Foi de respeitado membro da comunidade de Santa Comba Dão a homicida pervertido. A rejeição sexual foi pretexto.
António Costa era um militar da GNR, na reserva. Homem conhecido em Santa Comba Dão, onde residia numa moradia em Cabecinha de Rei. Pessoa bem vista socialmente, pela sua profissão e pelas atividades de caráter social, associativo e religioso em que estava envolvido. Mas o impensável acabou por acontecer.
A PRIMEIRA VÍTIMA
Isabel Cristina de Sousa Isidoro, nascida a 12 de janeiro de 1988, foi morta quando tinha 17 anos.
No dia 24 de maio de 2005, cerca das 12h00, António Costa conduzia a sua viatura perto da sua casa quando avistou Isabel Cristina. Parou o carro e começou a conversar com a rapariga e ofereceu-lhe boleia para casa dela. A jovem aceitou e entrou no carro de António Costa.
Durante o percurso, Costa perguntou-lhe quando é que ela lhe pagava os 25 euros que ele lhe emprestara na véspera. A jovem respondeu-lhe que não tinha como lhe pagar, mas que estava disposta a fazer sexo com ele. Costa anuiu e de imediato conduziu a sua viatura até um pinhal próximo, onde rebateu o banco traseiro para ficar com mais espaço na bagageira, onde ambos se instalaram e tiveram relações sexuais.
Findo o ato sexual, Isabel Cristina disse-lhe que iria fazer queixa dele à GNR, por violação. António Costa, irritado com a ameaça, gritou com a jovem. Durante a discussão, agrediu Isabel, tendo-lhe dado um empurrão que a projetou contra um dos painéis interiores do carro, onde esta bateu violentamente com a cabeça. A força do embate foi tal que Isabel começou de imediato a sangrar da cabeça e a espumar da boca. Em vez de socorrer a rapariga, António Costa decidiu asfixiá-la, largando-a apenas quando pensou que estava morta. Decidiu então desfazer-se do corpo.
Como conhecia bem a zona da Figueira da Foz, onde tinha um apartamento de férias, decidiu levar o corpo para lá e atirá-lo ao mar. Fechou o corpo de Isabel na mala do carro e dirigiu-se à Figueira da Foz. Antes, parou em sua casa, onde arranjou sacos de serapilheira e fio de nylon.
Já na Figueira, dirigiu-se para o cabo do Mondego e parou o carro. Abriu a mala e colocou o corpo de Isabel nos sacos que levava de casa, tendo-os atado com o fio de nylon. Colocou ainda dentro do saco um pedaço de uma viga de cimento que encontrou no local, para que o saco se afundasse imediatamente. Carregou depois o saco até ao alto da falésia, de onde o atirou para o mar, com a certeza de que Isabel estava morta e convicto de que o corpo não mais seria encontrado. O que não era verdade. Segundo o relatório da autópsia, entre outras lesões, foi detetada a presença de material estranho nas vias respiratórias profundas, resultado da entrada de água nas vias respiratórias, pois Isabel ainda respirava quanto caiu no mar. A causa da morte acabou por ser asfixia por afogamento. Depois de se ter desfeito do corpo, o arguido regressou à sua residência, onde chegou ao final da tarde, continuado a sua vida como se nada se tivesse passado.
O cadáver de Isabel acabou por dar à costa a 31 de maio. Foi encontrado por um pescador perto da praia do Cabedelo, na Figueira da Foz. O cadáver estava ainda dentro do saco.
A SEGUNDA VÍTIMA
Mariana Gonçalves Lourenço, nascida a 29 de abril de 1987, foi morta aos 18 anos.
No dia 14 de outubro de 2005, cerca das 11h00, António Costa estava no quintal da sua casa quando viu Mariana na rua e meteu conversa com ela. A jovem, como o conhecia há muito tempo, não teve problema algum em falar com o seu vizinho. Costa convidou-a a acompanhá-lo a um terreno contíguo, onde existia um barracão, dizendo-lhe que lhe queria mostrar uma coisa.
Percorreram alguns metros a pé, ainda na estrada principal, e tomaram um caminho de terra batida que dava acesso ao local onde estaria o que ele dizia que lhe queria mostrar. Chegados ao local, Costa fez com a Mariana entrasse no barracão e no interior do espaço revelou-lhe a sua intenção. Disse-lhe que ela era muito bonita e avançou para a beijar. Surpreendida, Mariana rejeitou-o, empurrou-o, impedindo-o de a beijar. Gritou e chamou-lhe nomes e disse-lhe que ia contar aos pais e, de seguida, à GNR. António Costa reagiu, agarrando-a com força, com vista a manietá-la e a conseguir beijá-la, como era sua intenção. Como Mariana continuou a debater-se, ele, irritado pela rejeição da jovem, passou o seu braço direito à volta do pescoço de Mariana, fazendo-lhe uma gravata e sufocando-a. Manteve aquela pressão até ela deixar de respirar.
António Costa provocou a morte da jovem. Depois de lhe tirar a vida, viu-se obrigado a desfazer-se do corpo para esconder o crime. Foi a sua casa buscar o carro.
Regressou ao local com sacos de serapilheira e fio de nylon para ensacar, atar e transportar o corpo da jovem. Desta vez, decidiu que o atiraria para dentro da barragem do Coiço, em Penacova. Atirou o corpo para água doce porque acreditava que as hipóteses de ele aparecer eram menores.
António Costa conduziu a viatura até ao IP3, seguindo em direção a Coimbra. Parou a viatura junto à confluência da ribeira de Mortágua com o rio Mondego, por baixo da ponte do IP3. Foi esse o local escolhido por ter águas profundas.
O corpo da jovem permaneceu submerso até ao dia 1 de junho de 2006, quando apareceram partes do cadáver junto à grelha da entrada do túnel de acesso de água às turbinas da mini-hídrica da zona. O corpo de Mariana estava já em avançado estado de decomposição, quando um funcionário que operava uma máquina de limpeza, tipo garra, o trouxe para a superfície, ao apanhá-lo a 14 metros de profundidade.
A TERCEIRA VÍTIMA
Joana Margarida Marques de Oliveira, nascida a 28 de dezembro de 1988, foi morta quando tinha 17 anos.
António Costa era vizinho de Joana. A família dela conhecia-o e estimava-o. Em fevereiro de 2006, Costa pediu uma opinião à jovem sobre um determinado pormenor do seu jardim. Joana anuiu a ajudá-lo. No dia 8 maio de 2006, a jovem saiu da escola cerca das 12h00, tendo seguido a pé para casa como fazia habitualmente. O caminho para casa passava junto à residência de António Costa, que nesse dia estava sozinho em casa, pois a mulher estava no seu local de trabalho – a escola secundária da vila.
Quando viu a jovem passar, meteu conversa. Tal como havia feito com Mariana, convidou Joana a acompanhá-lo ao já referido barracão – tinha de lhe mostrar uma coisa.
Joana Marques de Oliveira acompanhou-o ao local. Tal como havia acontecido com Mariana, seguiram a pé pela estrada principal, após o que tomaram o caminho de terra batida, que dava acesso ao dito barracão. Desta vez, António Costa não esperou entrar no barracão. Ainda no caminho de terra batida atirou-se a Joana, pedindo-lhe um beijo. A jovem recusou e, indignada, disse-lhe que tivesse juízo, que era casado, que era vizinho dela, amigo dos seus pais e que devia estar maluco. Disse-lhe que iria contar tudo.
António Costa não se comoveu com a reação de Joana e tentou agarrá-la. A jovem atirou-lhe a mala da escola à cara dele. Mais uma vez, teve dificuldades em lidar com a rejeição e perante a recusa da jovem agarrou-a com força para a manietar. Joana não se rendeu e continuou a debater-se. Como mais uma vez não conseguiu os seus intentos, passou-lhe os braços à volta do pescoço, tal como havia já feito com Isabel e Mariana, apertou-o com força até ela sufocar, tirando-lhe a vida. Mas Joana deu luta e arranhou-lhe o braço direito. Os óculos da jovem caíram ao chão e partiram-se. Vieram mais tarde a ser encontrados no local pelos inspetores da PJ.
António Costa foi a casa buscar o carro e dois sacos de serapilheira e fio de nylon. Pegou no cadáver de Joana e colocou-o na bagageira do carro, sendo que, desta vez, deixou diversos vestígios de sangue na mala do carro, que foram mais tarde identificados como pertencentes a Joana. Dirigiu-se novamente à barragem do Coiço. Meteu o corpo nas duas sacas, atou-as com o fio de nylon a meio do corpo e meteu pedras para fazer peso e atirou o corpo à água da barragem.
O corpo de Joana permaneceu submerso até 24 de junho, altura em que, na sequência das buscas feitas para resgatar o cadáver – chegaram a esvaziar a barragem em cerca de quatro metos de altura –, veio a ser encontrado numa zona próxima do local onde o homicida o tinha lançado.
As investigações feitas pela PJ incidiram sobre a sua residência em Cabecinha de Rei, Santa Comba Dão, o apartamento que possuía em Tavarede, na Figueira da Foz, e a viatura, onde foi encontrado sangue na bagageira, identificado como sendo de Joana.
No dia 22 de junho, António Costa confessou à PJ ser ele o responsável pela morte das três jovens, bem como pelo destino dado aos seus corpos. Também perante o juiz de instrução, confessou todos os crimes, a forma detalhada como atuou, tendo sido ele quem indicou o local exato onde os crimes ocorreram. Referiu também o local onde se desfez dos corpos, bem como os percursos por si utilizados, tendo colaborado ativamente na reconstituição dos factos. Mais tarde terá reconsiderado, motivo pelo qual alterou a sua estratégia, tendo passado a declarar-se inocente. Mas era tarde, muito tarde mesmo. A prova estava recolhida e António Costa veio a ser condenado em audiência de julgamento a 25 anos de prisão.
Este caso remete-nos para a análise da dimensão psíquica: como explicar que um homem que durante 50 anos teve uma vida normal, uma carreira profissional bem-sucedida, bem integrado socialmente, se tenha transformado numa máquina de matar de um dia para o outro? O que é que terá passado na cabeça do cabo António Costa? Dos factos apurados, resulta que, depois do primeiro homicídio, a situação ficou pura e simplesmente incontrolável e que António Costa gostou do prazer de tirar a vida a alguém. Só assim se explica o comportamento subsequente, com a agravante de as vítimas serem todas elas pessoas que moravam perto de si, portanto das suas relações.
A questão que fica é o que teria acontecido se este homem não tivesse sido detido. Será que tinha parado de matar ou pelo contrário continuaria a praticar este tipo de crime, até que um dia mais tarde pudesse ser identificado e detido? Acredito sinceramente que se a PJ não o tem detido, António Costa tinha voltado a matar.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.