O regresso do psicadelismo mais negro, numa explosiva mistura de política e misticismo.
Por Adolfo Luxúria Canibal
Foram precisos cinco álbuns para os The Black Angels assumirem um título que, combinado com o nome da própria banda, cita o famoso tema do primeiro disco dos The Velvet Underground, ‘The Black Angel’s Death Song’, de onde retiraram a denominação. Um tema que convoca de pronto o lado mais negro dos anos 60. E é aí que os The Black Angels se movimentam desde sempre, numa espécie de psicadelismo torturado e psicopata feito de tonalidades sombrias e ambientes doentios.
Formados em Austin, no Texas, em maio de 2004, o seu primeiro álbum, ‘Passover’ (2006), foi logo referenciado nos meios underground pelas guitarras penetrantes, a exemplo das dos The Velvet Underground dos primórdios, e pelas inflexões raga com que os temas progrediam, numa espécie de atordoamento repetitivo sem fim. Mas também pelas explosões místicas de iniciados em ácido, a fazer lembrar os conterrâneos The 13th Floor Elevators ou os trejeitos mais alucinados dos The Doors de Jim Morrison.
Irmanados aos The Warlocks, aos Black Rebel Motorcycle Club, aos The Brian Jonestown Massacre ou aos A Place To Bury Strangers, reverenciando os The Jesus & The Mary Chain ou os Spiritualized, os The Black Angels rapidamente sentiram a necessidade de federar o novo som psicadélico, criando em 2009 o Austin Psych Fest, um festival de música psicadélica. Nesse ano lançam o segundo álbum, ‘Directions to See a Ghost’. Seguem-se ‘Phosphene Dream’ (2010) e ‘Indigo Meadow’ (2013), numa progressiva iluminação da negrura inicial. E em 2014 estreiam-se em Portugal – até à data, a sua única actuação nacional –, na primeira edição do Reverence Valada. Agora, quando se prestam para de novo nos visitar (Primavera Sound), editam este ‘Death Song’ que, num regresso aos drones poderosos dos primeiros tempos, é do mais puro The Black Angels e, sem dúvida, o seu melhor disco de sempre!
Título: ‘Death Song'
Autor: The Black Angels
Editora: Partisan
Livro
AS FORÇAS PERVERSAS DO INCONSCIENTE
Primeira tradução portuguesa do último romance escrito por J. G. Ballard, falecido em 2009. Obcecado, como sempre, pelos efeitos da tecnologia e da comunicação de massas na mente humana e na sua percepção do real, encena aqui uma distopia que tem no consumismo a sua mais sinistra força de distorção.
Título: ‘Reino do Amanhã’
Autor: J. G. Ballard
Editora: Elsinore
Filme
A tridimensionalidade de um mito
Uma ficção narrativa, que é uma notável reconstituição histórica e formal, sobre o encontro, em 1838, de Karl Marx com Friedrich Engels e a amizade que se firma entre ambos, mediada por Jenny von Westphalen, esposa de Marx, até à publicação de ‘O Manifesto Comunista’, em 1848, tinha Marx 30 anos.
Título: 'O Jovem Karl Marx'
Realizador: Raoul Peck
Intérpretes: August Diehl e Stefan Konarske
Exibição: Cinemas
Disco
RIMAS E BATIDAS DE TIPO NOVO
Um disco hip-hop que rompe com os estafados cânones musicais do género e que, num registo tão longe da vulgaridade guna quanto da boa consciência pequeno-burguesa que normalmente contamina as suas rimas, mostra como ainda se pode ser criativo a dar voz ao mal-estar. Uma bela e surpreendente surpresa!
Título: 'Pruridades'
Autor: Ângela Polícia
Editora: Crate Records
FUGIR DE
Terrence Malick
A propaganda da participação de Patti Smith, John Lydon, Iggy Pop, Black Lips, Red Hot Chili Peppers ou Lykke Li em ‘Canção a Canção’ é um logro descarado, chamariz reduzido a breves apontamentos insignificantes, que visa mascarar a pobreza e permanente inanidade em que se tornaram os filmes de Terrence Malick: repetição exaustiva de um mesmo argumento, diálogos e monólogos de confrangedora vulgaridade e uma estética de publicidade que se mescla com interlúdios tipo fotografia de casamento… Onde está o cinema? Que aconteceu ao cineasta?
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