Em 1979, Fernando Inácio Gil alertava para a situação dos retornados. Ainda hoje luta pelo ressarcimento dos bens perdidos pelos portugueses que vieram de África. Uma entre trinta histórias que o voltam a ser
1979
Meio milhão de portugueses tinha regressado das ex-colónias ultramarinas. Não foi fácil encontrar trabalho e condições de vida digna. Natural de Moçambique e a prestar serviço no Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais, Fernando Inácio Gil – que, em 1975, coordenara a ponte aérea entre Lisboa e Luanda – sustentava, em 1979, ser 'falsa a afirmação de integração total'. Trinta anos depois, 'o que mais dói' a Fernando Gil, septuagenário, é 'o não pagamento da indemnização dos bens'. Não é sequer uma dor pessoal pois, sendo militar e requisitado para o serviço público, entretanto reformado, a vida não lhe correu mal. 'É pelos outros, os que em África construíram uma casa e a arrendaram para garantirem a reforma numa altura em que não havia Segurança Social.'
1980
Chamava-se ‘Tollan’ e precipitou anedotas, baptismos de estabelecimentos e alcunhas. Fernando Miranda Gomes comandava o porto de Lisboa quando o navio inglês colidiu com o sueco ‘Barrancuda’ junto ao cais do Jardim do Tabaco. 'Estava cheio de contentores . Os que estavam no convés foram logo apanhados. Traziam frangos! Lá andavam a descongelar no rio. Às tantas o navio virou-se'. Então em final de comissão, em vinte dias passou à reserva. Foi o tempo entre o ‘Tollan’ encalhar e virar completamente junto ao Terreiro do Paço. Antigo capitão do navio ‘Sagres’, Miranda Gomes, 85 anos, reformou-se em 1991. Está em casa, em águas de descanso.
1981
Os anos debruçado sobre as guitarras portuguesas não perdoam. O mestre Gilberto Grácio, 74 anos, tem consulta de ortopedia à tarde mas, quando regressar do hospital, passa pela oficina, em Agualva-Cacém. As mãos de Grácio deram forma ao instrumento idealizado por Carlos Paredes: o guitolão. Hoje, o construtor de guitarras reparte o tempo entre as brincadeiras com os netos, reparação de instrumentos e a orientação dos aprendizes.
1982
Então mecânico emigrado na África do Sul, João Camarada, hoje com 68 anos, voou para Portugal para visitar a mãe. Correu o Algarve de fio a pavio desde o cabo de São Vicente. 160 km para preparar as pernas para a travessia dos EUA, de Los Angeles a Nova Iorque. 'Quis acabar assim o hobbie de corredor de fundo.' De 15 de Março a 19 de Maio de 84 cumpriu o sonho. Em 85, novo desafio: 24 horas a correr em Vila Real de Santo António. De uma prova seguinte, em Tróia, trouxe uma ruptura muscular. E uma evidência. 'Isto está no fim.' Regressado de vez em 2000, trocou os calções pela pesca.
1983
'Eram quatro ou cinco mil pessoas' concentradas em frente ao Parlamento, exigindo o cumprimento de uma promessa eleitoral: a restauração do concelho de Vizela. 'Esta luta começou em 1964, no tempo de Salazar.' Manuel Campelos percorreu milhares de quilómetros entre Vizela e a capital e de regresso, alimentado por uma ideia – o poder local é exercido ao nível dos municípios. Deve ser verdade que a experiência do combate traz juventude: há uma nota de frescura na voz de Campelos, de 85 anos. É uma referência para os vizelenses que, em 1998, ganharam a autarquia.
1984
No mesmo dia em que salvou um amigo das chamas, o coração do pai não resistiu à emoção. Morreu enquanto chamavam herói àquele miúdo franzino com queimaduras de gente grande. 'Lembro-me de tudo. Curei-me das queimaduras na cara. Graças a Deus, só marcas nos ombros. Estava quase sempre com esse rapaz. Agora contactamos esporadicamente', recorda Luís Rodrigues, nascido num contexto humilde que cedo o obrigou a 'ganhar uns tustos'. Com doze anos já carregava caixas de fruta na praça. Depois, acartou sardinhas. Aos 17 anos foi 'procurar vida na restauração. Entrava às nove e saía às onze da noite'. Há 13 anos transitou para Monchique. É n’O Fernando que o homem feito de 36 anos, crente de que 'há vidas piores', continua a servir simpatia à mesa.
1985
Um dia depois do choque entre dois comboios na Linha da Beira Alta, em Alcafache, que provocou mais de cem mortos, Américo Borges chorou perante os repórteres do CM. Quase 24 anos depois, para o então comandante dos Bombeiros de Canas de Senhorim, que liderou as operações de socorro, continua a ser difícil segurar as lágrimas. É médico de clínica geral no Centro de Saúde de Carregal do Sal e no INEM de Viseu. Deixou os bombeiros.
1986
A Naturopatia era tão exótica como a ameaça do VIH. Antero Patrício Nunes abordou e cruzou os temas num colóquio na Associação Vegetariana Portuguesa. Prescreveu beterraba e limão para combater o flagelo. Aqui vai a receita: mais legumes e cereais, menos carne. 'Se seguirmos esta orientação, é infalível. Tenho lidado com vários casos'. Aos 69 anos mantém a convicção. A vertente alternativa ganhou fôlego. O seu gabinete biológico em Queluz funcionou até à última semana. O naturopata acaba de ser reformar. Antero dedica-se agora à poesia.
1987
O julgamento de Vítor Jorge, o bancário da Marinha Grande que matou sete pessoas, nunca mais saiu da memória do advogado Alves Cardoso, que representou uma das vítimas do homicida. 'Uma imagem terrível da minha cliente marcou-me muito.' Ela foi morta à paulada, na praia do Osso da Baleia, como os outros quatro jovens. O julgamento foi 'um ‘espectáculo’, muito mediatizado, não só pelo caso em si mas também por ter um tribunal de júri. Um caso destes, se fosse hoje, ganharia uma dimensão ainda maior, pelo menos semelhante ao Freeport'.
1988
A tragédia cheirava a fumo naquele Agosto quente. Um odor que Leonor quase consegue ainda hoje, vinte anos depois do incêndio do Chiado, cheirar. As chamas levaram-lhe o marido, Mário Vidal, e a casa onde moravam na rua do Carmo. As queimaduras que sofreu não lhe escaldaram a saúde nem a boa disposição. Tem 97 anos, vive sozinha na Baixa lisboeta e não é o boletim meteorológico que a afasta da rua. Nem o relatório médico. 'Tenho a saúde de uma mulher de 40 anos, se não fossem as pernas...' Amparada na bengala, não resiste a 'uma voltinha' e a 'dois dedos de conversa'.
1989
A 21 de Abril de 1989 foi dada a António Ramos, e aos que com ele entraram no Ministério da Administração Interna para entregar um memorando ao ministro, 'voz de prisão'. Pela janela, viu os elementos do Corpo de Intervenção dirigirem os jactos de água aos colegas que, concentrados no Terreiro do Paço, reclamavam o direito a um sindicato. De um lado e do outro havia homens com farda – uns secos e outros molhados. Já passaram 20 anos, ao longo dos quais António Ramos manteve a causa sindical ao peito, junto ao crachá. Reeleito para a direcção do Sindicato dos Profissionais da Polícia, António é pai de um agente da PSP.
1990
Bento Guerreiro Gemas, ou ‘Mestre Bento’, 68 anos, recorda os tempos 'de muita paixão' ao leme das tesouras. Um AVC ditou a despedida do seu salão de cabeleireiro no ano 2000. Voltou às raízes no concelho de Serpa. Fez-se agricultor e agora entretém-se no jardim. A casa que deu brado abriu as portas em 85, no Amoreiras Shopping. Com distinções nacionais, Bento, que após a quarta classe rumou a Lisboa para 'fazer a vida', fez as páginas centrais do jornal pelo engenho no tratamento da calvície. 'Até fui buscar um produto à Alemanha, de origem indiana, que funcionava. E funciona'. Em salão de ferreiro, espeto de ferro. 'Tenho um cabelo muito bom. Até podia lavá-lo com sabão azul e branco'.
1991
Aos oito anos, Ruben Filipe descobriu pelos recortes dos jornais aquilo que os pais preferiam contar-lhe 'quando tivesse mais uns anitos'. Fora raptado na maternidade do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, por uma falsa médica, 28 horas depois de ter nascido, e recuperado seis dias depois. 'Quando me lembro disso que me aconteceu, até me passo da cabeça.' Ruben tem 17 anos. Vive na Islândia desde 2006, com os pais, Ana Isabel e Manuel, que conhecem momentos penosos desde que a crise económica tropeçou no território. O pai de Ruben perdeu o emprego mas o filho encontrou ocupação dentro e fora das quatro linhas. É avançado no Knattspyrnufélagið Valur, clube da primeira divisão islandesa, e empregado num restaurante de comida mexicana.
1992
A vida desfez-se num momento. Maria Rosa Nicolau Trindade soube da notícia numa padaria, em Alvor. O avião que lhe trazia o filho António, de 33 anos, a nora e o neto, de nove meses, da Holanda acabara de se despenhar ao aterrar em Faro. Naquela manhã de 21 de Dezembro, Rosa começou um choro interminável. 'Nada sabe bem. Nunca mais fui à praia. E quase todos os dias vou ao cemitério'. Dezasseis anos passados sobre a tragédia, Rosa, 75 anos, continua a sofrer.
1993
Era a única coisa que sabia fazer. Ser mineiro. Ele e 'os outros garotos' que 'aos 14, 15 anos' sabiam de cor o caminho das minas da Panasqueira, na Covilhã. Em 1993, quando o desemprego desceu à mina, a primeira preocupação de José Maria Isidoro foi a família, que dependia do magro salário. Fez biscates, 'noutros ofícios', mas só voltou a ter salário certo em 1998, quando regressou às mesmas minas de onde tinha saído. Tornou-se dirigente sindical 'para defender os direitos dos mineiros' e em 2004, aquando de nova crise no sector, fez pressão para garantir salários. Tem 53 anos, reformou-se há um, mas o sindicato continua a precisar dele. 'Não deixo nada a meio.'
1994
'Ainda hoje conhecem na rua o tipo da ponte'. A ‘25 de Abril’ colou-se mais à imagem de Aristides Teixeira do que o trabalho em televisão, onde se estreou no final dos anos 70 e onde ainda cumpre funções na direcção de produção da RTP. Em tempos de um 'governo arrogante' de Cavaco Silva, o presidente da Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril mobilizou o célebre buzinão. A Associação ainda vive. Manifestou-se contra o aumento dos combustíveis e quando Mário Lino disse que a Margem Sul era um deserto. Aos 49 anos, Aristides tem fé na utopia, impulsionado pela vitória de Obama nos EUA. Após a candidatura à Presidência da República, em 95, prepara agora nova candidatura.
1995
Palmeta. É este o nome do peixe que, em 1995, originou uma ‘guerra’. Aníbal Veiga, capitão do pesqueiro ‘Pascoal Atlântico’, esteve lá, sob os holofotes dos helicópteros mobilizados pelas forças armadas canadianas para intimidar os pescadores após o arrestamento de um navio espanhol. Foram dias e noites de pressão, em contacto permanente com o armador que, a partir da Gafanha da Nazaré, lhe pedia que 'não abandonasse o barco'. O capitão assim fez e ainda hoje segue ao leme do ‘Pascoal Atlântico’. Ibéricos e canadianos entenderam-se. Os primeiros admitiram que talvez tivesse existido alguma sobrepesca. Os outros que tinham exagerado ao mobilizarem militares contra homens do mar.
1996
De tanto teimar na tela, um coração valeu a Pedro Tudela, 45 anos, o Prémio Almada Negreiros atribuído pela MAPFRE. Em 96 começava já a desenvolver o seu trabalho como artista sonoro, rasgando terreno em diferentes plataformas, alheio a galardões. 'Sou formado em pintura mas sempre trabalhei com diferentes tecnologias'. Projectos com óleo, instalação, multimédia, programas de rádio. Com ateliê no Porto, é na qualidade de cenógrafo que o seu nome surge associado ao espectáculo ‘Transacções’, estreado esta semana no Teatro Maria Matos. 'A peça reflecte questões do mercado da arte'. Nem de propósito, tudo gira em torno de um quadro. Agora de Pollock.
1997
A memória do julgamento do gang do Multibanco é servida a quente. 'Foi um dos casos mais marcantes da minha carreira, quando olho para trás ainda sinto emoção'. António Catraia defendeu o principal arguido do bando acusado da morte de uma jovem e da violação e roubo de outras, condenado à pena máxima. A opinião pública não o poupou. 'Na rua ouvia: ‘como é que defendeu um bandido daqueles?’' Hoje, a vida dele deixa-se passear pela mão do Matteo, de 3 anos, o primeiro e único neto. Foi a maior mudança que Catraia conheceu nos últimos anos.
1998
O primeiro recorde da Expo’ 98 bebeu-se de um trago. O maior cálice de vinho do Porto, destinado ao Pavilhão do Território, mereceu distinção no Guinness. Duarte Raposo Magalhães era vice-presidente da Atlantis – Cristais de Alcobaça. 'Foi um desafio fazer uma peça com um metro e meio'. Em 2003 liderou a fusão de três direcções- gerais que resultaram na Direcção-Geral de Empresas. No ano passado assumiu a presidência da Centromarca – Associação Portuguesa de Empresas e Produtos de Marca. 800 empresas fazem por conquistar o seu espaço. Profissionalmente, pouco mudou. 'As marcas continuam na minha vida'.
1999
Depois do famoso abraço a Guterres, num congresso do PS, Tino de Rans, que passou pela música e por programas televisivos, está agora no segundo ano de Comunicação Social no ISLA de Vila Nova de Gaia. 'Continuo na música e sou calceteiro na Câmara do Porto mas, como eu sou comunicativo, tinha de tirar o curso de jornalismo'. O estudante que já escreveu um romance, ‘De Palanque em Palanque’, vai lançar o livro ‘Marktino’. 'É sobre duas visões do marketing, a académica e a rústica'. E concorrer a uma autarquia do Norte do País já nas próximas eleições.
2000
'Foi dos dias mais difíceis de esquecer na política.' Daniel Campelo, então deputado do CDS/PP, iniciou a 17 de Fevereiro uma greve de fome de 14 dias e 14 noites. Reclamava a devolução ao seu concelho da marca de queijo flamengo Limiano. Na altura, Campelo acumulava funções com a presidência da Câmara de Ponte de Lima, onde permanece. Meses depois, voltou a chocar o País com o ‘Orçamento do Queijo Limiano’ – a troco de benefícios para o seu concelho, permitiu a aprovação dos orçamentos de Estado para 2001 e 2002. Não se arrepende, mas dificilmente voltaria a tomar uma medida tão drástica. Continua a batalha jurídica para devolver a Ponte de Lima a marca do queijo.
2001
Passados oito anos sobre a tragédia da ponte de Entre-os-Rios, Horácio Moreira, presidente da associação dos familiares das vítimas, continua o trabalho de solidariedade social em Castelo de Paiva. 'As famílias ainda precisam de apoio psicológico e que a associação está a patrocinar. Também estamos a desenvolver acções de solidariedade social com bancos alimentares, para além de cursos de formação', explica Horácio Moreira, que se licenciou em Direito no ano passado.
2002
Quando as carteiras se despediram dos escudos e disseram ‘olá’ aos euros gerou-se um pequeno caos mas a transição foi rápida. 'As pessoas não tinham noção do valor real do dinheiro', aponta José Carlos Cruz, 46 anos, sócio-gerente da pastelaria Riviera, em Benfica. Ninguém dava uma gorjeta de 100 escudos. E o sabor de um café ou a nata de um pastel folhado passou a custar o dobro. 'Hoje qualquer pessoa deixa um euro. São duas notas de cem.' Apesar da distância, prevalecem as conversões mentais. Ainda se fazem contas em divisa antiga, que muita saudade deixou no bolso. 'Estamos a ganhar menos do que ganhávamos. Cinco contos dava para fazer uma vidona. Hoje, vão-se logo'. Um corte a assinalar nas despesas: José deixou de fumar.
2003
Gosta de música. De desenhar. Das amigas. Da escola. Tem o cabelo comprido e o sorriso gentil. Mas Felisbela Dias é também uma lição de sobrevivência. Tinha seis anos e, a 16 de Abril de 2003, quando estava a brincar no pátio de um infantário no Pendão, Queluz, foi baleada na cabeça – um disparo com origem numa arma manejada por dois menores que a haviam roubado a um guarda-nocturno. É José Dias quem recorda os momentos mais difíceis da recuperação da filha. Seis anos depois, mesmo se a bala permanece alojada no cérebro de Felisbela, 'o pior já passou'. E a menina recuperou a alegria de viver.
2004
Uma fornada extra de bilhetes para o jogo inaugural do Euro 2004 ia ser posta à venda. Teresa Borges não hesitou quando a notícia lhe chegou pela televisão naquele café em Espinho. 'Avisei a direcção do meu trabalho, no BES, que ia fazer uma noitada'. A maratona de plantão valeu-lhe a compra de um dos 85 bilhetes que voaram como pães estaladiços. Boa parte da vida de Teresa é amassada ao sabor da selecção nacional. 'Havendo hipótese, estou lá.' Participou na bandeira humana e esteve no Euro 2008. Cinco anos volvidos, um cancro na mama e a contingência dos tratamentos afastaram-na do trabalho e dos projectos a longo prazo. 'Não estou inconsciente, mas estou a ser dura, orgulhosa do caminho que estou a fazer. Com vontade de ir a muitos europeus e mundiais'.
2005
Além da farda, o cabo Horácio Mourão arrumou, na última meia década, sonhos por cumprir desde a explosão de uma viatura blindada, a leste de Cabul, no Afeganistão. A ano e meio de internamento seguiu-se a mais dura das provas: a readaptação à aldeia onde nasceu e o regresso à casa da mãe. Tem 28 anos e uma reforma antecipada. 'Ninguém diria que ele voltaria a andar, na cabeça é que perdeu um bocadinho do lado direito'. Somaram-se dores de alma. 'A namorada deixou-o, os amigos seguiram a sua vida e agora tiraram-lhe a carta de condução', lamenta a irmã Cacilda. Com os 62 mil euros que recebeu do Exército comprou um apartamento.
2006
Vítor Cerqueira, 42 anos, conhece de perto o risco da erosão. Recordou-o em 2006, cinco anos depois do dia em que as ondas engoliram o seu bar. 'Uma história triste'. O seu bar, o Kontiki, na Costa de Caparica, foi reconstruído 'numa zona mais segura'. O episódio de 2001 'serviu de lição'. Vítor apostou numa 'filosofia mais empresarial'. Restauração, agência de eventos, são ramificações dos negócios. Tão privilegiada quanto crítica, a zona é alvo de atenção. Pelo menos de um proprietário zeloso.
2007
Pedro Afonso faz dois anos no próximo dia 3 de Abril e 'está bem, graças a Deus' – a Deus e ao pai, ex-bombeiro, que ajudou a trazê-lo ao mundo quando a ambulância em que seguia a mulher passava junto ao cruzamento de Melides, a caminho do Hospital de Setúbal. Para além de Octávio, assistiram ao parto dois elementos da tripulação, bombeiros. Tudo porque uma médica do Hospital de Santiago do Cacém não soube avaliar a urgência. Na ambulância viveram-se momentos críticos. 'Mas agora está tudo bem.'
2008
'Tive que manter a vida, porque o meu marido deu a vida por isto'. Fernanda Correia segue em frente desde que o ourives foi morto a tiro na loja do casal, em Setúbal, em Agosto. Num ano de assaltos mil, a mãe de dois filhos recusa baixar os braços. 'Tenho vendido pouco ou nada. Reabri a ourivesaria dois meses depois'. Seguida por psicólogos, é com a cabeça forrada de ocupações que Fernanda, na casa dos 50, aprendeu a retomar o dia-a-dia. 'Voltei a estudar. Estou em Psicologia no Piaget. Era um projecto do meu marido'
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