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Elas têm cinquenta. E então?

Foram mães e algumas até já são avós. Passaram os quarenta e chegaram à idade em que se fala de coisas como menopausa e envelhecer. Os exemplos de Beatriz Rubio, Ana Mesquita, Alexandra Vasconcelos e Paula Moniz da Cunha. A beleza manteve-se e o sexo recomenda-se.

12 de março de 2017 às 01:30

Ter cinquenta anos hoje é diferente do que no passado. E mesmo que a passagem do tempo penalize mais as mulheres do que os homens, há cada vez mais mulheres sem medo de assumir a idade. E as curvas. Com mais ou menos desporto, com mais ou menos tratamentos estéticos a corrigir ou disfarçar o que quer que seja, as ‘cinquentonas’ ainda fazem parar o trânsito. E de que maneira.

Ginásio e marmita

Beatriz Rubio tem 51 anos e três filhos de 21, 19 e 11 anos. Uma carreira bem-sucedida na gestão, uma alegria contagiante e, onde quer que esteja, concentra em si todos os olhares. Mas nem sempre foi assim. "Quando era mais nova levava-me demasiado a sério. Vestia-me de uma maneira muito formal, de fato, em tons de cinzento e azul-escuro. Vim aos 28 anos para Portugal para um cargo de direção da L’Oréal. Depois, aos 30, passei a ser diretora de compras na Jerónimo Martins. Todos os dias passavam por mim milhares de produtos, milhares de euros. Mas também era uma pessoa muito jovem, insegura, com falta de autoestima. Daí querer parecer mais séria. Era uma líder muito autoritária e austera, tinha a mania da perfeição, mas era tudo por falta de autoconfiança. Quando cheguei aos 40, vivi a típica crise. Reconstruí- -me por dentro, formei-me em coaching e percebi algo que tem tudo a ver com a aparência jovem que possuo hoje: podemos ser alegres, divertidas, sinceras, sensuais que isso não tem nada a ver com o nosso profissionalismo. E uma pessoa verdadeira é sempre muito mais sensual". E tudo isso explica como é que Beatriz Rubio, CEO da Remax, se mantém linda aos 51 anos.  

Além da atitude, o segredo passa também pelo desporto. Atleta de competição na infância (esqui), também nadou sempre uma hora por dia. A isso se devem as suas esculturais pernas. "São sem dúvida o meu ponto forte. Nunca tive problemas de celulite. Por isso, mostro-as. A não ser que esteja a fazer uma conferência para muitos homens, porque então aí eles não vão ouvir nada!". Mas para manter os resultados da juventude vai ao ginásio todos os dias, durante uma hora ou mais. "Acabei com os almoços de trabalho. Vou ao ginásio nesse período, é um tempo só meu, depois almoço da marmita com a minha equipa e rimos imenso", revela.  

Não usa botox, nunca fez cirurgias, não faz tratamento estéticos com tecnologia estética: "Tenho muito medo das queimaduras na pele e, por outro lado, não preciso." Se sinto necessidade compro um creme melhor", garante. Mas prefere os óleos essenciais porque "são mais hidratantes que os cremes convencionais". E usa e abusa dos suplementos e antioxidantes. Todos os dias, toma cápsulas de vitamina D, C, Magnésio, Slénio e Ómega 3. Não bebe produtos lácteos e não consome glúten. O dia começa com um batido calórico mas saudável: uma banana, um abacate, uma maçã, um punhado de espinafres, brócolos, misturado com leite de arroz. Os lanches são gelatina e bolachas sem glúten e de resto faz refeições equilibradas com alimentos de todos os grupos, incluindo carnes e hidratos de carbono. Mesmo à noite.

E por falar em noites… serão mais escaldantes aos 50? "Quando a pessoa se sente mais segura e confiante, tudo é muito melhor."

Piropos aos 50 anos

Ana Mesquita sempre ouviu piropos na rua e não foi a idade a diminuir a frequência dos galanteios do sexo oposto. Tem cinquenta anos feitos em janeiro, mas corpo e cara de miúda que troca as voltas ao tempo.

"Até me rio com o que me dizem na rua. E quando são educados não me chateio, como um ‘bom dia, minha flor’ ou uma coisa pirosa desse género, ou aquela pessoa que pára e diz ‘Eh lá’ não me faz confusão", conta a artista plástica e ex-jornalista para quem a idade "nunca foi um problema". Ela própria muitas vezes perde a conta de ‘a quantas anda’.

"Eu com a estatura que tenho, com o aspeto que tenho, às vezes fico confusa, mas depois tenho de me encontrar… e encontrar novas formas de ter 50 anos num tempo em que é possível ter 50 anos e ter um ar de menina. As nossas mães e avós não podiam, era quase socialmente intolerável os cabelos compridos, por exemplo. Havia uma moral que as escondia."

Ana não se esconde atrás de roupas sem graça com medo de não ter piada. Assume os pontos fortes do corpo da mesma forma natural que explica as restrições que fez em nome da saúde, mais do que por medo de não caber na roupa. "Nos últimos anos comecei a evitar o açúcar e foi muito difícil. Fi-lo por ser um dos causadores do Alzheimer. Também deixei de beber café há muitos anos. Cheiro o café dos outros porque também isso me custa muito." A artista conta que herdou da família materna a juventude dos genes – "a minha mãe tem 70 anos e ainda parece uma miúda" – e que é de manhã que começa o dia : "Como alarvemente de manhã. Normalmente pão escuro de centeio, com manteiga, queijo, compotas que faço em casa, bananas, mangas, maçãs a fruta que houver, a meio da manhã faço mais um snack e como muito até à hora do almoço. Depois janto mais frugalmente, mas não janto mal. Faço ioga, é um trabalho quase de respiração. Comecei há dois anos a aprender canto e o canto e a respiração do ioga complementam-se. É todo um trabalho. Avançar nos anos e manter a saúde é o ideal para que a carcaça por fora, o edifício, se vá mantendo", explica. Sobre a pele, é perentória. "Tenho uma pele boa porque faço tratamentos no rosto com um dermatologista. Nunca fiz plásticas mas trato-me muito bem. Espero que o meu dermatologista dure tantos anos como eu, que é para me ir sempre tratando. Faço-o desde os 45 anos, e vou uma vez por ano". Ana Mesquita tem um filho de 17 anos, do primeiro casamento, e vive há uma década uma relação com o músico João Gil, com quem casou em 2010.

"O amor ajuda imenso. O amor é uma coisa que se constrói todos os dias, mas construir o amor com um homem tão especial como o João é ‘oh captain my captain’, é muito emocionante", partilha comovida. Outro segredo para não envelhecer, considera, é sair da zona de conforto. "Procuro desafiar-me. É difícil, preciso muita força de vontade, muita persistência, mas é uma adrenalina, e a realização profissional, quando está ligada à realização pessoal, é o equilíbrio perfeito. Mas o que nos torna mais felizes mesmo são as gargalhadas com os amigos."

E nem a menopausa retirou à artista plástica a sensualidade que sempre a caracterizou. "Chegou sem dramas, tenho alguns sintomas mas lido bem com eles, tenho um leque que se tornou o meu melhor amigo. Procuro é dormir mais do que dormia, sei que isso melhora a minha performance diária."

Sexo "sempre bom"

Alexandra Vasconcelos, dona das Clínicas Viver, tem 52 anos, 4 filhos, 3 enteados e é avó. Mas ninguém diria. Dorme oito horas por noite e nunca se deita depois da meia-noite. É contra a reposição hormonal sintética ("existem substitutos naturais", garante) e por isso não faz.

"O envelhecimento do homem é mais lento sem o sobressalto da menopausa, que acelera o envelhecimento na mulher. Por isso, o homem pode continuar a ter filhos até uma idade avançada, o que não é possível à mulher depois dos 50. Por outro lado, as mulheres têm maior esperança de vida. Existem muito mais mulheres centenárias do que homens", contextualiza João Gorjão Clara, médico e professor de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. "A menopausa tem também associado preconceitos como, por exemplo, o fim da vida sexual, que de facto não existem e o preconceito de que após a menopausa ‘não fica bem’ a mulher usar os adereços que sempre usou, vestir-se com todo o tipo de roupa de que gosta com as cores que ache que mais a valorizam", diz.

Nada que preocupe Alexandra Vasconcelos. Até porque o sexo, confessa, continua tão bom como dantes. "As hormonas mudam muita coisa, mas a menopausa é uma fase que se passa e pronto. Depois, acabou. O sexo é sempre bom, desde que a pessoa esteja bem. Ou seja, equilibrada de corpo e espírito."

Para isso, é vê-la apostar no seu grande segredo: o exercício. "Todos os dias faço pelo menos 20 minutos de exercício ,mas não frequento ginásios. Corro 15 minutos e depois faço passadeira e elíptica em casa, ou melhor, no ginásio do meu prédio, mas sempre ao som da música que geralmente são os meus filhos que escolhem. E esse é um dos grandes segredos. Dia em que não faço exercício sinto-me mais cansada, com menos energia e menos bem-disposta". E à mesa há certas condutas que a fazem sentir-se melhor: "Como pouco. Não como produtos lácteos, nem com glúten, praticamente não como alimentos cozinhados ou processados, nem carne. Ou melhor como carne e processados uma vez por semana, no almoço de família ao domingo, gostamos de fazer uma feijoada, sempre tentando optar por produtos saudáveis."

Muita água e um batido detox diário, sempre com brócolos ou couve chinesa, limão e frutos vermelhos. Os restantes ingredientes variam consoante "o que há no frigorífico".

Mas há outros truques que não se inibe de revelar: "Faço botox, ou melhor, equipamentos, mas mais por caráter preventivo. Na verdade, qualquer mulher a partir dos 30 anos devia fazê-lo. Também faço sessões de radiofrequência no corpo e no rosto, mas nunca fiz nem pensei fazer uma cirurgia plástica. Não sinto necessidade", frisa.

Alexandra sabe bem do que fala quando o assunto é envelhecimento. Há uns anos deixou de ser farmacêutica e fundou as ‘Clínicas Viver’, onde ajuda outras pessoas a viver melhor. E há algo que a experiência se encarregou de lhe mostrar que envelhece mesmo: "Viver o dia de amanhã em permanente angústia, quando o amanhã é precisamente aquilo que não podemos controlar. As pessoas que não vivem o presente, desgastam-se mentalmente e acabam por ter uma idade biológica superior à idade cronológica."

Desporto x 5 dias

Power Jump, Body Pump, Aeróbica, Step. Há poucas aulas de grupo no ginásio que Paula Moniz da Cunha não faça. Quando o tempo permite e a vontade aperta faz duas aulas de seguida, sempre depois do trabalho num hotel em Cascais, para descontrair o corpo e relaxar a mente. Não é sacrifício – é vontade – multiplicado por cinco dias da semana. "É mesmo a única rotina que tenho, só não faço desporto ao sábado e ao domingo. Na alimentação não faço muitas restrições, embora evite os refrigerantes, a doçaria tradicional – que não aprecio muito – e os molhos. Ao jantar também não como hidratos de carbono, mas não tenho grandes segredos", diz a gestora hoteleira de 50 anos – idade que ninguém lhe dá mesmo que tenha deixado em casa a maquilhagem.

Paula tem dois filhos, de 20 e 18 anos, e é a mais velha a levar para casa alimentos que a mãe vai experimentando. "Às vezes ponho sementes no iogurte, mas não vou atrás da maioria das modas. Também não abdico da carne e do peixe e vario bastante a alimentação", conta quem tem um segredo precioso: "Fujo das pessoas negativas e demasiado pessimistas. Sou otimista e não vejo o mau nem o péssimo das situações, prefiro ver o que cada situação tem de bom". Também nos parece um bom princípio.

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