Site ajuda a encontrar carros roubados

Um ourives criou uma plataforma na internet para denunciar o roubo de automóveis

24 de novembro de 2013 às 11:45
Site, carros roubados, furto Foto: Rui MInderico
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A carrinha Mitsubishi Strakar foi roubada à porta de casa - mesmo por baixo da varanda - três meses depois de a ter comprado. Era para fazer todo-o-terreno e já estava preparada com pneus altos que servissem o objetivo. Américo Fernandes, de 36 anos de idade, ourives de profissão, natural de Santo Tirso, no Norte do País, fez aquilo que qualquer pessoa faria: primeiro, pôs as mãos à cabeça, depois informou as autoridades. Aproveitou e foi mais longe: como não tinha página de Facebook, pediu a uma amiga que divulgasse o roubo e várias pessoas res ponderam ao apelo, o que foi uma surpresa.

"Foi aí que se fez luz na minha cabeça. Não havia nenhum sítio específico na internet onde as pessoas pudessem publicar o roubo dos carros e até me parecia uma ferramenta útil." Foi assim que nasceu, há um ano, o site www.autoroubo.com, onde se denuncia o furto de automóveis. A ideia é simples. As pessoas registam-se gratuitamente na plataforma e depois publicam a informação sobre o veículo que lhes foi roubado - ou que está abandonado. "São roubados 68 carros por dia, 24 mil por ano, que são números impressionantes. Graças ao site já foram recuperados trinta", um número que deixa Américo orgulhoso. Neste momento estão mais de 200 à espera de serem encontrados - o registo é apagado do site quando o carro aparece.

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O CARRO DO PAI

João Mota, de 26 anos, manobrador de máquinas, anda há semanas à procura da carrinha que o pai usava para trabalhar e que muita falta lhe faz. "Foi roubada no Parque de Estacionamento do Fórum Montijo, um sítio onde já aconteceram vários roubos, e não há meio de a encontrarmos". Todos os dias, João vai ao site criado por Américo Fernandes, na esperança de que alguém tenha publicado uma fotografia do seu carro, abandonado algures no País.

Numa das peregrinações à procura do carro do pai, João bateu os olhos num automóvel que já tinha visto em algum lado. "Depois percebi que tinha visto o carro no site. E mais engraçado: ao lado desse carro estavam os documentos do meu pai, que estavam dentro da carrinha que foi roubada." O automóvel foi entregue à feliz proprietária, já sem grande esperança de o encontrar. "Há quem agradeça, há quem escreva no site ‘viatura recuperada' ou quem simplesmente elimine o registo sem uma palavra quando o carro é encontrado, mas é bom saber que de certa forma o site ajuda a encontrar os carros", explica Américo.

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"Eu não luto contra os ladrões dos carros que são desmantelados - porque esses, depois de roubados, desaparecem e transformam-se em peças - mas luto contra os ladrões do abandono. Todos os dias vemos carros abandonados na rua que têm donos que não sonham sequer onde eles estão." A adesão das pessoas ao site "foi gradual". Já foram visualizadas mais de 33 mil páginas no último ano e o site já recebeu três mil visitas. A par do site, Américo Fernandes criou também uma página de Facebook onde qualquer pessoa também pode denunciar uma situação de roubo automóvel.

"No site cada um escreve o que entender: há quem opte por descrever alguma característica do carro, por exemplo uma amolgadela no capô - para ser mais fácil de memorizar a quem o vir - e quem ofereça uma recompensa" a quem localizar o automóvel. "O maior montante oferecido foi de três mil euros, mas já foram oferecidos vários valores. As pessoas querem tanto recuperar os carros que fazem tudo o que for preciso, estão desesperadas. Há também quem escreva ‘bem recompensado' ou ‘recompensa negociável' - que virá a ser definida mais tarde pelo dono e por quem o encontrou de boa saúde." Quanto ao nome do site - autoroubo.com - tem uma explicação: "É um bocado agressivo, quem lê à primeira pensa que pertence a um gatuno que anda a roubar carros, mas isso acaba por resultar e chamar pessoas à página, que é o meu objetivo. Quanto mais pessoas souberem do site, mais carros poderão ser encontrados e devolvidos aos seus proprietários".

Nesta história com um ano, que já teve trinta finais felizes, Américo, o fundador da ideia, não voltou a ver o carro que lhe foi roubado. "O meu carro, que foi o primeiro que publiquei no site, ainda não foi encontrado." Talvez um dia tenha sorte. D

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