SALMA HAYEK: MELHOR É (MESMO) IMPOSSÍVEL

Primeiro bateu Madonna e Jennifer Lopez na corrida ao papel da pintora mexicana Frida Kahlo. Agora, está nomeada para o Óscar de Melhor Actriz. Será que a mexicana representa mesmo bem?

21 de fevereiro de 2003 às 20:44
Partilhar

Salma Hayek esperou seis anos para concretizar o maior sonho da sua vida: trazer para o grande ecrã a história da pintora mexicana Frida Kahlo. Tanta persistência acabou por ser compensada, e a sua interpretação convenceu o júri da Academia, que a nomeou na categoria de Melhor Actriz, para a 75ª Edição dos Óscares. Para quem saiu do México com duas malas de cartão e sem saber uma palavra de inglês, os últimos anos não lhe correram mal. Ao que parece, Salma encontrou o grande amor da sua vida, o actor Edward Norton e conseguiu impor-se como uma das mais importantes actrizes mexicanas da actualidade – seguindo as pisadas de Dolores Del Rio, que em 1920 era um nome obrigatório na Meca do cinema.

À semelhança do enredo de uma novela mexicana, tudo começou na pequena cidade de Coatzacoalcos, em Vera Cruz, no dia 2 de Setembro de 1966. Filha de um empresário libanês, Sami Dominguez – que chegou a concorrer a ‘mayor’ da cidade – e de uma cantora de ópera mexicana, Salma parecia destinada a seguir uma carreira de sucesso. Numa recente entrevista à revista ‘Movieline’, confessou que já em pequena queria ser o centro das atenções: “Na minha terra não faltavam mulheres lindíssimas, mas eu nunca passava despercebida aos olhares dos homens. E se isso alguma vez tivesse acontecido, teria feito todos os possíveis para os deslumbrar”, conta. Mas para grande desgosto dos rapazes locais, a jovem deixou a terra natal muito cedo. Aos 12 anos – e depois de se ter submetido a uma greve de fome para pressionar o pai a deixá-la ir estudar para os EUA – ingressou num colégio de freiras, no estado de Louisiana. A partir desse dia, os dormitórios daquele internato nunca mais tiveram sossego. O divertimento preferido da ‘rebelde’ era pregar partidas às freiras, que acabaram por expulsá-la. Daí seguiu para o Texas, onde viveu com uma tia até aos 17 anos.

Pub

Na altura de escolher um curso as saudades de casa apertaram e ‘miss’ Hayek regressou às origens. Inscreveu-se então na universidade da Cidade do México, onde estudou Relações Internacionais, para gáudio da família. Mas a paixão pela representação acabou por ser mais forte. E num país conhecido pelas suas produções nacionais, Salma estreou-se, naturalmente, numa telenovela – ‘Teresa’. A partir daí, Hollywood passou a ser o sonho.

GUERRA COM JENNIFER LOPEZ

Fazer um filme sobre Frida Kahlo não foi nada fácil. A começar pela guerra que Salma teve que travar com Jennifer Lopez e Madonna, também elas interessadas no papel da pintora mexicana. Mas o certo é que ‘miss’ Hayek não só ganhou a personagem como a produção do filme: “Não podia desapontar o meu povo. Tinha de ser fiel à história desta artista. Caso contrário, jamais me perdoariam’, admite a estrela. O filme não se revelou um sucesso de bilheteira, mas isso não a surpreendeu: “É um filme sobre uma artista mexicana, comunista, que se apaixona por um artista gordo. Pelo que sei, ninguém quer fazer um filme sobre artistas. Ninguém quer fazer um filme sobre mexicanos. E ninguém quer fazer um filme sobre comunistas. Eu sabia o risco que estava a correr”, diz Salma, admitindo, porém, que valeu a pena lutar tanto. É que finalmente, deixou os papéis sensuais, que marcaram os primeiros anos da sua carreira – recordem-se os casos de ‘Desperado’, ‘Aberto até de Madrugada’ e ‘Wild, Wild, West’.

Pub

Com a miragem do Óscar ao fundo, a actriz sabe que poucos acreditaram nela: “Durante muitos anos, poucos acreditaram em mim. Alguns familiares diziam-me para voltar para o México, casar e ter filhos. Acho que eles sentiam pena, porque eu não estava a ir a lado nenhum”. Pelos vistos, enganaram-se. Mas ela agora não se importa nada.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar