Lutador de sumo Carlos Neves não volta a representar Portugal.
Aos 34 anos, Carlos Neves – o lutador de sumo português de maior projeção de sempre – decidiu bater com a porta e não voltará a representar Portugal nas competições internacionais.
Recentemente regressado de Osaka, Japão, onde se deslocou para participar no Campeonato do Mundo de Sumo, diz que está farto de pagar para competir em nome do País. "Gastei mil e quinhentos euros para levar a bandeira portuguesa ao Japão e, com a minha idade, é tempo de parar e começar a pensar um bocadinho mais em mim."
Com planos para casar-se no ano que vem, o atleta – que mede 1,90 m e pesa 180 quilos – não tenciona, porém, deixar de praticar sumo, a modalidade pela qual se apaixonou em 1999 e nunca mais largou. Passará a competir a título pessoal ou em representação da sua escola de sumo, que vai reabrir em outubro, na Marinha Grande.
Profissionalmente não lhe faltam alternativas. Além de professor e treinador, o atual vice-presidente da Federação Portuguesa de Sumo trabalha como desenhador e projetista de moldes e tem uma empresa de animação infantil. Mas não pode esquecer que, para trás, fica uma carreira de 16 anos – onze como internacional – que lhe saiu, literalmente, dos bolsos.
"Quero ter filhos a médio ou curto prazo e não posso continuar a pedir à minha família que abdique de um terço do meu rendimento anual para que eu faça deslocações ao estrangeiro", explica, algo desiludido. Reconhecimento e aplausos continua a receber, mas na rua, de anónimos. Das instituições, só o silêncio.
"NÃO SOMOS OBESOS"
Nascido em 1981 na Marinha Grande, Carlos Neves começou a interessar-se pela cultura japonesa por influência de um tio que praticava artes marciais. Ele próprio praticante de vários desportos – fez hóquei em patins, andebol, râguebi –, tinha 19 anos quando um amigo lhe disse, "na brincadeira", que "estava tão gordinho que devia praticar sumo...". "Com um metro e noventa pesava 105 quilos e achei que até podia ser boa ideia. No mesmo dia em que fui à Federação Portuguesa de Sumo fui também apresentar-me à inspeção militar", recorda. "Fui chumbado. Era demasiado grande!"
No sumo, decidiu engordar ainda mais, mas garante que não é imprescindível para se fazer um bom percurso nesta arte. Ao contrário do que vulgarmente se acredita, os lutadores não têm de pesar muito, embora o mais pesado da atualidade chegue aos 240 quilos (o russo Alan Karaev) e o mais pesado de sempre, o americano Emmanuel Yarborough, tenha o nome inscrito no ‘Livro do Guinness dos Recordes’: chegou a pesar 323,6 quilos. Mas há lutadores com 70 quilos (são chamados de pesos leves).
Carlos Neves fotografado com Alan Karaev, o lutador de sumo mais pesado da atualidade
Dos 80 aos 115 são os pesos médios, e de 115 para cima, os pesos pesados. Outro mito que Carlos Neves insiste em desfazer é o de que os lutadores de sumo não sejam saudáveis. "Não somos obesos, como muita gente pensa", garante. "Com todo este peso, eu faço a roda e a espargata. Além disso, quando comecei estava a usar a bomba para a asma todos os dias e desde 2000 que não lhe toco."
No percurso do português chegou a colocar-se a hipótese da profissionalização quando, em 2005, foi convidado a fazer testes no Japão – o único país no Mundo onde essa via existe. Infelizmente, o convite chegou com uma semana de antecedência e, na altura, Carlos Neves não tinha a disponibilidade financeira para fazer a viagem.
Não o lamenta. Diz que "não podemos viver a vida a olhar para trás", mas reconhece que as coisas poderiam ter sido muito diferentes se tivesse ido. Na hora de olhar em frente, dá-se por satisfeito com o que conseguiu alcançar: chegou aos oitavos de final num Campeonato Mundial e foi quarto classificado num Europeu. Sai para formar os próximos grandes valores do sumo português e para constituir família. E, para já, conquistou para a modalidade a própria noiva. "Está interessada na modalidade e se conseguir abrir a escola, quer ser a aluna nº 1!"
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