Sucesso de empresários confunde-se com a história de Vilamoura.
Durante um mês por ano, a estância turística passa a ser uma espécie de segunda capital do País. Em agosto, o resort conhecido como Vilamoura é ponto de encontro quase obrigatório para desportistas de elite, políticos, empresários e membros da realeza.
Agora, o empreendimento turístico criado há 50 anos pelo banqueiro Arthur Cupertino de Miranda voltou a mudar de mãos: os norte-americanos da Lone Star pagaram cerca de 200 milhões ao Catalunya Banc pela Lusort. O negócio, considerado um dos mais importantes no setor do turismo em Portugal, nos últimos dez anos, deixou empresários e promotores turísticos com a convicção de que o melhor de Vilamoura ainda está por vir.
É o caso de Paulo China, o nome pelo qual é conhecido o empresário Paulo Tong Tam. De origem chinesa e nascido em Moçambique, a sua história de vida adulta confunde-se com a do resort construído por Cupertino de Miranda. "Devo tudo a Vilamoura, cheguei aqui há 37 anos e comecei do nada, a lavar pratos e barcos, e sinto orgulho de ter tido a oportunidade de conhecer grandes estrelas ou de lidar com o [antigo] rei de Espanha [Juan Carlos]", conta Paulo China, sócio do antigo melhor jogador de futebol do Mundo Luís Figo.
A geração do ex-internacional português foi, aliás, decisiva no nascimento do ‘sports bar’ Sete, na marina de Vilamoura, e na maior mediatização do resort. "Abrimos o Sete no verão de 1998, quando a seleção portuguesa ficou de fora do Mundial de França, com o objetivo de ter um sítio para assistir aos jogos", recorda Paulo China, adiantando que, a partir do final dos anos 80 e 90, "Vilamoura começou a ser ponto de encontro obrigatório para toda a gente de férias no Algarve".
Agora, o empresário considera que o investimento pode ser "a cereja no topo do bolo" para aquilo que já considera um paraíso: "Hoje em dia há Palma de Maiorca, Ibiza ou Saint-Tropez, mas Vilamoura continua a ter clientes de elite, e eu sei disso porque vou muitas vezes buscar pessoas, que chegam em aviões privados ao aeroporto", conta. Por isso, o projeto de Vilamoura XXI, que inclui a Cidade Lacustre, um resort de luxo a ser edificado sobre lagos e canais navegáveis, pode vir a ser ‘o filet mignon’ do turismo europeu.
NEGÓCIOS
História diferente tem Giuseppe Dursi, italiano de Roma que passou por Madrid antes de, há quatro anos, se apaixonar por Vilamoura e pelo clima da região. Responsável pelo Thai Beach Bar, na praia da Falésia, o empresário de 42 anos chegou a Portugal numa altura de crise, mas nunca se deixou afetar pela negatividade sentida a nível internacional. "Nos últimos anos, Portimão foi abaixo, Albufeira foi abaixo, mas Vilamoura – que no verão é o polo noturno da região – continuou a subir", conta o italiano, que considera "Vilamoura um projeto muito futurista para a altura em que foi criado".
"É um tipo de turismo do segmento médio/alto, com casas e restaurantes mais caros, mas isso tem de acontecer, porque Vilamoura é um resort, e não uma cidade, e tem de ser tratado como tal. Ninguém é daqui – Vilamoura tem de ser uma ‘Reserva Natural da Vida’, da qualidade de vida, porque não há nada comparável a isto", diz.
A combinação de clima, gastronomia e oferta hoteleira, aliadas à segurança, é considerada única pelo empresário, para quem Vilamoura ainda pode crescer: "Para mim, tem mais possibilidades do que Marbella, por exemplo. Com estas mudanças recentes, vejo ainda mais futuro e potencialidades, porque este grupo [Lone Star] quer crescer e se investe tanto dinheiro aqui é porque vê futuro em Vilamoura", refere Giuseppe Dursi.
Depois de vários anos ‘estagnada’ e sob o domínio da Prasa – a braços com a crise imobiliária espanhola –, uma das expectativas de empresários e promotores turísticos é saber quais são as intenções dos novos proprietários da Lone Star para Vilamoura. Para Paulo Cavaco, ligado ao setor da hotelaria há 15 anos e atual gerente do espaço Água Moments, na marina, o projeto Vilamoura XXI pode significar "um novo fôlego" para o empreendimento turístico.
"O que se espera é que eles avancem [para o projeto que inclui a Cidade Lacustre] e isso seria uma grande mais-valia para Vilamoura, até tendo em conta a capacidade de investimento deste grupo", considera o gerente de um dos espaços noturnos mais procurados durante o verão. O ideal, adianta, será que o grupo – que deverá passar a ser representado localmente por Paul Taylor, proprietário e gestor do Monte da Quinta, na Quinta do Lago – mostre "uma postura aberta no sentido de perceber a importância dos empresários locais e também de alguns dos grupos de peso que estão implantados há muitos anos em Vilamoura".
ESPERANÇA AMERICANA
Ao ritmo de Vilamoura cresceu também Carlos Silva, mais conhecido por ‘Patacas’, precisamente devido ao nome do bar que abriu, em 1987. Natural de Cascais, decidiu investir no Algarve, a convite de um amigo. Abriu um bar que, no verão, se enche todas as noites com milhares de turistas. "Não tinha dúvidas de que ia ter sucesso. Vilamoura tinha a única marina de Portugal e isso chamava muita gente. Estava destinada ao sucesso", referiu o empresário, que atualmente está a passar a ‘bola’ do negócio ao filho.
Ao ritmo do sucesso durante os anos de ouro de Vilamoura esteve também António Isidro, que começou precisamente como empregado no Patacas Bar. Trabalhou depois no Casino de Vilamoura, por onde passavam muitos "jogadores da bola" e presidentes de clubes e no qual, todas as noites, "rolava muito dinheiro". "Era a terra das oportunidades. Ganhava-se muito dinheiro na altura porque Vilamoura era o centro do Algarve, onde tudo acontecia", recorda António Isidro, mais conhecido por ‘Tozé’, que de barman passou a empresário e é atualmente dono do Iluminati Café.
Quanto aos dólares que os americanos prometem investir em Vilamoura, ninguém tem dúvidas de que são bem-vindos e irão dar uma nova vida a Vilamoura. "Isto estava um bocado em água morna e com os americanos estou convencido de que as águas se vão agitar e que será bom para toda a gente", acredita Carlos Silva. Também António Isidro entende que "os anos dourados podem regressar" e Vilamoura pode tornar-se numa "Hollywood da Europa".
Se a expectativa dos empresários em relação ao futuro de Vilamoura é grande, a Câmara de Loulé também deposita grandes esperanças no futuro do empreendimento. "Vejo este negócio com otimismo e como um sinal de esperança, porque, pelas informações que nos chegam, este grupo propõe-se a desenvolver um plano [Vilamoura XXI] que estava parado há cerca de 15 anos", refere o presidente da autarquia, Vítor Aleixo. "Temos a expectativa de que este plano de Vilamoura XXI, que inclui a Cidade Lacustre, possa ver a luz do dia e ajude a afirmar ainda mais este destino turístico, já hoje reconhecido nacional e internacionalmente", conclui.
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