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LUÍS TADEU: O BENFICA É UMA NAÇÃO

“O Benfica é a única marca portuguesa com dimensão mundial.” Quem o diz é Luís Tadeu, 55 anos, professor catedrático no Instituto Superior Técnico e ex-dirigente encarnado.

29 de fevereiro de 2004 às 00:00

O engenheiro cresceu em Tomar, ao som dos golos de Eusébio transmitidos em directo pela Emissora Nacional. Quando veio viver para Lisboa, aos 12 anos, pôde finalmente concretizar o sonho de menino: ver o seu ‘glorioso’ ao vivo e a cores. “Não me recordo do jogo, mas lembro-me da emoção em estar no lugar de culto: o Estádio da Luz.”

Nos anos 50 e 60, era fácil para um rapaz ficar fascinado por um clube que arrebatava campeonatos nacionais e taças europeias. “Os miúdos gostam de pertencer às equipas vencedoras”, defende Luís Tadeu.

Se o Benfica era uma religião, Eusébio era venerado como um Deus. “A única medida política em que concordo com Salazar foi a de não deixar sair o ‘Pantera Negra’ para o estrangeiro”, afirma o ex-candidato à presidência do clube antes de soltar uma sonora gargalhada: “O jogador não é um ícone exclusivo do Benfica. É de toda a nação.”

Se no passado, Eusébio, Simões, Coluna e companhia eram símbolos vivos do clube da águia, hoje, para Luís Tadeu não há nenhum craque da bola que encarne a alma benfiquista. Nem mesmo Simão, Moreira ou Tiago. “Antigamente, os jogadores mais velhos transmitiam a cultura encarnada às jovens promessas. Isso agora não acontece.” Esta é uma das maiores falhas do futebol encarnado, admite.

O jejum de campeonatos dos últimos dez anos não esmorece o seu clubismo. Luís Tadeu acredita que não existe outro emblema em Portugal que arraste tanta gente para o estádio, mesmo sem ganhar nada. É a ‘mística’ benfiquista a funcionar, em pleno século XXI? Sim. “Os adeptos continuam a interiorizar na sua vida as vitórias e derrotas do clube.”

O professor catedrático tem uma fé inabalável: no estrangeiro, o nome de Portugal ainda se confunde com o do Benfica – apesar do clube estar há tantos anos arredado dos grandes palcos. E dá exemplos. Em Timor, Xanana Gusmão saiu da prisão com um boné do Sport Lisboa e Benfica. Entre os emigrantes, uma vitória encarnada massaja mais o ego do que uma visita de um chefe de Estado. Para Luís Tadeu a verdade é só uma: “O Benfica ainda é uma nação.”

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