Zaask é a melhor startup do mundo. Tudo à conta de desafiar a tradição empresarial.
As reuniões são feitas à volta de uma mesa de ping-pong e até há uma bola de pilates para ajudar nos momentos de stress. É assim que se trabalha numa startup, mas se o ambiente é mais informal, a consciência que o sucesso de um novo projeto exige empenho e responsabilidade pesa. Sobretudo quando já se ganhou o título de melhor do Mundo, como acontece com a portuguesa Zaask.
Os 30 funcionários são quase todos da geração subtrinta. O CEO, Luís Martins, tem 37 e bicho-carpinteiro. Aos 23 anos já tinha um alto cargo na Galp, mas continuava a formar novas empresas e a acalentar o sonho de criar o seu próprio negócio. "Mas quando começavam a crescer, vendia. Vivia com os meus pais e numa altura em que lhes disse que ia deixar a Galp para fazer uma empresa de t-shirts para turistas, eles foram perentórios: ‘podes fazê-lo mas sais de casa!’", conta, rindo da proteção paterna.
Mas o inevitável tinha mesmo de acontecer. Quando tirou o The Lisbon MBA (uma parceria entre o IMT e as universidades Nova e Católica) conheceu Kiruba Eswaran, com raízes na Índia mas a viver nos Estados Unidos com o plano de um dia vir morar para a Europa, o que aconteceu em 2010, precisamente graças a uma bolsa que ganhou.
Para não variar Luís tinha uma série de ideias em carteira, e os dois acabaram por formar a Zaask. A plataforma online ajuda os clientes a encontrar o profissional certo para realizar qualquer tipo de serviço, que pode ir desde a pintura da casa a um projeto de design ou aulas de piano.
"Na altura, falava-se muito em crise e desemprego e nós pensámos que seria útil pôr todo um universo de prestadores de serviços locais, na sua grande maioria a trabalhar offline e num circuito de economia paralela, em contacto com quem procura um serviço mas, na generalidade, não tem muito tempo.
A vantagem da Zaask é que os filtros apontam logo quais os profissionais mais indicados consoante o orçamento, o local e a hora em que o serviço deve ser prestado, poupando tempo a uns, chatice a outros, e fazendo "com que o processo de contratação seja mais fácil, simples e sobretudo bem-sucedido", acrescenta.
Uma ideia simples, mas que veio de facto a encontrar o sucesso que ambicionavam.
JANTAR SEM GRAVATAS
Nascida em 2012, a Zaask angariou já 35 mil utilizadores/prestadores. São eles que pagam o serviço – através da compra de créditos que usam sempre que a sua informação é acedida por um potencial cliente. O método permitiu aos profissionais gerarem uma faturação acima dos 25 milhões de euros, atraiu novos investidores, expandiu-se para Espanha e até já estuda a entrada em novos mercados, nomeadamente Inglaterra. E todos esses argumentos pesaram na hora em que a empresa foi eleita a melhor startup do Mundo nascida de um MBA (pela britânica Association of MBA). Mas "a Zaask é ainda um bebé e como todos os bebés é frágil", reconhece Luís Martins. Por isso, ali, trabalha-se constantemente em novas soluções e na criação de valor acrescentado, tanto para quem usa como para quem potencialmente quer investir na Zaask, o que se traduz em muitas horas de trabalho. "Não somos uma empresa tradicional, portanto não faria sentido usar as soluções já conhecidas. A contribuição de um é tão importante como a do outro. Um estagiário é igual a um sócio porque se um falhar, isso tem impacto na empresa", diz Luís Martins. Por isso, depois da reunião semanal à sexta-feira, há partidas de ping-pong e um jantar sem gravatas para comemorar as vitórias de cada dia.
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