OS PRAZERES DE... JOSÉ PRATA

Para o jornalista José Prata é perfeitamente possível afirmar que Os Coxos Dançam Sozinhos.. Aliás, é esse o título do seu primeiro livro, publicado recentemente e com a chancela da ASA.

18 de junho de 2002 às 02:06
OS PRAZERES DE... JOSÉ PRATA
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Em Outubtro passado “morreu” a revista Livros que chegou a ser parte integrante do semanário O Independente, e na qual José Prata trabalhava "além de publicar semanalmente uma crítica sobre um livro no mesmo semanário". Feitas as contas, viu-se com algum tempo livre. E não demorou muito tempo a ocupá-lo. O resultado está à vista: Os Coxos Dançam Sozinhos (e já agora, para quem ainda não sabe, este mês, nasceu a revista Os Meus Livros – uma publicação mensal e que abrange todos os géneros literários e os mais diversos gostos).

Como é que surgiu esta ideia de, finalmente, escrever um livro? Na voz do autor, aconteceu por acaso. "Foi um impulso. Houve um dia que estava em casa de uma amiga e ela saiu por momentos da sala. Nessa altura, imaginei um quadro em que eu estava na sala, havia uma mulher morta e uma pessoa debruçada sobre ela com jeito de polícia", conta. E assim nasceu aquele que viria a ser o primeiro capítulo de um livro. «No dia seguinte, escrevi os primeiros sete capítulos», acrescenta o autor.

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A paixão deste jovem jornalista — e agora escritor — pela leitura começou algures na pré-adolescência. Entre risos, recorda uma história curiosa: «O meu irmão mais velho tinha uma colecção de carrinhos da Matchbox que eu invejava. Então, ele fez um acordo comigo. Por cada livro que eu lesse até ao fim, ele dava-me um carrinho! Mas, para ter a certeza de que eu lia, no fim fazia-me uma espécie de teste». E foi assim que José Prata começou a ler as obras de Júlio Verne, de Jack London ou de tantos outros que lhe alimentaram o espírito. Hoje em dia, dedica «todo o tempo livre à leitura».

A propósito de livros, o jornalista foca três exemplos de obras que, de uma forma ou de outra, o marcaram: Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, Crime e Castigo de Doistoievski e Por Quem os Sinos Dobram de Hemingway. Porquê? «O primeiro porque fala muito da culpa e de pessoas com duplas vidas. Ao mesmo tempo, apela à beleza e tem considerações estéticas muito importantes. O segundo abalou-me bastante. Também fala de culpa, um sentimento com o qual não sei lidar, possivelmente porque tive uma educação judaico-cristã». Em jeito de remate, fala ainda da obra de Hemingway: «Por Quem os Sinos Dobram é uma história de amor bonita e eu sou uma pessoa de lágrima fácil. Mas, deste autor, não posso deixar de mencionar outra obra que já reli: O Velho e o Mar». E além das letras que outros pequenos momentos enchem de prazer o quotidiano de um homem com 34 anos que atende sempre o telemóvel com um “Olá”?

«Desde sempre que gosto de cinema. Considero-me um cinéfilo.Aliás, ainda não desisti de escrever sobre cinema. Há um filme que, de certa forma, me marcou: O Apocalipse Now».

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«Gosto de ouvir e de ser ouvido. Não gosto de sair à noite. Todos os fins-de-semana tenho um almoço, um jantar ou um encontro. Tenho a sorte de ter muitos amigos e de poder conversar com eles. Sou daquelas pessoas que, quando se combina um jantar, oferece a casa. Prefiro estar em casa com os amigos do que ir a um restaurante». E cozinha? «Sei fazer muito bem duas sobremesas: tiramisú e a tarte de queijo “da Maria”».

«Comecei a jogar futebol com os amigos há cerca de dois anos e gosto imenso. Mas confesso que sou o pior jogador da equipa. No início queria “perder a barriguinha”, mas depois tomei-lhe o gosto. Geralmente, aos domingos de manhã temos futebolada. Durante alguns anos pratiquei karaté. Hoje em dia, além do futebol, tento nadar sempre que possível e faço Tai-Chi.» E gosta de ver os jogos? «Sou órfão de clube mas apoio incondicionalmente a selecção e vejo sempre os nossos jogos, esteja onde estiver».

«Quando fui obrigado a uma profissão, estive indeciso entre Psicologia ou Direito. No entanto, tinha carências a matemática, por isso esqueci a Psicologia. No dia da candidatura, por acaso, decidi pôr a cruzinha também em Comunicação Social. E entrei para o ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas), em Lisboa. Hoje, não concebo outra profissão que não a de jornalista.

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« Não dispenso a praia e costumo ir até à zona de Tavira, no Algarve. Aproveito para nadar e relaxar».

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