O mais pequeno Estado da Índia — e dos menos pobres — ainda é um pequeno paraíso. Resultado da combinação feliz de culturas, religiões, arquitecturas e gastronomias, é o destino perfeito para gozar as coisas boas da vida.
Tudo em Goa excita os sentidos e a curiosidade, e incita a uma certa melancolia e contemplação. Muito português...
O domínio lusitano, aliás, durou cerca de 450 anos: Vasco da Gama chegou às Índias em 1498; 12 anos depois, em 1510, o vice-rei Afonso de Albuquerque tomava a praça de Panjim. O controlo da Rota das Especiarias e a cristianização dos povos deram o mote a uma colonização que só terminaria em 1961.
Talvez pela sua circunstância histórica – remota e contemporânea – Goa não seja como o resto do país; os próprios goeses, quando têm de sair do seu Estado, dizem que «vão à Índia»...
Como destino turístico, começou a fazer parte dos mapas de muitos hippies nas décadas de 60 e 70, que ali acorriam em busca de um certo “contacto com a Natureza”, até porque tudo era muito barato e as drogas estavam à mão de semear e as festas da lua cheia duravam dias inteiros.
Hoje, apesar de tudo isto continuar ainda a subsistir (embora numa versão muito mais atenuada, sem a ‘aura’ dos anos 70, e com controlos policiais bastante rigorosos), é possível encontrar em Goa toda a espécie de turistas, dando largas a toda a sorte de motivações. Porque Goa provou ser muito mais do que festas na praia.
Ocidentais Praias Goesas
O que leva alguém a querer conhecer Goa? A resposta, não sendo difícil, é múltipla. Podem ser as praias, a História, os monumentos, a(s) cultura(s), a gastronomia, as pessoas e os seus modos de vida...
A beleza de Goa é que encerra tudo isto num pequeno palmo de terra e em menos de 15 dias pode-se tomar contacto com cada uma e todas aquelas coisas.
Situada a meio da costa ocidental da Índia, em pleno Mar da Arábia, Goa é rodeada pelo Estado de Mahrashtra, a norte, e pelo de Karnataka, a Leste e Sul, estando dividida em 11 regiões administrativas, chamadas Talukas. Possui cerca de 100 quilómetros de praias, umas vezes estendendo-se por áreas vastíssimas, outras acolhendo baías perfeitas, enquadradas por palmeirais e coqueirais, de um encanto idílico.
O difícil será, quase sempre, optar por apenas uma; como as distâncias a percorrer o permitem, o melhor é aproveitar para se conhecer o mais possível. A norte é imprescindível passar por Arambol, Mandrem, Vagator e Anjuna; se gostar de multidões, Calangute é obrigatório. A meio do Estado, Colva é um bom ponto de paragem – a partir daqui pode explorar outras praias e até preparar incursões ao interior.
É, todavia, a sul que se encontra a verdadeira jóia da coroa das praias goesas: Palolem. Uma baía que descreve um crescente perfeito, com cerca de três quilómetros, enquadrada em toda a sua extensão por palmeiras e coqueiros e servida por restaurantes e bares em perfeita harmonia e entrosamento com todo aquele cenário.
Em qualquer um dos locais referidos é relativamente fácil encontrar sítios onde ficar (ver caixa), desde casas de hóspedes, a autodesignados resorts – feitos de pedra e cal, com WC à ocidental’; ou mais pitorescos, sob a forma de cabanas de madeira e folhas de palmeira entrançadas e esteiras, com casas de banho mais ou menos improvisadas à parte.
Religião e Tolerância
Em tempos de intolerância religiosa e cultural como os que se vivem, é um deleite estar em Goa. Aqui convivem tranquilamente cristãos, hindus e até muçulmanos com os seus locais de culto, as suas festas e feriados e demais traços distintivos.
Apesar de as marcas portuguesas poderem ser vistas por toda a parte, é em Velha Goa, reconhecida como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, que o cristianismo se deixa apreciar em toda a sua monumentalidade. Outrora capital do Estado, Velha Goa chegou a ter mais de cem mil habitantes e rivalizava em esplendor com a capital do Império, Lisboa. Contudo, as sucessivas epidemias de cólera e de malária que foram dizimando a população a partir do século XVII, afastaram os sobreviventes e acabaram por determinar a instalação da capital do Estado em Panjim.
A Basílica do Bom Jesus (1605) é, sem dúvida, a que mais visitantes e peregrinos atrai: ou não estivessem aqui depositados os restos mortais de S. Francisco Xavier. Mas é possível também visitar a Igreja de S. Caetano (1651), que foi construída tendo como molde a Igreja de S. Pedro, em Roma; o Convento de S. Francisco de Assis (1517), que fica paredes meias com o Museu Arqueológico, onde é possível apreciar retratos dos vice-reis e governadores de Goa, entre outros objectos; e o maior de todos os monumentos, a Sé Catedral, de 1562.
Panjim, a capital, é outro ponto incontornável. O bairro das Fontainhas é ideal para apreciar o que resta da arquitectura colonial portuguesa, traduzida em pequenas casas com um ou dois andares, ruas estreitas e varandas com ar perfeitamente mediterrânico, e ainda a Capela de S. Sebastião, pequena e pitoresca.
Na capital merecem também uma visita o Instituto Meneses Bragança e a Biblioteca Central, cujo hall de entrada exibe cenas de “Os Lusíadas” pintadas em azulejos, além da Igreja da Imaculada Conceição.
Ponda é a região (taluka) onde se concentram a maior parte dos templos hindus – a região é mais acidentada e deu abrigo a muitos hindus que fugiram às chamas da Inquisição portuguesa, que aqui edificaram monumentos aos seus deuses.
Um dos mais bem preservados data de 1738 e foi erigido em honra de Shantadurga, deusa da paz. Também muito visitados são os de Shri Mahalsa e de Shri Manguesh, este honrando Shiva.
Um Destino Muito Acessível
Nem só de praias e monumentos vive Goa. As reservas de vida animal, os ‘santuários’ de observação de aves e as quedas de água proporcionam momentos de puro contacto com a Natureza. Bhagvan Mahaveer, na região de Sanguem; Bondla, em Ponda e Cotigao contam-se entre os locais a explorar, bem como o Bird Sanctuary na Ilha do Chorão, muito perto de Velha Goa.
As espectaculares quedas de água de Dudhsagar, já quase na fronteira com Karnataka, merecem também uma visita: com cerca de 600 metros de altura, são das mais altas da Índia e proporcionam um cenário arrebatador.
Falta apenas dizer que Goa é um destino de férias muito acessível – em 15 dias, sem se privar absolutamente de nada, uma pessoa poderá gastar (fazendo algum esforço!) 300 a 350 euros.
Mas esta não será, com certeza, a melhor recordação que traz quem visita Goa. Lembrar-se-á acima de tudo da quietude, da boa comida e da simpatia sem par dos goeses.
Tudo em Goa excita os sentidos e a curiosidade, e incita a uma certa melancolia e contemplação. Muito português...
O domínio lusitano, aliás, durou cerca de 450 anos: Vasco da Gama chegou às Índias em 1498; 12 anos depois, em 1510, o vice-rei Afonso de Albuquerque tomava a praça de Panjim. O controlo da Rota das Especiarias e a cristianização dos povos deram o mote a uma colonização que só terminaria em 1961.
Talvez pela sua circunstância histórica – remota e contemporânea – Goa não seja como o resto do país; os próprios goeses, quando têm de sair do seu Estado, dizem que «vão à Índia»...
Como destino turístico, começou a fazer parte dos mapas de muitos hippies nas décadas de 60 e 70, que ali acorriam em busca de um certo “contacto com a Natureza”, até porque tudo era muito barato e as drogas estavam à mão de semear e as festas da lua cheia duravam dias inteiros.
Hoje, apesar de tudo isto continuar ainda a subsistir (embora numa versão muito mais atenuada, sem a ‘aura’ dos anos 70, e com controlos policiais bastante rigorosos), é possível encontrar em Goa toda a espécie de turistas, dando largas a toda a sorte de motivações. Porque Goa provou ser muito mais do que festas na praia.
Mercados, compras e regateio
Os mercados mais afamados de Goa — Anjuna à quarta-feira e Mapusa à sexta — são indispensáveis e uma óptima oportunidade para testar os seus talentos de regateador e comprovar da simpatia e boa disposição dos goeses.
Anjuna é uma espécie de ‘feira da ladra’ à beira-mar plantada onde encontrará um pouco de tudo: de especiarias, a joalharia, tapetes de caxemira e artesanato diverso, este é o local onde comprar todos os recuerdos que conseguir. Mapusa, aliás, também! Arrasta multidões que querem ver um bazaar indiano em todo o seu esplendor...
Como ir: A forma mais barata e cómoda é de avião. Há voos charter directos do Reino Unido e da Alemanha para Goa (aeroporto de Dabolim), que rondam os 600/700 euros; outra opção, mais cara, são os voos comerciais regulares, que param normalmente em Bombaim, e com preço a partir dos 900 euros.
Quando ir: Os meses de Outubro até finais de Fevereiro (época alta) são considerados os mais adequados; a monção já passou e o calor irrespirável ainda não começou. Mas é no mês de Março que deverá apostar, se preferir evitar pequenas multidões.
Onde ficar: Não é difícil encontrar alojamento em qualquer lugar de Goa. De casas de hóspedes a hotéis ou resorts junto à praia, há de tudo para todos os gostos e carteiras. Tente sempre perguntar como são as casas de banho, já que fazem a distinção entre a “ocidental way” e... bem... a outra. Nalguns locais há também preços distintos para quartos com e sem ar condicionado.
Panjim — Panjin Inn & Panjin Pousada. Quartos duplos, com WC, a partir de 750 rupias. Tel.: +91-0832-226523. Web: www.panjiminn.com.
Hotel Mandovi — Quartos duplos, face ao rio, entre 1850 e 2650 rupias. Tel.: +91-0832-224405. E-mail: mandovi@goatelecom.com.
Anjuna — Anjuna Beach Resort. Quartos duplos, com WC, por 450 rupias. Tel.: +91-0832-273216.
Vagator — Bethany Inn. Quartos duplos, com WC, por 550 rupias. Te.: +91-0832273973.
Colva— Sea Perl Hotel. Quartos duplos com WC a partir de 315 rupias. Tel.: +91-0832-730070
Palolem — Bhakti Kutir. Cabanas para duas ou mais pessoas, com WC exterior, entre 500 e 900 rupias (a partir de 1000 rupias na época alta).
O que levar: Não faça a mala para Goa como se fosse mudar de casa. Algumas t-shirts, calções e fatos de banho e uma camisola ou duas é tudo de que precisa. Se for na época das monções (Abril a Setembro), não se esqueça de um impermeável. Vai necessitar de muito espaço para arrumar compras e recordações...
Vacinas: Se for apenas para Goa, não necessita de tomar nenhuma vacina, de acordo com informação da Embaixada da Índia.
Visto: É necessário ser portador de passaporte válido e visto para entrar na Índia; pode ser obtido na Embaixada da Índia em Lisboa e custa 50 euros.
Língua: Konkani (idioma oficial de Goa), Hindi e Inglês. As pessoas mais velhas ainda falam Português.
Moeda: Rupia; a preços actuais, um euro equivale a cerca de 42 rupias.
Fuso horário: GMT + 5H30.
Outras informações: Há telefones e acesso à internet por todo o lado – até na praia. Se pretender mover-se pelos seus próprios meios, deverá munir-se de uma carta de condução internacional; há bastantes locais onde pode alugar um carro ou uma moto. Mas é mais fácil e menos dado a problemas negociar com um motorista de táxi ou de ‘auto-riquexó’ as voltas que quiser dar.
Alguns cuidados a ter
Goa é um Estado seguro, com baixos índices de criminalidade. Pode passear-se tranquilamente a qualquer hora sem perigo. Basta vigiar os seus pertences (nas praias e nos mercados) para não ter surpresas desagradáveis.
Em termos de saúde, observe sempre a simples e única regra de beber apenas água engarrafada ou, em alternativa, fervida.
Quanto a drogas, se pensa ‘revisitar’ o espírito dos anos 70 não se esqueça de que a posse e o consumo, neste Estado, podem resultar em penas até dez anos de cadeia.
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