Portugueses de saltos altos

Cem homens calçaram stilettos. Atitude simbólica pela igualdade de género que agora é livro e exposição.

16 de março de 2015 às 11:39
Foto: D.R.
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O primeiro homem a juntar-se ao projeto foi Luís Onofre, para criar o par de stilettos número 45 que calçou os homens que se deixaram fotografar por uma mesma causa: a igualdade de género. ‘100 homens sem preconceitos – um passo para a igualdade’, iniciativa da revista ‘Máxima’, que agora chegou a álbum fotográfico e exposição no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, até 2 de abril, juntou portugueses do sexo masculino das mais diversas áreas profissionais.

"A primeira vez que me ligaram achei que nenhuma figura pública iria aceitar calçar sapatos de mulher. Depois, fazer a forma do sapato foi um verdadeiro desafio porque é muito difícil fazer um sapato 45 proporcional e nas medidas de homem. O senhor que nos fez as formas não queria acreditar. Foi divertidíssimo selecionar que homem na fábrica iria testar os sapatos", contou Onofre numa entrevista à ‘Máxima’ em 2014, agora em parte transcrita no álbum que reúne as fotografias de Branislav Simoncik.

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As receitas da venda do livro, que custa 25 euros, revertem na totalidade para a Laço, associação sem fins lucrativos que tem por objetivo alertar para a prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro da mama em Portugal. Mas o projeto das cem fotografias com homens em sapatos altos pretende sobretudo ser um alerta para a desigualdade entre géneros – a violência doméstica que atinge números preocupantes  em Portugal (40 mulheres morreram às mãos dos companheiros em 2014), as desigualdades salariais, os obstáculos sexistas no mundo do trabalho ou mesmo nas tarefas do quotidiano doméstico.

"Acabei de ser pai e, se há coisa de que me apercebi, porque sou um pai presente e estou em casa com a minha companheira, é que ser mãe é uma tarefa a tempo inteiro, que é muito dura e exigente, por isso aceitei este convite para posar com o meu filho, como forma de representar essa igualdade de direitos", testemunhou para o livro Pedro Martin. A foto do modelo está na página ao lado.

O próprio Luís Onofre calçou os seus sapatos, bem como o jogador de râguebi Gonçalo Sousa Uva – "calço estes sapatos pela igualdade dos direitos das mulheres no mundo do trabalho, o direito a uma carreira profissional e o direito a serem mães" – ou o eurodeputado Ricardo Serrão – "não vejo razão alguma para recusar calçar estes sapatos, o político também deve estar na margem da comunicação, na provocação da mensagem" – e muitas outras figuras da política, comunicação social, artes ou investigação cuja menção não cabe nestas páginas.

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