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A minúscula protuberância da ética política

Marques Mendes não consegue fazer prevalecer o ‘elemento ético’ da política. Os ‘aligátores laranjas’ vão cercá-lo até o seu pequeno continente ficar reduzido a um minúsculo ilhéu. É um líder a prazo.

20 de maio de 2007 às 00:00

Sempre olhei para Marques Mendes como um político capaz de emprestar à política aquilo que mais lhe falta: credibilidade. Um partido que ganhou ‘consistência democrática’ através dos contributos essenciais de Sá Carneiro e Cavaco Silva, a certa altura caiu no extremo oposto através de um certo dandismo, típico de alguns cartolas que usam a comunicação social e essencialmente a televisão para fazer os seus malabarismos – dialécticos ou estéticos.

Marques Mendes é um líder a prazo. Quando não deu sinais de ser capaz de encobrir as trapalhadas de certos companheiros de partido começou a ter de se preocupar com Sócrates e a oposição mas sobretudo com os ‘aligátores do PSD’, laranjas pois claro, que começaram a cercá-lo por todos os lados do seu continentalizado ilhéu.

Valentim Loureiro e Isaltino Morais não lhe perdoarão a ousadia e Santana Lopes andará sempre por aí, nem que seja apenas por andar. Marques Mendes é um ‘elemento ético’ do PSD mas, como se sabe, a ética anda muito arredada das sociedades modernas e a falta dessa basezinha, como dizia o Eça, aguçará o apetite do canibalismo intelectual e atirar--nos-à para o cemitério da indigência.

O mesmo Marques Mendes que apoiou Carmona Rodrigues para a CML retirou-lhe a confiança política. Pelo tal ‘elemento ético’ que, na política, vale muito pouco e muitos andam a fazer para que não valha nada. A dificuldade que encontrou na ‘substituição’ de Carmona, numa altura em que Sócrates já tinha resolvido o problema do PS com uma solução muito forte (António Costa), ainda por cima sem abrir brechas no Governo, diz bem da situação de ‘calamidade política’ de um líder que, a bem da verdade, nunca conheceu condições para o ser.

Num mundo dominado pela imagem e respectivos jogos de poder, em que a política é feita 90% na televisão, a Marques Mendes só lhe falta preparar o caminho para a sucessão, não deixando que os ‘aligátores’ lhe tomem o partido. É uma vitória de Pirro. Negrão está o futuro. Provavelmente o partido vai ter de olhar para as mulheres (Manuela Ferreira Leite ou Paula Teixeira da Cruz). Outra vez as mulheres.

Não fosse o assunto tão sério e Sócrates poderia ser olhado como o principal suspeito pelo rapto de Madeleine. Afinal, nunca mais se falou da Independente e dos seus canudos. Convenhamos que, valha-nos Deus, lhe deu um jeitão.

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