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Crise segue para bingo

Em duas décadas, fecharam metade das salas. Resistem 21, mas o negócio está cada vez pior.<br/>

27 de fevereiro de 2011 às 22:00

O País que percorremos de sul para norte à procura de bingos vive num marasmo – feito em salões de chá e bolachas para reformados. Adivinha-se a angústia e a incerteza dos postos de trabalho que vão cair. Na Amadora, por exemplo. O cruzamento da avenida D. Carlos I, que antecede a 50 metros o Estrela da Amadora, é uma guilhotina. Mais 50 metros, à esquerda na direcção da avenida António Sérgio, fica a Associação Académica da Amadora. Num País com 21 bingos – em 1990 eram 44 –, dois ficam numa proximidade melindrosa, de sobrevivência ou de morte.

Ao certo, não se sabe quem mata. Mas há teorias: "O bingo existe desde 1982 e continua a ser jogado sempre da mesma forma. Por isso, foi perdendo qualidade. Na altura, apostava-se uma vez por semana no totobola e, de resto, só existia o Casino Estoril, onde só se entrava de fato e gravata" – recorda António Cavaco, delegado da direcção do bingo da Académica. Nos anos 80, realmente, pouca concorrência havia. "O casino dos grandes espectáculos, dos eventos culturais, das slot machines e das mesas, não era o mesmo do bingo, que tem um público com menos posses", conta um ex-funcionário do bingo do Casino Estoril, que encerrou em 1997. "Quando abriu [em 83] foi uma novidade" – conta, sob anonimato. "Havia filas à porta. Tínhamos mais de 300 pessoas a jogar cartões de 500 escudos para prémios de, até, cento e tal contos".

E, para o que se passou nestes últimos anos, António Cavaco segue com a sua explicação: "Não se deixou o bingo evoluir por lobbies criados pela Santa Casa da Misericórdia e casinos, com a conivência da Inspecção-Geral de Jogos (IGJ)". Entre 2007 e 2010, as receitas das salas de bingo caíram 21 por cento, dos 94,2 milhões de euros para 74,4 milhões. No último ano perderam 9,2 por cento.

A ESTRADA DA DISCÓRDIA

Basta um simples cruzamento – uma estrada que em poucos metros vai dar a duas salas de bingo – para se constatar a morte lenta. São quatro da tarde em dia de semana. A tômbola gira 90 bolas. Uma funcionária ‘canta’ os números que saem – "vinte e um; dois, um. Trinta; três, zero..." –, ao mesmo tempo, vários televisores LCD mostram a bola correspondente. Um outro monitor, maior, em cada parede, assinala os números que vão saindo. Estão 35 jogadores na sala da Académica da Amadora e isso é determinante para que o prémio de bingo valha apenas 11,76 euros – depende do número de cartões em jogo, que aqui custam 50 cêntimos. Já o acumulado, caso alguém faça bingo até à 40ª bola extraída, vai nos 17 200 euros e cresce de uma pequena percentagem de cada jogo – mas é prémio para levar um ano e meio a sair, ou mais.

Os idosos são a esmagadora maioria numa sala quase despida. Um homem grita "bingo!". Por coincidência, outra pessoa tinha completado o cartão na mesma jogada. Cada um ganha 5,88 euros. Uma funcionária – caixa-volante – leva numa bandeja o prémio a Vítor Rodrigues, sentado à mesa com o amigo Jaime Fonseca. São os dois mais novos da sala – têm 31 e 34 anos, respectivamente. O primeiro deles é fiscal de transportes públicos a gozar férias e o segundo é pasteleiro desempregado. Vítor deixa o cigarro queimar praticamente todo durante os cinco minutos de cada jogada. Tem os movimentos limitados a riscar os números em dois cartões com um marcador vermelho.

Não tarda, Vítor faz o segundo bingo. Ganhou mais 11,37 euros. Parece fácil. Todos os dias ali vai. Todas as semanas joga 50 euros. E hoje é excepção. "Trouxe dez euros, bebi um café e uma água e levo 13", conta. Ao lado, Jaime está sem sorte nenhuma – ele que já chegou a ganhar 17 500 euros para ajudar a pagar dívidas e que partilhou 4500 euros desse dinheiro com um amigo que, na altura, o acompanhava no jogo.

"Isto é um vício como os gajos da droga. Não quero é fazer contas ao que gasto. Não me vê mal vestido. Não ando magrinho. Então..." – diz Jaime. Num gesto repentino, risca todos os números do cartão, atira-o para o lado e espera ouvir ‘cantar’ os dois números que lhe faltam para bingo. É um gesto frequente – mais vale memorizar do que ficar a olhar para o cartão. "Graças a Deus a minha companheira não joga. Era uma felicidade que eu lhe dava se não pusesse mais aqui os pés" – confessa.

Quase todas casas de bingo oferecem café e água. À tarde, a Académica serve bolinhos e vinho do Porto. É a estratégia de comerciante a falar mais alto. "E porque há futebol à hora de jantar, temos que investir na TV por cabo e ainda oferecemos jantar a todos os jogadores presentes [que só jogam o valor que quiserem]", explica o delegado da direcção do bingo da Académica. Segundo António Cavaco, a partir de Abril de 2010 a situação agravou-se.

Todos os bingos do País vendiam, desde 2002, os cartões a um mínimo de um euro. Só que o Estrela da Amadora, "com a conivência da IGJ, baixou para 50 cêntimos. Estou a 100 metros dele, o que me ia acontecer? Morria se não vendesse ao mesmo preço. Sou capaz de vender a mesma quantidade, mas rende-me metade. Já tenho prejuízos avolumados. Não sei se vou conseguir pagar os ordenados de Fevereiro e os acordos que tenho feitos. Temos 40 trabalhadores dependentes do Bingo da Académica da Amadora".

A CAMINHO DA FALÊNCIA

Coincidência ou não, a receita bruta da Académica desceu de 1,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2010 para 257 mil na segunda metade do ano. Entretanto, o Estrela passou de 1,1 para 2,6 milhões. Já o bingo do Atlético Clube de Portugal, em Lisboa, que foi o terceiro com cartões a 50 cêntimos, manteve uma receita média, constante, de 624 mil euros por trimestre.

No Estrela da Amadora, à mesma hora, o bingo tem perto de 200 pessoas. Nota-se pelo prémio: 51,50 euros. O fumo do tabaco aqui é mais nebuloso. Ouve-se também maior agitação. Sente-se de longe algum vício, mas poucos são os que falam abertamente. Provavelmente, sofrendo do mesmo, A. M. Oliveira, de 55 anos, modista, pediu a sua própria "proibição de acesso às salas de jogo do bingo". E agora tem uma fotografia sua afixada no átrio de entrada.

Após 79 anos de existência, o Clube de Futebol Estrela da Amadora fecha no final do mês. As dívidas, na ordem dos 28,5 milhões de euros, serão pagas com o produto da liquidação. Apenas o bingo continuará em funcionamento, já que não pertence ao clube – é da Casa da Sorte, que se iniciou na exploração deste jogo. "Tencionamos manter o preço do cartão a 50 cêntimos. Funciona" – adianta Fernando Félix, responsável da Casa da Sorte pela gestão dos bingos do Estrela e do Belenenses, em Lisboa.

ESPERANÇA NA NOVA LEI

"Há algo a fazer para mudar o bingo. As regras do jogo não podemos mudar, mas a nossa estratégia passa, por exemplo, por explorar a área do espectáculo, que hoje já é permitido com a alteração à lei. Mas não o tipo de espectáculo a que estamos habituados a ver nos casinos" – afirma o mesmo gestor, escusando-se a adiantar pormenores até ao Verão, altura em que irão começar a surgir novidades. A Casa da Sorte chegou aos bingos há dois meses e pondera investir cerca de um milhão de euros em dois ou três anos na remodelação destes dois espaços. A crise, neste caso, constitui uma oportunidade de negócio. O Bingo do Belenenses é o que mais factura no País – 10 milhões de euros, tendo perdido no último ano 14,6% da receita – o que permite uma boa margem de manobra.

Ivo Doroteia, director da Associação Portuguesa de Bingos (APB), considera que "com esta nova lei do jogo, esta tendência [de queda de receitas] irá inverter-se pois, com a colaboração do Serviço da Inspecção de Jogos (SIJ), serão criados novos prémios nas salas, o que irá atrair clientes". Porém, Ivo Doroteia critica a IGJ (actual SIJ), acusando-a de "irresponsável e imponderada" por colocar à venda cartões de 50 cêntimos.

"Infelizmente a tutela fez tábua rasa de uma decisão unânime tomada em assembleia geral da APB, em que todos os associados, com uma abstenção, rejeitaram liminarmente a utilização desses cartões", denuncia o director da Associação.

Outro dirigente também lança duras críticas ao estado do sector, considerando que a "situação tem vindo a agravar-se e, por via disso, alguns bingos têm ido à falência", diz Rodolfo Caseiro, dirigente do Sindicato da Hotelaria do Sul.

Entre 2007 e 2010 fecharam os bingos do FC Porto, Guimarães, Braga, Farense, Aveitur (Aveiro), Amoreiras, Sporting, Vilafranquense e Olivais e Moscavide.

"Há problemas gravíssimos de desemprego. Há também situações de falências fraudulentas: caso do Estrela da Amadora. Há ainda outras de gestão duvidosa: caso do Belenenses. Outras ainda, se não tomarem medidas, que caminham para a falência: caso do bingo da Académica da Amadora" – denuncia Rodolfo Caseiro.

No que se refere às acusações dirigidas ao Estrela da Amadora e ao Belenenses, Fernando Félix, da Casa da Sorte, considera que não se referem à empresa que representa.

JOGAR CONTRA A SOLIDÃO

O Bingo do Benfica é um dos que respira vitalidade – embora as receitas tenham caído 5,1 por cento para os 4,4 milhões de euros. À saída do metro do Colégio Militar/Luz e em direcção ao Centro Comercial Colombo não há quem fique indiferente à entrada do bingo do clube da águia. Maria Assunção Freire, 75 anos, é frequentadora habitual – vai pelo menos uma vez por semana. "Normalmente gasto entre 20 e 40 euros. Às vezes ganho, como hoje [35 euros], mas a maior parte das vezes não". Vive sozinha e da reforma e ali encontra companhia.

"O senhor Augusto costuma estar sempre aqui. E também uma senhora que é professora. Ora oiça esta que me ensinou o senhor Augusto: ‘22 é o número dos patinhos; 33 é o farinhas; 44 é o cadeirinhas; 55 o travessinhas; 66 o diabo; 77... já não me lembro do 77...; 88 são as mamas da Amália’". Ali encontra-se companhia: "E muitas vezes até acabo por jantar. Eles dão-nos sopa, prato e sobremesa", diz Maria Assunção.

Um café custa 70 cêntimos, uma água 80, um uísque 3,5 euros e uma cerveja 1,20€. "Ninguém é obrigado a jogar. As pessoas sentam-se por vício ou por solidão. É a componente social para muitos idosos", conta o chefe de sala do Benfica. "A lotação máxima é de 450 pessoas. Não estão aqui nem 100 [à tarde, no dia de Sporting-Benfica]. Estamos em má altura do mês, até dia 25, 26. E depois só dura até 7, 8" – prossegue João Domingues. "Aqui só duas entidades ganham dinheiro: o Benfica e o Estado. Se um cliente aposta 10 euros e ganha 50, amanhã gasta o resto". Para ser lucrativa, cada sala tem de fazer pelo menos onze jogos por hora. Tempo é dinheiro.

Sezirando Gonçalves, 35 anos, é agente da PSP em Lisboa mas veio da Covilhã – onde vivem a mulher e a filha. "Nas festas da aldeia do Barco eu jogava loto. Quando vim para Lisboa, há dez anos, quis experimentar o bingo". De 15 em 15 dias, o agente Gonçalves despe a farda e, com os colegas, testa a sorte e bebe umas cervejas. "O máximo que ganhei foi 120 euros no bingo do Belenenses, mas dividimos o prémio por todos".

Carmen Almeida, 64 anos, está sempre bem-disposta. Vive a meia dúzia de passos do bingo do Atlético, em Lisboa, e não se importa de fazer este percurso duas vezes por dia. Afinal, é lá que encontra conversa. "E também gosto muito de jogar. Para mim, é uma distracção", diz a viúva. "À tarde venho um bocadinho, depois do jantar volto para beber um café. E acabo por jogar 20 euros por dia. Mas hoje já ganhei dois bingos [60 euros]. Ponho o dinheiro numa carteira à parte, só para jogar. Eu prescindo de bastantes coisas para estar aqui. Se me apetecer comprar uns sapatos digo: ‘hoje não, vou antes ao bingo’".

Para o delegado da direcção do Atlético, Jorge Fernandes, "o bingo não é tanto um jogo de vício. Para muitas pessoas é uma forma de se sentirem acompanhadas". Neste bingo, os cartões a 50 cêntimos vieram equilibrar as contas e até permitiram contratar mais três funcionários.

CRISE ARRASA O SECTOR

No Algarve, o bingo do Sporting Clube Olhanense é o único resistente à hecatombe que encerrou a porta da vizinhança. Lucro, só o conseguiram atingir no ano passado – ainda que a receita tenha sido 9,5 por cento inferior em relação a 2009. "Tivemos receitas positivas de cerca de 4 mil euros mensais, mas reduzimos de 28 para 12 funcionários e deixámos de pagar prémios de produção", explica António Gomes, delegado do director da concessão. "Queremos dar prémios novos, informatizar mais as salas, mas o Turismo de Portugal [entidade que gere os bingos] ainda se rege por regulamentos com 30 anos e não permite nada, ao contrário de Espanha. Eu não jogava no bingo nas condições em que está", desabafa.

No bingo da Académica de Coimbra convivem várias gerações. Os mais jovens entram e jogam para se divertirem. Já para os mais velhos, no bingo também se jogam relações. Há quem tenha começado para ganhar dinheiro, mas agora procure o bingo apenas pela amizade e companhia. "Chegam aqui muitas pessoas da terceira idade sozinhas. Nesses casos, o bingo funciona como um centro de convívio", explica o chefe de sala António Gonçalves.

Não é um cenário diferente de Lisboa nem do Porto. Os bingos da Invicta passam por momentos difíceis. Os 85 trabalhadores do Brasília e do Olímpia não se queixam da falta de clientes. Estão à beira do desemprego por abandono da empresa gestora.

A reacção dos funcionários foi ficar ‘ao serviço’ 24 horas por dia, mesmo que com as máquinas paradas. Os salários de Janeiro estão em atraso e também as prestações das casas. O mal afecta logo as famílias.

No Porto, há apenas mais dois bingos a funcionar: o do Boavista FC e o do Salgueiros – o segundo maior do País em receitas. Embora a crise já lhes tenha batido à porta. "As salas de bingo dos clubes de futebol menos endinheirados até geram boas receitas, mas acabam por ser atingidas pela crises dos mesmos clubes", explica o sindicalista da Hotelaria do Norte Francisco Figueiredo. No final de 2010, o FC Porto dispensou 23 funcionários e fechou as portas.

Na Nazaré, as maiores queixas são dirigidas "à grande carga fiscal". "Do valor de cada jogada, 64 por cento são para o estabelecimento e para impostos. Se não se reduzir a carga fiscal o sector vai continuar a perder clientes", considera o proprietário do Bingo da Nazaré, Amândio Santo. Até porque "quem queira jogar não precisa sair do sofá, basta ir à internet", acrescenta. Por isso, a alma do negócio é o ambiente familiar. Aos jogadores mais supersticiosos e clientes habituais da casa até lhes é permitida alguma descontracção. Foi o caso de uma nazarena, de meia idade, que fez questão de passar o cartão de jogo pelos genitais de um funcionário (caixa-volante) para lhe dar sorte. E não é que fez bingo?!

RECEITAS DAS SALAS DE BINGO / RECEITAS DE 2010 

Bingo do Belenenses (Clube de Futebol "Os Belenenses"), Lisboa: 10.004.579 euros / Perdeu 14,6% das receitas

Bingo do Salgueiros (Sport Comércio e Salgueiros), Porto: 9.362.640 euros / Perdeu 8,5% das receitas

Bingo Panda (Saviotti), Lisboa: 5.292.776 euros / Perdeu 11,9% das receitas

Bingo da Amora (Casa Pia de Lisboa), Amora: 5.684.412 euros / Receitas subiram 2,4%

Bingo de Almada (Ginásio Club do Sul de Almada), Almada: 3.935.818 euros / Perdeu 28,4% das receitas

Bingo do Boavista (Boavista Futebol Clube), Porto: 4.142.848 euros / Perdeu 20,7% das receitas

Bingo do Benfica (Sport Lisboa e Benfica), Lisboa: 4.438.788 euros / Perdeu 5,1% das receitas

Bingo Olympia (Sociedade Nortenha de Gestão de Bingos), Porto: 5.433.471 euros / Receitas subiram 39,9%

Bingo do Estrela Amadora (Clube de Futebol Estrela da Amadora), Amadora: 3.730.225 euros / Perdeu 2,6% das receitas

Bingo do Vitória de Setúbal (Vitória Futebol Clube de Setúbal), Setúbal: 4.137.340 euros / Receitas subiram 19%

Bingo do Jardim Zoológico (Jardim Zoológico SA), Lisboa: 2.572.842 euros / Perdeu 18,8% das receitas

Bingo do Oriente (Casa Pia de Lisboa), Lisboa: 2.936.395 euros / Perdeu 1,9% das receitas

Bingo do Atlético (Atlético Clube de Portugal), Lisboa: 2.496.754 euros / Perdeu 15% das receitas

Bingo da Amadora (Associação Académica da Amadora), Amadora: 2.101.628 euros / Perdeu 10,9% das receitas

Bingo da Académica (Sociedade Nortenha de Gestão de Bingos), Coimbra: 1.871.090 euros / Perdeu 15,2% das receitas

Bingo Brasília (Sociedade Nortenha de Gestão de Bingos), Porto: 2.210.664 euros / Receitas subiram 5,6%

Bingo do Dragão (Futebol Clube do Porto), Porto: 526.886 euros / Encerrou no final do 1.º trimestre Porto

Bingo de Odivelas (Odivelas Futebol Clube), Odivelas: 1.377.390 euros / Perdeu 3,7% das receitas

Bingo do Olhanense (Sporting Clube Olhanense), Olhão: 1.020.367 euros / Perdeu 9,5% das receitas

Bingo do Barreirense (Futebol Clube Barreirense), Barreiro: 529.471 euros / Perdeu 28,3% das receitas

Bingo da Nazaré (Amândio Santo), Nazaré: 516.898 euros / Perdeu 7,1% das receitas

Bingo Castelo Velho (Castelo Velho Lda.), V. Castelo: 47.984 euros / Perdeu 53,5% das receitas

Fonte: Associação Portuguesa de Bingos

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