O que têm em comum Alexandre Magno, o imperador Adriano e Adolf Hitler? Para além de terem mudado o curso da História mundial, eram homossexuais. Afinal, por trás de um grande homem também pode estar… outro grande homem.
Um documento dos serviços de espionagem norte-americanos, desclassificado em 1968, revelava que quase todos os guarda-costas de Adolf Hitler eram homossexuais. O mesmo relatório assegurava que o próprio “Fuhrer” seria “gay” e teria tido dois casos homossexuais, embora não haja evidências destes “affaires”. Certezas, só a de que Hitler tinha uma fobia em ser tocado e teria vergonha de se despir perante os médicos por só ter um testículo. O seu suicídio, em 1945, depois da invasão das tropas russas em território alemão, levou para a campa todos os seus segredos e nem a suposta relação amorosa com Leni Riefenstahl, a cineasta do regime nazi, foi alguma vez confirmada.
Pim Fortuyn, um admirador de Hitler, era um homossexual assumido, ao contrário do ditador alemão. “Conheço bem os (rapazes) marroquinos. Até partilho a cama com eles,” declarava sem preconceitos. A sua careca reluzente, o estilo de vida excêntrico, que incluía uma mansão de luxo, uma limusine, fatos de “griffe” italianos e um mordomo, rimavam com os seus ideais populistas de extrema-direita. Em Maio, a carreira ascendente do político holandês era interrompida por cinco tiros de pistola.
Quem andava sempre armado até aos dentes era J. Edgar Hoover, o lendário director do FBI. Hoover, a quem muitos apelidavam de “Besta Humana” era racista, anti comunista primário e declaradamente homofóbico, mas biografias recentes vieram revelar que afinal também era “gay”. O seu amante chamava-se Clyde Tolson e a relação amorosa durou 44 anos, sem que o facto transpirasse para a Comunicação Social. Nunca ficou comprovada a existência de certas fotografias comprometedoras, onde se podia ver Hoover vestido de mulher, mas diversas teses apontam que a máfia de Chicago tinha-as em seu poder e fazia chantagem com ele.
J. Edgar Hoover acabou por sobreviver a oito Presidentes, talvez por graça e obra das informações classificadas que detinha sobre todos eles. No seu funeral, esta frase cuspida por Richard Nixon é sintomática: “Jesus Cristo tenha dó deste velho ‘larilas’”.
HISTÓRIA E ESTÓRIAS
Se recuarmos um pouco na História, deparamos com uma minoria de estadistas que chegaram a assumir a sua condição “gay”. Em 300 aC, Alexandre Magno, rei da Macedónia e conquistador do império persa, era um homem belo e robusto. Rezavam as crónicas que o estadista, que fora educado por Aristóteles, tinha um amante chamado Hephaestion, ainda mais esbelto que Alexandre. Ao saber das preferências sexuais do filho, a Rainha Persa tê-lo-á aconselhado a afastar-se de tão pecaminoso amor. “Não ligue, minha querida mãe, Hephaestion é também Alexandre”, respondeu impetuosamente o imperador. Apesar de “gay”, casou-se por duas vezes… com mulheres.
Outros estadistas houve que por detrás da capa viril de conquistadores e de casamentos sacramentados escondiam a sua homossexualidade. Afinal, este sempre foi assunto tabu ao longo dos séculos. Eles foram Adriano (76 a 138 aC), o imperador romano que mandou construir a famosa muralha em Inglaterra, Ricardo, Coração de Leão (1157 a 1199 aC), rei de Inglaterra, que passou quase todo o seu reinado em Cruzadas no Chipre e França, o imperador chinês Wu (140 a 87 aC) e mais recentemente, Eduardo II (1254-1327), o primeiro príncipe de Gales. Curiosamente, ou talvez não, este monarca seria deposto pela própria mulher Isabel, filha de Filipe IV de França, e pelo seu amante, Roger de Mortimer, em 1327, sendo misteriosamente assassinado no castelo de Berkeley.
Uma coisa é certa, todos estas personagens da História poderiam perfeitamente figurar no recém inaugurado museu do sexo de Nova Iorque, ao lado de figuras emblemáticas como a inventora do “strip tease” ou o criador dos preservativos “Ramses”.
EM INGLATERRA JÁ É NORMAL
“Sou ‘gay’ e orgulho-me de o ser”, anunciava Alan Duncan, deputado conservador britânico. O ano de 1998 ia no seu fim e uma verdadeira tempestade havia caído sobre as cabeças dos súbditos de Sua Majestade.
Tudo começou quando o ministro para o País de Gales, Ron Davies, foi assaltado à noite em Clapham Common, um bairro de engates “gays”, indo parar a uma esquadra da polícia. Os tablóides lançaram-se à história como cães a um osso. Mas apesar das evidências, Davies negou a sua homossexualidade e pediu a demissão do cargo. Dias depois, Matthew Parris, um respeitado colunista político declarou na BBC que Chris Smith e Peter Mandelson, dois proeminentes ministros trabalhistas, eram “certamente gays”.
As afirmações causaram um grande sururu: eram públicas as orientações sexuais de Smith, ao contrário das de Mandelson, apenas conhecidas entre a elite política. O jornal “The Sun” perguntava a Tony Blair se a Grã-Bretanha não estaria a ser governada por uma “mafia gay”. Nada seria como dantes na Velha Albion e até o apagado ministro da Agricultura, Nick Brown assumiria a sua (homo)sexualidade.
O “tory” Michael Portillo, o menino bonito de Margaret Thatcher, seguiu-lhe as pisadas: “Tive algumas experiências homossexuais enquanto jovem”. Mais tarde, os jornalistas “flagravam” o influente Peter Mandelson com o seu namorado, dezoito anos mais novo. Os britânicos nem pestanejaram quando leram as manchetes e o caso morreu ali. Sondagens revelavam que 52 por cento dos súbditos considerava indiferente serem governados por ministros “gay”. Os ventos victorianos eram pretérito perfeito.
PRESIDENTES DE CÂMARA HOMOSSEXUAIS
Paris e Berlim são governadas por presidentes declaradamente homossexuais. Nas últimas eleições municipais, os parisienses deram a vitória a Bernard Delanoe, terminando com uma longa tradição de “maîres” de direita. O socialista, que até nem era uma figura carismática no partido de Miterrand, acabou por cair no goto dos habitantes da cidade das luzes, depois de declarar sem rodeios ser “gay”.
“Ich bin schwul und das ist gut so!”, afirmava com orgulho Klaus Wowereit, um jurista de 48 anos, surpreendendo os berlinenses. Não era habitual ouvirem de um político aquelas palavras, que significavam: “Sou homossexual e ainda bem!”. Ainda para mais, de um candidato para as eleições da mais importante cidade germânica. Afinal, a Alemanha é um dos países mais conservadores do Velho Continente e com tradições homofóbicas. Mas esta aposta de jogar às claras, surtiu efeito. Wowereit foi eleito burgomestre e prometeu não fazer política homossexual. “Sou apenas um homossexual que faz política.”
GAYS HISTÓRICOS
- Adolfo Hitler
- J. Edgar Hoover
- Alexandre Magno
- Adriano
- Eduardo II
- Ricardo (Coração de Leão)
- Pym Fortuyn
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