Agência de Intervenção Social contra violência doméstica.
Com um sorriso no rosto e sensação de dever cumprido. É assim que, todos os dias, Rui Carneiro, de 46 anos, entra na sede da Agência Nacional de Intervenção Social em Paço de Arcos, Oeiras. Criou esta organização não governamental (ONG) há seis anos, depois de ficar com a guarda total do filho e deixar a vida frenética que tinha como administrador de hoteleiro. "Esta fase fez-me olhar com mais atenção para a vida dos outros", recorda o fundador da organização sem fins lucrativos.
Atualmente, Rui Carneiro dá emprego a 19 pessoas na Agência Nacional de Intervenção Social. Aqui não há voluntários. "Este trabalho exige demasiada responsabilidade e não temos tempo para estar a explicar todo o funcionamento a cada pessoa que chega", justifica o antigo administrador hoteleiro.
No concelho de Oeiras, a quem mal tem dinheiro para sobreviver, garante 150 refeições diárias e mais de 400 medicamentos por ano. Na última quinta-feira, inaugurou uma casa social para receber refugiados e vítimas de violência doméstica. E consegue tudo isto sem qualquer apoio do Estado. O dinheiro vem das ações de consultadoria que fazem a outras instituições no estrangeiro, do restaurante social Bistrô, em Oeiras, das quotas dos associados e do programa de reemprego estabelecido com o Centro de Emprego de Cascais e o Instituto do Emprego e Formação Profissional. A partir deste mês, vão ter mais uma fonte de sustento: um posto de turismo no Monte Estoril cujas receitas vão permitir sustentar a casa social na Cruz Quebrada.
Uma ajuda que se paga a si própria
Este posto de turismo é na estação de comboios do Monte Estoril, que estava abandonada há vários anos. Foi remodelada com 18 mil euros da organização e agora é um verdadeiro hostel. Abriu este mês. Cada noite vai custar 80 euros na época baixa e cerca de 200 euros no verão. Entre 8 de dezembro e 1 de janeiro, já está completamente lotado. "Temos um projeto com a Refer para dar uma nova vida a estações que estão abandonadas. Temos planeadas 18 intervenções na linha do Alentejo, que vamos reabilitar já no próximo ano", esclarece Rui Carneiro.
A fórmula de sucesso sustentável da Agência Nacional de Intervenção Social é muito simples: "Primeiro identificamos o problema, depois arranjamos uma fonte de receita para sustentar a resolução dessa questão. A residência de emergência social vai ser sustentada pelo turismo, tal como as refeições sociais já são sustentadas pelo restaurante aberto ao público", explica.
Já vários países quiseram adotar a ideia. "Temos ido dar várias palestras à Roménia, Moldávia, Bulgária e Turquia. Nestes países onde deixámos a semente o método tem evoluído de uma forma extraordinária", conta, orgulhoso, Rui Carneiro.
Restaurante low cost
São 12h15. Começam a chegar ao restaurante Bistrô, em Oeiras, as primeiras pessoas para almoçar. "Bom dia, senhor Pedro. O que vai ser hoje?", diz, com um sorriso acompanhado por um aperto de mão, António Lourenço, gerente do estabelecimento, a Pedro Nunes, cliente habitual. "Vou ver melhor a ementa e já lhe digo, mas estou inclinado para o leitão", responde.
O empresário é cliente habitual do restaurante, que serve refeições completas – sopa, prato, sobremesa e café – por apenas quatro euros. "Venho aqui pelo menos três vezes por semana. A comida é fresca, barata e ainda é uma oportunidade de ajudar também quem mais precisa", sublinha Pedro Nunes.
Por volta das 13h30, o restaurante já está completamente cheio. É o dinheiro destas refeições que permite dar outras 150 a famílias que passam dificuldades.
A família de Palmiro Afonso é uma das que é alimentada pelo restaurante low cost. São oito lá em casa e precisam de 14 refeições diárias. "Eu e a minha mulher estamos desempregados. Sentimos mesmo necessidade de recorrer a esta ajuda", explica o desempregado.
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