As lojas entraram no período oficial, depois de mês e meio a fazer batota com as promoções. Com ‘stocks’ de tops e calções nas lonas, nas montras estão já agasalhos de Inverno, que só os turistas compram
O azul do céu e os luminosos raios de Sol de uma bonita manhã de Agosto contrastam com o preto e branco da nova colecção de Inver-no da Zara do Chiado. Entre os milhares de transeuntes que passeiam por aquela zona de Lisboa, conhecida por ser um centro aglotinador do comércio alfacinha, poucos são os que se detém em frente das enormes montras enfeitadas com as novas propostas de moda. A ideia de mudar de guarda-roupa parece deixada para mais tarde, quando o frio apertar e for preciso começar a pensar em agasalhos.
Carla Alexandra, 27 anos, gerente da secção masculina desse estabelecimento, encara as reduções como o resultado da crise existente no sector e uma necessidade de acompanhar a atitude por parte das outras multinacionais: “Já o ano passado tinhamos optado pelo mesmo calendário – outros comerciantes desta área têm feito o mesmo –, com as reduções a anticiparem, em muito, o período de saldos”. Segundo Carla, os preços baixos cativam acima de tudo o público português, enquanto os turistas aproveitam e compram roupa para o Inverno.
A antecipação dos saldos através das politicamente correctas ‘reduções’ provoca algumas reticências quanto ao futuro do comércio tradicional. Carla Salcinha, presidente da Associação de Comerciantes de Moda, mostra-se preocupada com o actual sistema, que tende a matar o vendedor português desta área. “Isto é um retrato da crise económica que atravessamos, muito visível no comércio de moda por tratar-se de um bem não essencial (e sazonal), do qual o público abdica quando não há dinheiro”, explica pouco antes de considerar bizarro o facto de em pleno Verão estarem já nas lojas as colecções de Inverno, algo mais ligado ao clima de países nórdicos do que ao português, “onde em Outubro ou Novembro ainda temos mais de 20 graus de temperatura”.
Segundo esta mulher habituada a ouvir as queixas daqueles que não se inserem num forte grupo multinacional, existe hoje uma “loucura pelas reduções de preços, estratégia trazida pelas grandes cadeias de moda, que qualquer dia fará com que os saldos sejam períodos nos quais a roupa vai ser dada, porque já ninguém lhe pega”.
Com uma proposta de alteração de lei ‘chumbada’ pela Secretaria de Estado de Comércio e Indústria – que previa a limitação dos períodos de reduções -,
a Associação de Comerciantes de Moda tenta a todo o custo um diálogo político que se tem mostrado impossível, pois “ao abrigo das normas da União Europeia, dizem-nos não existir forma de mudar o calendário actual e somos obrigados a cumprir regras que tendem a desvirtuar o comérico tal como o entendiamos até há alguns anos”, revela a dirigente.
Visivelmente triste com o rumo dos acontecimentos, Carla Salcinha acaba mesmo por confessar não ter esperanças quanto a uma alteração da conjuntura, adiantando: “duvido que o comércio tradicional ligado ao vestuário consiga sobreviver a tudo isto, dado não ter capacidade económica para competir com poderosos grupos económicos”. nO azul do céu e os luminosos raios de Sol de uma bonita manhã de Agosto contrastam com o preto e branco da nova colecção de Inver-no da Zara do Chiado. Entre os milhares de transeuntes que passeiam por aquela zona de Lisboa, conhecida por ser um centro aglotinador do comércio alfacinha, poucos são os que se detém em frente das enormes montras enfeitadas com as novas propostas de moda. A ideia de mudar de guarda-roupa parece deixada para mais tarde, quando o frio apertar e for preciso começar a pensar em agasalhos.
Carla Alexandra, 27 anos, gerente da secção masculina desse estabelecimento, encara as reduções como o resultado da crise existente no sector e uma necessidade de acompanhar a atitude por parte das outras multinacionais: “Já o ano passado tinhamos optado pelo mesmo calendário – outros comerciantes desta área têm feito o mesmo –, com as reduções a anticiparem, em muito, o período de saldos”. Segundo Carla, os preços baixos cativam acima de tudo o público português, enquanto os turistas aproveitam e compram roupa para o Inverno.
A antecipação dos saldos através das politicamente correctas ‘reduções’ provoca algumas reticências quanto ao futuro do comércio tradicional. Carla Salcinha, presidente da Associação de Comerciantes de Moda, mostra-se preocupada com o actual sistema, que tende a matar o vendedor português desta área. “Isto é um retrato da crise económica que atravessamos, muito visível no comércio de moda por tratar-se de um bem não essencial (e sazonal), do qual o público abdica quando não há dinheiro”, explica pouco antes de considerar bizarro o facto de em pleno Verão estarem já nas lojas as colecções de Inverno, algo mais ligado ao clima de países nórdicos do que ao português, “onde em Outubro ou Novembro ainda temos mais de 20 graus de temperatura”.
Segundo esta mulher habituada a ouvir as queixas daqueles que não se inserem num forte grupo multinacional, existe hoje uma “loucura pelas reduções de preços, estratégia trazida pelas grandes cadeias de moda, que qualquer dia fará com que os saldos sejam períodos nos quais a roupa vai ser dada, porque já ninguém lhe pega”.
Com uma proposta de alteração de lei ‘chumbada’ pela Secretaria de Estado de Comércio e Indústria – que previa a limitação dos períodos de reduções -,
a Associação de Comerciantes de Moda tenta a todo o custo um diálogo político que se tem mostrado impossível, pois “ao abrigo das normas da União Europeia, dizem-nos não existir forma de mudar o calendário actual e somos obrigados a cumprir regras que tendem a desvirtuar o comérico tal como o entendiamos até há alguns anos”, revela a dirigente.
Visivelmente triste com o rumo dos acontecimentos, Carla Salcinha acaba mesmo por confessar não ter esperanças quanto a uma alteração da conjuntura, adiantando: “duvido que o comércio tradicional ligado ao vestuário consiga sobreviver a tudo isto, dado não ter capacidade económica para competir com poderosos grupos económicos”.
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