O músico, que conheceu esta realidade na escola, vai agora a outras salas de aula cantar para prevenir a violência escolar.
São quatro histórias e quatro canções, que o músico João Só lançou em livro e que irá cantar para aqueles que mais importa que as ouçam: os miúdos. É que cada uma delas fala sobre o bullying, realidade que tanto o músico como o próprio autor do prefácio, Nuno Markl, conheceram na escola.
O projeto chama-se ‘Deixa o Bullying Só!’ e é especialmente direcionado para os alunos do 3º ciclo de escolaridade. As histórias, retratadas em banda desenhada, exploram a realidade do bullying no contexto escolar sob quatro diferentes perspetivas: agressor; vítima; testemunhas, que optam por adotar uma posição de neutralidade; e a virtual, com um caso de cyberbullying.
"Infelizmente é um tema que se foi tornando habitual cá em casa, porque a minha mulher é psicóloga mas também porque foi algo que conheci quando andava na escola, embora não lhe dessem esse nome. Afinal, eu era um menino gordinho, um pouco tímido... é claro que fui gozado, como todos os gordinhos. Outras vezes, assistia a coisas muito mais complicadas, mas nem defendia nem denunciava. Por não me querer meter, não querer problemas, etc. Outras vezes é o próprio agressor que precisa de ajuda, porque está a tentar chamar a atenção. É mais complexo do que se imagina", afirma o músico, que escreveu as histórias em parceria com Helena Costa.
O autor do prefácio é Nuno Markl, companheiro de João Só em projetos radiofónicos, também ele vítima de bullying: "Somos todos humanos, e é coisa humana o desejo legítimo de sobressair, marcar território, vencer as frustrações secretas pessoais. Fazê-lo à custa do sofrimento de outros é demanda desprovida de valor e mérito – é só revelador de um profundo medo. Um terror de seguir a rota que, aparentemente, dá mais trabalho: a da bondade, da solidariedade, da empatia. Que não são conceitos pirosos. Pelo contrário, não há nada mais fixe do que tentar ser um tipo fixe."
No livro, os jovens leitores vão também encontrar ilustrações das histórias de BD desprovidas de texto, desafiando-os a darem um novo enredo às mesmas. Podem, por exemplo, alterar o comportamento dos seus intervenientes, no sentido de prevenir os comportamentos agressivos ou envolver outros elementos, pois um dos objetivos passa por implementar a mensagem de que todos os elementos da comunidade escolar são responsáveis e têm um papel a desempenhar na prevenção e na denúncia de casos de bullying que ocorrem na sua escola.
Para isso, João Só, previamente auxiliado pelos dados facultados pela escola ou pelo município, comporá a letra e a música de um hino personalizado, com a pretensão de que o mesmo possa vir a simbolizar a luta daquela comunidade escolar ou municipal. O hino será cantado por João Só no dia da apresentação. As datas destes espetáculos especiais nas escolas vão estar disponíveis no site do projeto (www.deixaobullyingso.com), que é levado a cabo em colaboração com a Betweien, empresa especializada em conteúdos pedagógicos. "É usar a música para agir sobre uma questão que é central nos dias que correm. É preciso falar sobre o que faz tantas crianças e jovens sofrer, é preciso abrir os olhos de quem não vê; às vezes, até os próprios pais ou professores, que não conhecem as situações ou que chegam mes- mo a desvalorizá-las quan-do os jovens se queixam." Isso só leva a que as vítimas fiquem completamente sós", frisa o músico.
O projeto ‘Deixa o Bullying Só’ beneficia ainda de uma parceria estratégica com a Associação Anti-bullying com Crianças e Jovens, que resultou na abertura de um centro de apoio online – serviço complementar ao projeto, absolutamente gratuito, que visa ser, essencialmente, um contacto de ajuda para todos os intervenientes num comportamento agressor.
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