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Correio da Manhã

Domingo
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Flores no prato

A moda das flores comestíveis veio para ficar. São muitas as receitas com rosas, amores-perfeitos, mimosas e hibiscos
5 de Maio de 2013 às 15:00

E se alguém lhe oferecer um prato de flores não estranhe. A moda das flores comestíveis está a fazer furor em Portugal. São muitas e de várias cores as pétalas que têm lugar à mesa. Desde as elegantes rosas, passando por cravos,cravinas, calêndulas, capuchinhas, amores–perfeitos,violetas, até às mais campestres, como alecrim, tomilho e alfazema, explica Fernanda Botelho, que há quase duas décadas se dedica a este tema. As receitas são também elas variadas: refresco com flor de sabugueiro, panquecas com flor de madressilva, salada com amores-perfeitos, bolo de alfarroba decorado com flores de borralho e calêndulas, glacê com rosas, merengue com frutas e mimosas, mousse de hibisco. De tudo um pouco se encontra em livros especializados, páginas avulsas na internet ou nos cardápios de restaurantes mais ousados.

O fenómeno começou nos Estados Unidos e no Brasil, foi importado pelo Norte da Europa e ganha força entre nós. Nos workshops que ministra, um pouco por todo o País, Fernanda Botelho encontra sobretudo "mulheres". Mas começamasurgirtambém "chefs e futuros produtores, pessoas que andam à procura de um mercado ligado à terra e acreditam que as ervas aromáticas ou as flores comestíveis podem ser um mercado interessante em Portugal".

E a verdade é que o clima de Portugal ajuda a criar produtos de qualidade. "Temos muitas horas de sol, o que garante a produção de óleos nas flores", frisa a especialista, sobre um negócio – de agricultura biológica – que tem crescido cerca de 20 por cento ao ano.

SABOR DA NATUREZA 

SABOR DA NATUREZA 

Foi precisamente a proximidade de uma vida no campo e 17 anos passados em Inglaterra, a trabalhar com ervas aromáticas, que incutiram em Fernanda Botelho o amor por tudo o que surge da natureza. Daí às flores comestíveis foi apenas um pequeno passo. "Estudei e escrevo sobre plantas medicinais e aromáticas e nos workshops que faço começaram a fazer perguntas sobre flores comestíveis", frisa. Decidiu então explorar uma área pouco conhecida, fez formação com Jakke McVicor, autora do livro ‘Cookingwith Flowers’, e aplicou a experiência em Portugal.

Ao contrário de países como Japão, Itália e França – onde as flores sempre estiveram presentes na alta cozinha –, em Portugal não existe tradição. Durante séculos, a experiência limitava-se às "rosas e violetas cristalizadas", lembra Fernanda Botelho, que no século XIX eram oferecidas como um galanteio. E ainda hoje "as flores comestíveis chegam às mesas de quem tem gosto requintado", frisa.

"Por hábito, come-se os grelos e pouco mais. Os velhotes acham estranho eu usar as flores das couves, que eles não aproveitam. As flores comestíveis são mais usadas em pratos gourmet, requintados, para ter novas experiências a nível da textura e educar o paladar."

À Domingo, o Movimento Novos Rurais, que reúne jovens agricultores e produtores, lembra que "os brócolos, a couve--flor e a alcachofra são flores que nos habituámos a considerar comestíveis" e não como ornamentais. Hoje, o que se procura são novas experiências: "Depois da visão, do olfato e até do tato, é a vez do paladar usufruir das propriedades do gerânio, da violeta ou da capuchinha, entre outras flores".

No entanto, quem se aventura nestas experiências deve estar atento à qualidade do produto e "nunca comprar nas floristas flores para comer. Estas encontram-se em lojas especializadas e mercados biológicos", frisa Fernanda Botelho.

Também os NovosRurais alertam para o perigo de ingerir flores "cultivadas com o recurso a produtos químicos muito prejudiciais à saúde. Uma rosa comestível é diferente. Adquire-se em produtores especializados, que respeitam os processos adequados ao cultivo de produtos alimentares".

De norte a sul do País começam a surgir produtores e pontos de venda especializados. No mercado do Fundão ou no biológico do Príncipe Real, emLisboa, são várias as bancas com ofertas interessantes. Também a Quinta do Poial, em Azeitão, tem produção própria.

UMA MESA DIFERENTEUma mesa diferente

Ao contrário de países como Japão, Itália e França – onde as flores sempre estiveram presentes na alta cozinha –, em Portugal não existe tradição. Durante séculos, a experiência limitava-se às "rosas e violetas cristalizadas", lembra Fernanda Botelho, que no século XIX eram oferecidas como um galanteio. E ainda hoje "as flores comestíveis chegam às mesas de quem tem gosto requintado", frisa.

"Por hábito, come-se os grelos e pouco mais. Os velhotes acham estranho eu usar as flores das couves, que eles não aproveitam. As flores comestíveis são mais usadas em pratos gourmet, requintados, para ter novas experiências a nível da textura e educar o paladar."

À Domingo, o Movimento Novos Rurais, que reúne jovens agricultores e produtores, lembra que "os brócolos, a couve--flor e a alcachofra são flores que nos habituámos a considerar comestíveis" e não como ornamentais. Hoje, o que se procura são novas experiências: "Depois da visão, do olfato e até do tato, é a vez do paladar usufruir das propriedades do gerânio, da violeta ou da capuchinha, entre outras flores".

No entanto, quem se aventura nestas experiências deve estar atento à qualidade do produto e "nunca comprar nas floristas flores para comer. Estas encontram-se em lojas especializadas e mercados biológicos", frisa Fernanda Botelho.

Também os NovosRurais alertam para o perigo de ingerir flores "cultivadas com o recurso a produtos químicos muito prejudiciais à saúde. Uma rosa comestível é diferente. Adquire-se em produtores especializados, que respeitam os processos adequados ao cultivo de produtos alimentares".

De norte a sul do País começam a surgir produtores e pontos de venda especializados. No mercado do Fundão ou no biológico do Príncipe Real, emLisboa, são várias as bancas com ofertas interessantes. Também a Quinta do Poial, em Azeitão, tem produção própria.

UMA MESA DIFERENTEUma mesa diferente

Para levar à mesa pode escolher-se flores cultivadas ou espontâneas. "Há muitas variedades e normalmente não se cozinham,servem-se cruas, pois ao serem cozidas as flores perdem a graça", adianta Fernanda Botelho.

Além das vantagens ornamentais, da textura e do sabor evidentes que se encontram nas flores comestíveis, algumas têm propriedades "medicinais", lembra a especialista ,dando como exemplo as violetas, "desde sempre usadas para acalmar a tosse", as calêndulas, "que tratam problemas de pele", a flor de camomila, "que acalma", e a flor do alecrim, "excelente para a memória".

A estas soma-se a rosa, uma das flores mais usadas na culinária mundial. Conhecida desde o século X, quando os persas exportavam água de rosas usada como aromatizante em bolos e biscoitos, é também popular graças à ‘tempura de pétalas de rosas’, uma entrada rica em vitaminas, e ao fruto de ‘rose hips’, fonte de vitamina C, usado na confeção de geleias, chás, xaropes, molhos e vinagres.

Os Novos Rurais destacam ainda outra sflores, como"a capuchinha, que é decorativa, levemente picante e rica em vitamina C; o amor-perfeito, a que são atribuídas propriedades diuréticas, usado em saladas e sobremesas", e ainda "a begónia, a tulipa, a alfazema e o gerânio". Aos cursos e livros que edita, Fernanda Botelho espera vir a acrescentar "uma roda de sabores para as flores". Para a especialista, as flores "têm um sabor aveludado, adocicado, mentolado, pode ser amargo e depois doce, repleto de nuances muito subtis".

A vantagem primeira "é educar o paladar, alargar o nosso espetro de sabores,reeducar as nossas papilas gustativas". Além disso, "comer flores é cultura", diz a especialista.

E acrescenta: "É possível fazer uma viagem ao mundo dos sabores e apreender que afinal há mais do que aquilo a que estamos habituados, as carnes, os peixes, os legumes, as hortaliças, as frutas…" D

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Colocadas em cuvetes, flores de alecrim ou alfazema dão sabor e ornamentam cubos de gelo

No livro ‘Salada de Flores’, Fernanda Botelho ensina receitas aos mais pequenosl

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