O novo medicamento anda a roubar o emprego às estrelas consagradas de filmes pornográficos. Tudo porque actores ambiciosos e ainda sem currículo tomam doses cavalares da “pílula do prazer” para poderem brilhar durante as muitas horas de filmagens.
Em San Fernando, cidade da Califórnia onde estão sediados os maiores estúdios de pornografia do mundo, e mais conhecida como Pornywood, os actores veteranos andam descontentes desde que o Viagra invadiu o mercado.
Eles acusam os colegas de profissão mais novos e ambiciosos de tomar doses industriais da famosa pílula azul para manter a erecção horas a fio durante as filmagens. «O sector está superlotado e já tenho falta de trabalho. O fenómeno do Viagra arruinou-me a carreira», declarou Kyle Stone, que trabalha há dez anos na indústria pornográfica e garante não necessitar de qualquer tipo de substância “dopante” quando trabalha diante das câmaras.
Se por um lado o medicamento comercializado pela Pfizer multiplicou as possibilidades das estrelas porno, que podem prolongar as suas performances artísticas a seu bel-prazer, por outro, o uso do Viagra sujeita-os agora a um maior desgaste físico. «Antes rodávamos uma ou duas cenas por dia. Agora fazemos cinco», explica Cheyne Collins, famoso actor de 34 anos, ao jornal Los Angeles Times. Há até já quem considere que «a pílula do prazer esteja para os actores pornográficos do século XXI como o silicone esteve para as actrizes há décadas atrás».
Nem mesmo o facto dos actores receberem menos dinheiro do que as actrizes faz baixar a procura por um lugar ao sol no seio da indústria da pornografia, que produz todos os anos sete mil filmes do género hardcore 1.o escalão.
Estima-se que por mês, 500 homens procurem trabalho em San Fernando. No entanto, só um quinto tem os requisitos para entrar num filme para adultos. Estes aspirantes a John Holmes podem ganhar 500 euros (100 contos) por filme e com alguma sorte conseguem ser estrelas em cinco longas-metragens por mês. Se tivermos em conta que cada dia de trabalho chega a ter mais de seis horas, imagine-se o esforço físico despendido.
Para conseguir sobreviver ao ritmo alucinante, as porno-stars emergentes descobriram o “milagre” do Viagra. De repente, homens sem qualquer problema de impotência, passam a ingerir cem miligramas da pílula azul por dia, o dobro da dose recomendada a quem tem disfunção eréctil. Enquanto os produtores sem escrúpulos esfregam as mãos, porque podem filmar mais rapidamente, a custos mais baixos, os médicos abanam a cabeça.
Especialistas dos laboratórios da Pfizer, urologistas e sexólogos já advertiram que as consequências podem ser nefastas e imprevisíveis. Tomados em excesso e sem necessidade médica, os comprimidos acabam por se tornar prejudiciais à saúde. Há quem adivinhe inúmeros problemas cardíacos e de erecção em Pornywood. Conseguirão estas estrelas de ambição desmedida manter a chama acesa ao longo de várias décadas, como aconteceu com os míticos Ron Jeremy ou John Holmes?
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