Numa decisão inesperada (mas tardia), a viúva do ex-Beatle está agora nos créditos da canção.
Yoko Ono pode ser uma das mulheres mais odiadas da história do rock – atribuíram ao seu romance com John Lennon o fim dos Beatles e os fãs não lhe perdoam a desfeita –, mas também (já) é dela aquela que é considerada uma das 100 melhores músicas do século XX. A canção ‘Imagine’ – um hino internacional de consolo e esperança ouvido pela primeira vez em 1971 – foi creditada à viúva do cantor, num pedido com 46 anos que só foi agora validado (de forma inesperada) pela National Music Publishers Association.
Foi uma decisão tardia, mas com toada de justiça. Pouco antes de morrer, numa entrevista do casal à BBC, Lennon admitiu ter sido machista ao deixar Yoko fora dos créditos. "[‘Imagine’] deve ser creditada como uma música de Lennon-Ono porque a letra e o seu conceito vieram de Yoko. Mas naquela altura, eu era um pouco mais egoísta, um pouco mais machista, e omiti a sua contribuição", disse ao canal de televisão britânico, sem disfarçar o constrangimento.
"Se fosse um homem, talvez não tivesse dúvidas de pôr o nome dela, como fiz com a ‘Old Dirt Road’, que é ‘John Lennon-Harry Nilsson’. Mas quando fizemos ‘Imagine’, pus apenas ‘Lennon’ porque, sabe, ela é a esposa e não se põe o nome da esposa, certo?", questionou o músico, que haveria de ser assassinado a 8 de dezembro de 1980, à porta de casa, em Nova Iorque, por um fã psicopata, numa altura em que os ‘quatro de Liverpool’ já estavam separados.
A música, que se tornaria marca registada de Lennon – e seria o single mais vendido da sua carreira a solo –, terá tido como base o livro de poesia ‘Ono Grapefruit’, de Yoko Ono, que inclui uma série de desafios similares aos do hino pela paz, embora (ligeiramente) mais enigmáticos, como: "Imagine a neve a cair / Imagine a neve a cair em todo o lado." A gravação da música começou no estúdio da casa onde Lennon residia, no Tittenhurst Park, em Inglaterra, em maio de 1971, e a edição final aconteceu no Record Plant em Nova Iorque, no mês de julho. Um mês após o lançamento do LP em setembro, Lennon lançou ‘Imagine’ como single nos EUA e a canção alcançou a terceira posição da Billboard Hot 100 – as 100 músicas mais tocadas –, enquanto o LP alcançou o primeiro lugar no Reino Unido em novembro. A canção vendeu mais de 1,6 milhões de cópias no Reino Unido e alcançou o primeiro lugar após a morte de John Lennon.
E se é pouco provável que graças a isto Ono tenha qualquer ganho pessoal num futuro imediato – uma vez que já é a herdeira do património de Lennon –, a decisão agora tomada representa grandes mudanças nos direitos de autor: uma canção passa a ser do domínio público 70 anos depois da morte do seu último compositor. Agora, esses direitos foram prolongados por um mínimo de 37 anos, pelo que ‘Imagine’ fica na posse da família pelo menos até 2087.
Yoko Ono, agora com 84 anos, pode celebrar. Ela que conheceu Lennon na década de 60 – ele viria a divorciar-se da primeira mulher – e sem a qual o britânico garantia não conseguir viver. "Mesmo quando estou a ver televisão, há um buraco onde tu deverias estar", dizia-lhe.
ACUSADA DE INVADIR 'ESPAÇO SAGRADO'
Lennon e Yoko conheceram-se em 1966, numa exposição da artista, e casaram três anos depois em Gibraltar. No ano seguinte, os Beatles separaram-se e a interferência da japonesa na banda fez com que a culpa pelo fim do grupo lhe fosse atribuída. Consta que pediu que colocassem uma cama de casal no estúdio de gravações e um microfone sobre a sua cabeça para que pudesse dar palpites na produção dos discos. Tiveram um filho, Sean.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.