Provavelmente com receio da histeria colectiva, o Instituto de Meteorologia ainda não alertou as autoridades, e muito menos a população, para um facto avassalador: dentro de três dias Portugal será assolado por um furacão de grandes proporções.
Depois do recente terramoto com epicentro perto da Lourinhã, o novo fenómeno natural vem da Bahia e promete devastar as duas principais cidades do País. Com uma característica tão estranha quanto positiva: quem for atacado por ele não corre risco de vida.
Soprará primeiro no Porto, no dia 26, mais precisamente na zona do Coliseu, quando a noite chegar e muita gente estiver já no recato do lar. Baptizado Daniela Mercury, o furacão fará disparar muitos corações na sala portuense, descendo 24 horas depois até à capital e ao Coliseu dos Recreios, onde terá o mesmo efeito.
Esta não é, de resto, a primeira vez que Portugal sente a sua influência. Daniela tem aparecido por cá com regularidade, sempre a soprar forte os ritmos da música brasileira. Tão forte que a alcunha de ‘furacão da Bahia’ assenta-lhe que nem uma luva, colado à pele graças à energia e ao corrupio dançante que provoca no palco, depressa transmitido para a audiência.
Assim acontece desde que ela, adolescente com apenas 15 primaveras e já incapaz de negar um bailarico, começou a cantar Música Popular Brasileira (MPB) em pequenos bares de Salvador, passo madrugador e ingénuo para se tornar anos mais tarde na ‘rainha do axé’. Pelo meio uma história de amor, um casamento precoce, dois filhos, Carnavais com trio eléctrico e deambulação por variados estilos, com destaque para o samba-reggae abraçado logo no álbum de estreia, quando o tema ‘Swing da Cor’ a transformou numa estrela emergente.
Desde o início da década de 90 que a inquietação artística marca o ritmo de Daniela Mercury, incapaz de descurar a diversidade de um país naturalmente alegre, olhos postos na ginga dos artistas da bola, bafejado pelo sol, feliz na praia, a caminhar tranquilo ao sabor da bossa-nova de Elis Regina, sua maior fonte de inspiração durante os ‘verdes anos’.
SUCESSO
Numa década recheada de sucessos e muitos discos vendidos Daniela Mercury perdeu medos, tornou-se mulher de armas capaz de convidar plateias repletas de fãs para a dança frenética. E desafiou a moral e os bons costumes proclamados pela religião ao tornar-se embaixadora da UNICEF no Programa de Luta Contra a Sida, dando a cara em campanhas de prevenção da doença, com foco no uso do preservativo.
A atitude não caiu bem entre os homens da fé, como se viu o ano passado quando foi proibida de tocar no concerto de Natal do Vaticano. Ela respondeu com o que lhe ia na alma, jamais traindo as suas convicções: “A minha voz não poderá ser calada, porque esta é uma questão de vida e não uma lei”, disse para quem quis ouvir numa entrevista à TV Globo.
A tempestade acabou com a cantora a afirmar que a sua fé continua inabalável, apesar de não esquecer o modo como foi posta de lado. Numa entrevista ao Correio da Manhã, quando no final de 2005 esteve em Portugal para apresentar ‘Balé Mulato’, Daniela Mercury avançou sem rodeios: “Pelo menos, ficámos a saber a Igreja que temos. Ainda assim continuo a ser católica, porque acredito que a única coisa que Deus espera de nós é amor, compreensão e respeito.”
Será com essa trilogia de virtudes que esta semana a baiana mais famosa da actualidade irromperá qual furacão descontrolado pelos dois coliseus portugueses. Prepare o corpo e a alma. Falta muito pouco para a maravilhosa intempérie.
TODOS CONVIDADOS PARA A DANÇA DE 'BALÉ MULATO'
Depois de uma passagem muito breve pela música electrónica, Daniela Mercury regressou às origens em ‘Balé Mulato’, editado no final de 2005. O álbum marca o seu reencontro com um passado de êxitos, surgindo, nas palavras da cantora, com um som “sofisticado, aconchegante e orgânico.” Nele há espaço para todos os estilos em que a baiana se sente verdadeiramente à-vontade, e até para o rock pesado em ‘Nem Tudo Funciona de Verdade’, situação inédita já que Daniela só tinha cantado temas assentes em tal vertente nos espectáculos dos Legião Urbana. ‘Balé Mulato’ aparecerá ao vivo adornado pelos clássicos que marcaram o percurso da ‘rainha do axé’. Quando veio a Portugal apresentar o novo registo, ela mesma desvendou uma ponta do véu sobre o assunto: “Além das novas músicas, vou resgatar para os concertos outras mais antigas como ‘Sol da Liberdade’ e ‘Feijão com Arroz’.”
NASCIDA EM TERRA DE ARTISTAS
Daniela Mercury é ‘apenas’ uma entre as muitas vozes que ao longo de décadas têm nascido na Bahia para maravi-lhar quem gosta de ritmos quentes. O estado brasileiro onde anualmente se faz o verdadeiro Carnaval do povo está tão bem representado no panorama cultural brasileiro que só mesmo o Rio parece rivalizar em popularidade. O nome mais conceituado será, porventura, o do escritor Jorge Amado, enquanto na música a lista é extensa e repleta de figuras sonantes. Só para lembrar alguns dos famosos: Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Dorival Caymmi, Luiz Caldas e Durval Lélys, entre outros.
40 ANOS DE UMA VIDA INTENSA
- Daniela Mercuri de Almeida Póvoas nasceu a 28 de Julho de 1965, em Salvador da Bahia, filha de mãe brasileira e pai português.
- Aos 13 anos decidiu que quando fosse grande queria ser cantora, principalmente por influência da música de Elis Regina. Casou aos 19 anos com Zalther Póvoas, engenheiro que conhecia desde os 12.
- Antes de se aventurar pela carreira em nome próprio foi dançarina no grupo Salto, chegou a fazer coros para Gilberto Gil e entrou no grupo Companhia Chic, com o qual gravou dois álbuns, em 1989 e 1990.
- Em 1993 cantou para uma audiência de 100 mil pessoas no Vale de Anhangabáu. Acabara de se tornar num dos grandes sucessos da música brasileira.
- Daniela é hoje a maior embaixadora do Carnaval da Bahia, onde actua todos os anos.
PORTO
Dia: 26
Preço: de18 a 30E
Início: 22H00
LISBOA
Dia: 27
Preço: de 23 a 30E
Início: 22H00
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