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Fernando Tordo: "Entram pobres, tristes, deprimidos..."

...Entram cinzentões" seriam versos de uma nova versão da ‘Tourada’, tema que Tordo levou à Eurovisão em 1973. De partida para o Brasil, para onde emigra, o cantautor lamenta a falta de uma cultura de mérito.

25 de fevereiro de 2014 às 19:07

Nasceu em Lisboa, "A 29 de março de 1948 na rua Feio Terenas", precisa a biografia no site oficial. Começou a cantar aos dez anos no coro do Colégio Moderno, aprendeu guitarra e iniciou a carreira profissional em 1965, no grupo Os Deltons. O resto é uma história bem conhecida de sucessos a solo, em que deu voz a belos poemas do seu amigo Ary dos Santos. além de compositor e letrista, é também pintor.

A mensagem no Facebook de Fernando Tordo apanhou os seus fãs de surpresa: "Regressei há dias do Brasil, para onde agora vou viver e trabalhar. Uma coisa não vai sem a outra, e a vida aqui no meu País, ao fim de 50 anos de profissão, tornou-se impossível, sem trabalho. Mas vou sem amargura, sem tristeza..." O cantautor explicou detalhadamente as várias razões que o fizeram partir - e foi na última terça-feira que apanhou o avião para o Recife, onde vai viver. Explica que tem por objetivo "tratar de conseguir uma maior aproximação entre artistas e artes de dois países que têm um relacionamento desigual partilhando a mesma língua" e promete voltar em breve para fazer concertos, até porque está prestes a celebrar os 50 anos de uma carreira dedicada à música.

*A resposta escolhida aparece sublinhada

Está de partida para o Brasil. Explicou porquê: "Passou a ser insultuoso, ao fim de 50 anos de carreira, ter de procurar trabalho desta maneira, ter de viver quase precariamente. Não, muito obrigado. Vou-me embora. Mas satisfeito." O que o faria voltar?

a) Um governo competente com ideias para fazer o País desenvolver-se

b) Uma sociedade que encarasse a cultura como um bem de primeira necessidade

c) Um país que promovesse o mérito e estimasse os que provaram ser bons

O que tem o Brasil que não encontra em Portugal?

a) Abertura às ideias e respeito pelos criadores

b) Uma alegria de viver que dispensa o medo de se ser feliz

c) Um país do tamanho de um continente que ama a língua portuguesa

Que versos poderiam entrar hoje numa versão 2014 da ‘Tourada’?

a) Entram troikas, taxas e impostos/ Entram prestações

b) Entram cunhas, tachos e poleiros/ Entram canastrões

c) Entram pobres, tristes, deprimidos/ Entram cinzentões

O que imagina que lhe vai despertar saudades de Portugal?

a) A cozinha portuguesa, com todos os seus encantadores excessos

b) Um certo jeito que temos para nos rirmos de todas as desgraças

c) A luz, as paisagens, os contrastes entre regiões

d) Outra hipótese: de muita gente

Que versos do seu amigo José Carlos Ary dos Santos poderiam servir para descrever o estado do País?

a) Porquê esperar, porquê, se não se alcança/ Mais do que a angústia que nos é devida? (Soneto)

b) Desbaratamos deuses, procurando/ Um que nos satisfaça ou justifique (Ecce Homo)

c) Este mar não tem cura este céu não tem ar/ nós parámos o vento não sabemos nadar (Meu amor, meu amor)

Foi um dos artistas que marcaram a época dourada dos Festivais da Canção. Quando olha para os concursos de talentos das televisões portuguesas, ocorre-lhe pensar que…

a) Poucos são originais. Só sabem imitar

b) Vendem-se ilusões a jovens que até têm talento

c) São programas de entretenimento, não dramatizemos

O seu filho, João Tordo, é um dos escritores mais aclamados da nova geração. Um facto que o faz pensar que…

a) O Tordo que fica em Portugal é um orgulho para a língua portuguesa

b) Espero por ele no Brasil, onde há 200 milhões de leitores

c) Ainda hei de musicar um texto dele

Além da música, também se dedica à pintura. Que quadro gostaria de ter na sua sala de estar?

a) ‘Guernica’, uma pintura de Picasso em forma de revolução

b) ‘Procissão Corpus Christi’, monumento estético de Amadeo de Souza-Cardozo

c) ‘No 14’, e as cores desconcertantes de Mark Rothko

Em 2014 passam 40 anos sobre o 25 de Abril. Que revolução ficou por fazer?

a) Que o interesse público estivesse à frente dos interesses dos partidos

b) Que os cidadãos se empenhassem em causas e fossem mais exigentes

c) Que se acabasse com a inveja, a maledicência e o bota-abaixo

Escreveu na mensagem em que anuncia a sua partida: "Nunca poderei agradecer o amor incondicional que ao longo de meio século milhares de pessoas me deram." Ainda assim, que prenda lhes poderia dar?

a) Um novo disco, gravado no Brasil

b) A certeza de que regressarei aos palcos portugueses

c) A divulgação da nossa música do lado de lá do Atlântico

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