O escritor acredita que esta característica "faz parte de uma reação à realidade". Sobre si próprio, diz que, ultrapassados acontecimentos que não gosta de recordar, é agora feliz.
Miguel Esteves Cardoso nasceu em Lisboa, em 1955. Em 1988 fundou ‘O Independente', com Paulo Portas. Em 1990, depois de se afastar do jornal, fundou a revista ‘Kapa'. MEC é escritor, tradutor, ensaísta, autor de programas de rádio, dramaturgo. também é pai, de Sara e Tristana. Em 2000 casou com Maria João Pinheiro, facto que não pode estar ausente desta pequena biografia.
Editou recentemente ‘Amores e Saudades de um Português Arreliado' (Porto Editora). Sobre ele, disse Marcelo Rebelo de Sousa: "É sensacional. Este homem escreve bem, bem, bem. Tem melhorado com o tempo, é como o Vinho do Porto." Ainda assim, a melhor coisa que pode acontecer a um escritor, acredita MEC, é a identificação do leitor. O pior é a crise da página em branco, enquanto se espera a inspiração. Durante as 24 horas que dura o dia, a melhor altura é "acordar ao lado da Maria João", por isso não é de estranhar que se pudesse editar a vida apressava os anos que passou antes de a conhecer. Só não lhe falem de política, deixou de acompanhar o que se passa nos seus meandros em Portugal: "Ela pode bem sem mim."
*A resposta escolhida aparece sublinhada.
Esta é uma frase de sua autoria: "Acho que as autobiografias das pessoas deveriam começar pelo presente." De onde vem esta peculiar convicção?
a) O passar do tempo é sinal de que estamos vivos, mas há acontecimentos do passado que não gosto sequer de recordar
b) Não vivo de memórias, porque não lido bem com a saudade
c) Estou a viver a fase mais feliz da minha vida e é disso que gosto de falar
Porque razão o título do seu novo livro é ‘Amores e Saudades de um Português Arreliado'?
a) Acho que todos os portugueses são arreliados, faz parte da reação perante a realidade
b) Somos um povo saudosista e é por isso que não encontramos soluções para os problemas
c) Sou (e estou) tão apaixonado que tinha de escrever sobre amores, não consigo fugir do tema
Qual a parte mais feliz do seu dia?
a) Acordar ao lado da Maria João [a mulher]
b) A noite. É a altura de maior inspiração, enquanto os outros dormem
c) Quando escrevo. Escrever é ser feliz
A melhor coisa que pode acontecer a um escritor é sem dúvida alguma:
a) Alguém, do outro lado, pensar "sim, é mesmo assim"
b) Escrever sobre os próprios sentimentos e ainda assim ninguém perceber que é a nossa alma exposta no papel
c) Conseguir sobreviver da escrita (e pagar contas...)
Por outro lado, o pior que pode acontecer a um escritor é...
a) Expor-se em demasia e ficar nu
b) Não ser lido e/ou compreendido
c) Ter uma crise criativa e não saber o que fazer com a página em branco
O Miguel Esteves Cardoso disse recentemente: "Era tão bom se pudéssemos editar a vida." Se pudesse editar a sua vida, que ‘arranjinho' fazia para a tornar melhor?
a) Retirar todas as angústias causadas pelo cancro da Maria João
b) Apressar a vida que tive antes de conhecer a Maria João (para poder tê-la conhecido mais cedo)
c) Cortava a minha incursão na política
Por que é ‘Linda a Puta da Vida' [título de um dos últimos livros do escritor, que também foi editado pela Porto Editora]?
a) É a única que temos e mal ou bem é a nossa oportunidade de andar por cá
b) Apesar das dores e de sabermos que não existe um happy ending vivemos como se o fim não fosse certo
c) A minha é porque a Maria João faz parte dela
Imagine que era convidado a anunciar publicamente a melhor notícia do ano. Qual seria aquela que mais gostaria de dar aos portugueses?
b) A saída do euro
c) Mais um livro do Miguel Esteves Cardoso
Tem o doutoramento em Filosofia Política, mas já disse que atualmente não acompanha a política portuguesa. A explicação desta sua atitude reside no facto...
a) Não gosto de desgraças
b) Estou farto de ser enganado
c) Tem sido impossível não acompanhar: há surpresas desagradáveis todos os meses e a angústia dos portugueses sente-se nas ruas
d) Outra hipótese: Ela [a política] pode bem sem mim
O Miguel Esteves Cardoso já escreveu, ao longo da sua carreira, diversas crónicas sobre os mais variados assuntos. Mas, ainda assim, qual o único assunto sobre o qual nunca lhe vai dar mesmo muito jeito escrever?
a) A vida privada dos maçons
b) A influência de Angola em Portugal
c) Não há nenhum assunto que me iniba
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