Grande Loja tem trabalhado muito.
Qual é a implantação da Maçonaria Regular nos países de expressão portuguesa?
Já voltou a ser boa. O primeiro Grão-mestre trabalhou bem, mas depois com a crise houve uma desarticulação. Tivemos de começar a trabalhar e a reorganizar tudo aquilo que tinha sido feito. Não se trata de uma perspectiva neo-colonial mas penso que é importante para países africanos estarem enquadrados pela solidariedade internacional. A Maçonaria Regular é uma corrente que representa 90 por cento da Maçonaria universal e que pode fornecer essas solidariedades.
Mas não têm os países africanos certas especificidades políticas e culturais que podem colidir com os preceitos maçónicos?
Não pode haver nenhuma Grande Loja que seja refém de um partido ou duma religião. E portanto, quando avançamos para um país onde a democracia não está num estado de maturidade desejável, corre-se o risco de termos desequilíbrio partidário. Mas também não podemos parar por causa disso.
Em alguns destes países, a democracia é deficitária.
Claro que sim. E ao formarmos maçons contribuímos para que essas pessoas, que são importantes no país respectivo, tenham a obrigação de transformar as suas sociedades progressivamente. Não fazemos convites à revolta. Os novos membros têm obrigação de introduzir reformas decisivas no sentido da democratização. Isso é uma obrigação maçónica.
A Maçonaria Regular respeita os Estados, mesmo que eles tenham alguma imperfeição. Não somos elementos conspiradores, nem destabilizadores, somos elementos que queremos ajudar a transformar esses Estados de uma maneira, enfim, se for possível pacífica.
Houve quem acusasse a Maçonaria de envolvimento no golpe na Guiné…
Não tivemos nada a ver com isso. Foram as instituições militares. Somos uma organização responsável que, quando as coisas não estão bem, ficará muito satisfeita se elas correrem melhor, mas não será com certeza a fomentar golpes de Estado.
Que papel é que houve na independência de Timor ou no processo de Angola?
Claramente tivemos um papel em Timor. Iniciámos lá pessoas importantes. Não posso revelar pormenores…
Esse papel foi a nível internacional?
A nossa influência internacional ajudou decisivamente – não fomos os únicos como é óbvio. Mas houve um momento importante, nas últimas 48 horas, em que outros maçons que não eu, terão dado uma ajuda importante.
Nas últimas 48 horas ...
...antes da decisão norte-americana. Assim como estamos hoje a dar uma ajuda importante a resolver problemas no universo que nos é mais próximo, a lusofonia, onde temos grandes amigos e membros.
Refere-se a Angola?
E a Moçambique, onde temos muita gente iniciada. Em Angola, estamos muitíssimo bem. Penso que será o país onde estaremos melhor; evidentemente com as limitações dos processos históricos, advindas do processo de transição da guerra para a paz.
A questão angolana é um trabalho antigo?
Começou há 12 anos.
É verdade que consoante a maioria política, existe maior ou menor capacidade de intervenção social da Maçonaria?
Retractamos razoavelmente bem a geografia política do País e a sua composição. Dizem que algumas das outras audiências maçónicas têm mais força num partido e nós temos mais diversidade de cores políticas. Há também quem diga que estaremos sempre bem, qualquer que seja a força política no governo mas isso não é intencional. Faz parte dos nossos códigos não discutir nem política, nem religião dentro dos nossos templos. Imagine o que era um católico a defender o dogma da Imaculada Conceição perante um protestante?
Quando vê um maçon ascender a um cargo de poder, o que é que pensa?
Oxalá que ele esteja à altura dos nossos valores. Agora, um maçon é um homem. Não é a Maçonaria que está nesse cargo.
Mas esse maçon pertence à Maçonaria e continua a participar nos seus rituais.
Participa e uma razão porque não deve ser conhecido enquanto maçon é que, às vezes, pode fazer asneiras. E, às vezes, pode até nem fazer asneiras no sentido criminal do termo. Se puder dizer que por ser maçon actuou melhor do que se não fosse, é fantástico. Agora um maçon é um homem e como um homem que é, por vezes erra e cabe à solidariedade maçónica ajudá-lo a cometer menos erros possíveis. Quem quer que seja, mesmo um modesto presidente de junta de freguesia.
Pode dizer-se que a Grande Loja tem agora mais influência política ou maior reconhecimento das instituições do Estado?
Sem dúvida que temos uma melhor imagem junto do público, junto das instituições e das organizações políticas. Por outro lado, a Grande Loja aumentou a sua presença no País, desde a raia transmontana ao Algarve. E isso é influência. Influi no sentido positivo, esperemos.
Como se faz ‘intervenção social com discrição’ – palavras suas?
Temos gente que trabalha em instituições de solidariedade social. Caso se soubesse disso, essas instituições teriam sérias dificuldades. Vou contar um caso: temos várias lojas inglesas em Portugal e há uns tempos decidiram fazer uma colecta para uma instituição de solidariedade social. Na boa tradição inglesa, o acto é anunciado. Quando a instituição que ia receber esse dinheiro soube que isso ia ser publicitado num jornal inglês em Portugal, recusou. Essa mesma instituição estava farta de receber dessa loja e nunca se tinha queixado. Existe preconceito, mas acho que fazem bem em resguardar-se. Não é para nos esconder--mos, é para evitar a discriminação.
Defende a construção europeia e as boas relações com os Estados Unidos. Acha que é possível compatibilizar sempre estas duas questões?
Não há necessidade de estarmos a construir a Europa contra o que quer que seja. Num contexto internacional em que é preciso unir forças contra o terrorismo, por exemplo, uma grande aliança não deve esgotar-se na América ou na Rússia, porque isso seria só o eixo cristão. Podemos alargar essa grande aliança aos países islâmicos e isso é a chave. O que de pior poderemos fazer é ter atitudes infelizes que lancem os moderados do Islão nos braços dos fundamentalistas. Na cerimónia de posse do meu sucessor estarão presentes entre outros, membros de Lojas da Turquia, de Marrocos e de Israel.
Há muitas lojas em países islâmicos?
Sim e existem outras em países islâmicos que não têm à-vontade para estarem presentes. Istambul é a capital maçónica no mundo islâmico e foi há dias vítima de um atentado numa loja maçónica. Para os fundamentalistas é um perigo tremendo quando membros de diversas religiões estão em conjunto e são fraternos e solidários.
Há um ressurgimento do fanatismo?
Passamos por uma fase em que toda a gente dizia que era a morte da religião e a secularização da sociedade ocidental, até que tivemos uma surpresa. Aqueles que já tinham tocado a finados pela perspectiva religiosa e espiritual, enganaram-se. O religioso estava contido e houve como a quebra de um dique. Apareceu com uma dimensão nalguns casos muito preocupantes.
Alguns desses fanatismos manifestam-se sobre a forma de terrorismo, como agora aconteceu em Madrid.
Um terrorismo que não ataca alvos militares ou policiais, mas indiscriminadamente as Amadoras lá do sítio. Foi um crime contra a Humanidade, isto que assistimos em Espanha.
Qual é o maior flagelo da nossa sociedade?
A desigualdade entre continentes e países. DaÍ que seja fundamental a solidariedade internacional e tudo o que puder ser feito a esse nível, é um modo de reduzir tenções internacionais. O extremar das posições, essa crise valores, de instituições sociais e políticas, abriu um vazio que foi preenchido com algumas religiosidades com uma dimensão de radicalidade. A Maçonaria que é alheia aos universos da radicalidade terá de fazer pedagogia, através da valorização das alternativas mais tolerantes e mais pacíficas nas diversas regiões do globo. Teremos de ajudar e moderar.
Como é que se pode ajudar?
Não se tomando iniciativas que façam as bases dos países moderados começar a aplaudir os fundamentalistas. Ajudando economicamente os países moderados, e não apenas como um prémio por bom comportamento. Aconteceu agora à Líbia e isso só foi possível porque foi feito um diálogo paciente, discreto e laborioso, que em parte decorreu em Londres. Temos de saber estabelecer esses canais de diálogo, mesmo que às vezes pareça difícil.
Acredita na bondade do homem?
Não. Existe o mecanismo do bode expiatório que é uma forma de estabelecer a ordem e fundar a sociedade. Imaginemos que há sociedade com problemas, há uma maneira muito simples: arranja-se um bode expiatório, aquele que carrega a culpa, que é expulso e assim se restabelece a ordem.
Qual é o grande bode expiatório contemporâneo?
Bin Laden. Com toda a cobardia que é o terrorismo, ele afirma as suas posições. E todos aqueles que se opõem a uma ordem e a um sistema são bodes expiatórios. O papel simbólico do bode expiatório é um meio para atingir a ordem na comunidade internacional: já foi a Líbia, agora é o Irão. O que não quer dizer que sejam isentos de culpa. Essa é a função do bode expiatório, é a vítima que expia todos os pecados da sociedade internacional.
Enquanto perito de Criminalística do Laboratório de Polícia Científica da PJ dirigiu por duas vezes exames químicos periciais no caso de Camarate, e concluiu sempre por “fortes indícios de acção criminosa”. Quer exlicar?
Pediram-me que comprovasse a existência de uma dimensão criminal, talvez para levantar suspeitas sobre uma contaminação [actuação de um agente exterior]. As contaminações não se podem provar, basta levantar suspeitas. É uma estratégia dos advogados de defesa que está a ser utilizada.
Há desilusões na profissão…
E eu já estou velho para isso.
Sim. A maior desilusão foi o levantar de suspeitas sobre colegas competentes e essenciais para a condenação de redes terroristas como as FP 25. Talvez a minha saída tivesse sido uma forma de protestar. Os meus colegas foram essenciais na investigação de crimes que puseram em risco a democracia e a segurança do País.
Como vai ser a sua vida depois do dia 27?
Estarei ao dispor da Maçonaria mas noutro registo, mais calmo e com dimensão internacional, porque adquiri essa competência e uma rede conhecimentos que estão ao serviço não só da Maçonaria, como do País e da Lusofonia. Depois continuarei na universidade. Como professor dei cursos sobre violência e seitas, grupos radicais e tive como alunos membros de forças de segurança e de informação. Tenho vários livros pensados, um deles sobre crimes rituais e terrorismo religioso simbólico.
Mas esse contributo de que fala pode ser dado, doutra forma que não a da escrita?
Sob a forma de competências que o País utilizará da melhor maneira.
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