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O bailinho da Ribeira

Nos bailes do Mercado da Ribeira, em Lisboa, as damas já não ficam sentadas à espera do cavalheiro galante. São as elas que acertam o passo.

23 de janeiro de 2005 às 00:00

Linda é a rainha da matiné. Dança sozinha, cabelo apanhado, calças brancas apertadas e camisa com um laço ao peito. Meneia as ancas em pose provocadora ao ritmo latino dos Irmãos Cabanas. Sabe o refrão de cor: “É uma loucura / Um sonho de te amar / Vem para mim / Dá-me o teu calor”. Tem o ego insuflado. Abre os olhos e lança beijos imaginários para a pequena plateia masculina que lhe segue os movimentos libidinosos há longos minutos. Um dos cinquentões, de bigode fininho e ‘blazer’ verde fora de moda, ganha coragem. “A menina dança?”, pergunta, numa voz esmagada pelas melodias açucaradas que os sintetizadores debitam. Linda finge não ouvi-lo e esgueira-se para o meio dos pares enamorados que bailam sob as luzes psicadélicas. Minutos depois, aparece agarrada a um homem baixo e anafado, que irradia satisfação. “Não danço com qualquer um. Gosto de ser eu a escolher o meu par. Há para aí muito burgesso”, afirma a divorciada de Carnaxide, rosto marcado de rugas, mas de corpo enxuto para uma mulher de 50 anos. Está exausta de tanto rodopiar o corpo.

O tipo do bigodinho e do ‘blazer’ verde volta a concentrar-se no copo de cerveja. Parece chateado. Linda finge não perceber os olhares hostis. Como que para se justificar, diz em voz alta: “É tão bom estar divorciada e não dar satisfação a ninguém”.

Os Irmãos Cabanas voltam a carregar no acelerador, gritando, como ‘cowboys’ furiosos: “Aperta, aperta com ela!”. Ela é de novo sugada para o meio da pista. O homem do ‘blazer’, talvez embalado pela batida alegre, não perde tempo. Olha em redor e convida uma das senhoras que se escondem na penumbra, sentadas nas cadeiras. Desta vez tem sorte. Uma das ‘meninas’ aceita dançar com ele, sorriso maroto nos lábios.

MARCAÇÃO CERRADA

Às quatro e meia da tarde, o salão do Mercado da Ribeira, em Lisboa, está à pinha. É dia de baile. Todos os domingos, mais de mil pessoas, a maioria com mais de 50 anos e proveniente dos bairros típicos de Lisboa, vem esquecer as agruras da semana no espaço amplo que se divide em duas pistas de dança. A separá--las está um bar repleto de homens. Encostados ao balcão, abanam o pé ao som ‘pimba’ da banda Enigma 3, que toca no palco secundário. Não estão muito entusiasmados com a música. Preferem observar com atenção as senhoras que deambulam por ali.

Victor Henriques é um deles: “Não falho um baile. Venho cá às quartas, sábados, domingos e em noites de réveillon”, informa o dançarino, 52 anos, nascido na Mouraria, mas criado na boémia de Alfama. O fio dourado a espreitar do casaco de napa e a pose triunfante não passam despercebidos. Mas nega estar no engate. “Sou um homem casado. A minha senhora está por aí e vigia-me todos os movimentos suspeitos. Estou à espera que ela chegue. Só danço com ela.”

Na direcção contrária, um mar de gente invade o bar, num burburinho caótico. Eles de fato e gravata, brilhantina e lenço ao pescoço. Elas de cabelo armado, algumas de top ou vestidos de seda, e malinha a tiracolo. É o primeiro intervalo dos Irmãos Cabanas.

Frederico e Maria Helena, ambos de 60 anos, vestidos a rigor, e a testa transpirada, vêm beber uma gasosa para refrescar a garganta, depois de uma hora seguida de bailarico. “É quase como nos bons velhos tempos”, relembram, a arfar.

Os dois alfacinhas conheceram-se há 46 anos, na colectividade O Lisbonense – já extinta – também numa tarde de bailarico. Acertaram o passo para toda a vida. “Ela deu-me cá um trabalhão…”, suspira Frederico.

Nesses tempos, não podia dançar agarradinho, para não causar má impressão à família dela, que os vigiava implacavelmente. Para lhe complicar ainda mais a vida de galã, havia uma figura omnipresente, o chefe Sala, que vagueava no meio dos pares a controlar quem punha a mão no sítio onde não devia. “Se nos portássemos mal, éramos logo expulsos”, recorda.

Apesar da marcação cerrada, o sexagenário tem saudades dos bailes à antiga, quando o cavalheiro se dirigia à dama escolhida e pedia-lhe ‘a fineza’ de dançar com ele. Era um cerimonial importante que assentava sob rígidos padrões de comportamento. “Toda a gente ia com as melhores roupas, havia boas maneiras”, lembra o casal. “Hoje é uma grande bandalheira. Andam para aí vestidos à balda e nem sequer se penteiam.”

PODER PARA AS MULHERES

Entre a ruidosa multidão circulam oito seguranças, reconhecíveis pelo auricular, expressão contraída. “No princípio, havia uns gamanços e brigas. Mas conseguimos controlar os desordeiros”, conta Ricardo, que trabalha nos bailes do Mercado da Ribeira desde que abriram as portas.

Os quase três anos de experiência dão para o jovem segurança traçar um perfil psicológico dos clientes: “Há três tipos de pessoas: casais que vêm recordar os velhos tempos, idosos solitários e uns mais novos que estão aqui no engate, muitas vezes às escondidas dos cônjuges”. Ricardo revela que nem os seguranças escapam às garras afiadas de quarentonas divorciadas ou mal casadas. “Já fui alvo de assédio. Elas deixam bilhetes e cartões no meu bolso à espera que lhes telefone. Já podia estar a viver à conta dos rendimentos de uma cota milionária.”

Não é bazófia de segurança com corpo musculado. No Mercado da Ribeira, elas parecem seguir à risca a máxima das Spice Girls: “Poder para as mulheres”. Qualquer semelhança com as senhoras passivas dos bailes da província é mera coincidência. Um exemplo: “Aqui, somos nós que os convidamos para dançar”, revela Maria da Conceição. A emigrante de 50 anos partiu de Marvila para a Suíça em busca de melhor vida, mas sempre que regressa a Portugal não resiste: vai ao bailarico mais próximo. Está sozinha – as amigas não quiseram vir – mas confiante que a tarde será divertida. “Não sou muito de namoricos, mas se depois de uma dança der para curtir...”.

Não há regra sem excepção. Nas cadeiras brancas de plástico, em redor do enorme salão, estão sentadas as mulheres mais velhas, as menos extrovertidas ou as já acompanhadas. Guardam o casaco das amigas, que dançam todas lampeiras. “Já não tenho pernas para este Carnaval”, justifica a dona Deolinda, de 65 anos, poucos segundos antes de cochilar uns minutos.

Ao lado dela, de ar conformado, Madalena aguarda por um gesto galante. Os óculos de massa e as lentes de fundo de garrafa é que não ajudam. “Ninguém me convida…”, suspira em voz sumida. Já são seis da tarde. As perspectivas não são animadoras. E os ‘slows’ estavam prestes a começar…

A BAILAR NAS NUVENS

Encostado à entrada principal, perto de uma banca de mel e artesanato, Manuel Correia, 55 anos, ar aristocrático, olha fixamente para os pares românticos, que dançam de cabeça encostada ao ombro, enquanto fuma impassível um SG Gigante. “Foi neste baile que arranjei uma amiga colorida, há poucos meses”, confessa antes de dar mais um bafo no cigarro e recordar o momento de engate. “Olhei para ela fixamente, fiz-lhe um gesto com os dedos para se levantar e lá fomos dançar.”

Desde então, encontra-se religiosamente com a ‘amiga’ nos bailes do Mercado da Ribeira – apesar de ter uma grossa aliança de casamento no dedo. “A minha mulher fica em casa a tomar conta dos netos. Nunca gostou muito de bailes. Eu, pelo contrário, sou doidinho por dançar. Faz bem à saúde. Desde maio emagreci sete quilos.”

Ao contrário da maioria dos homens casados que vêm às matinés dançantes às escondidas das esposas, Manuel não tem truques na manga. “Tirem-me fotos à vontade. Ela não se importa que eu venha para cá”, diz antes de apagar a beata num cinzeiro.

Os olhos ganham brilho ao cruzarem-se com os de uma sexagenária loira, penteado de cabeleireira. Ela puxa-lhe pela mão e arrasta-o para o meio do magote de pessoas. “É a minha tal ‘amiga’”, anuncia – como se nós ainda não tivéssemos percebido.

Os dois são bons dançarinos – pelo menos não se pisam – mas o casal ao seu lado bate-lhe aos pontos. Eles são Francisco e Maria, o Fred Astaire e a Ginger Rogers do Cais do Sodré, e bailam um merengue em ritmo veloz e malicioso. Olham-se apaixonados e só se desgrudam quando os Irmãos Cabanas terminam mais uma canção de sabor latino.

“Há três meses, começámos uma nova vida”, revelam o divorciado e a viúva de Odivelas. Francisco aprendeu a dançar nos Alunos de Apolo e desde que começou a namorar com Maria, este Verão, tem-lhe ensinado os intrincados passos do ‘rumba’, ‘cha-cha-cha’, e do ‘twist’. “Tenho pena que a nova geração só saiba dançar aquela martelada de discoteca. Perdeu o romantismo”, dispara o operador de fornos. Maria observa-o com enlevo. “Quando estamos a dançar juntos sentimo-nos noutra dimensão”, confessa.

Os Irmãos Cabanas anunciam ao microfone a última música da tarde. Recebem assobios. O público quer mais mas já são quase oito da noite. Francisco e Maria estão no centro do salão, preparados para a derradeira dança a dois.

Aos primeiros acordes vão deslizando em passo largo pelo soalho de madeira, como se não houvesse mais nada nem ninguém à sua volta. Estão nas nuvens.

A BAILAR HÁ TRÊS ANOS

A ideia dos bailes do Mercado da Ribeira nasceu no Carnaval de 2002. Vítor Sarmento, o impulsionador, queria dar a Lisboa um espaço para as pessoas se divertirem, como nos velhos tempos. “A maior parte dos lisboetas são da província, onde qualquer colectividade organizava festas todos os fins-de-semana. Havia muita gente sedenta dos bailes, à moda antiga.”

Desde então, o piso superior do Mercado é palco de diversão entre os mais velhos, provenientes não só dos bairros tradicionais da capital como também de Sintra, Loures, Almada e Torres Vedras. “Às quartas-feiras vêm sobretudo reformados. Aos sábados há clientes de todas as idades. O domingo é o dia mais forte em presenças. Há pessoas de todas as idades e estratos sociais”, afiança.

A tradição dos bailes, em tempos tão enraízada na província, tem vindo a perder adeptos. De Norte a Sul de Portugal, os salões tem vindo a ser substituídos pelas discotecas.

NOITES COM 'RESPEITO'

Começam a chegar a partir das 23h00. À porta, o gerente recebe-os com um cumprimento e entrega-lhes o cartão de consumo. Cada um escolhe a sua mesa e pede a primeira bebida da noite. Outras se seguirão, não muitas, porque o balão pode estar à espreita lá fora. À espera para receber os clientes do ‘dancing’ Voz de Cristal, em Estoi, concelho de Faro, estão os músicos Carlos Granito e Paco Dias. A festa pode começar.

Às 00h00 o baile está ao rubro e pouco depois actua o artista convidado. Maria Lisboa era a artista principal convidada para abrilhantar a noite. No tecto, balões, fitas coloridas e luzes baixas aliam-se à música que puxa para um pezinho de dança. É o ambiente certo para uma noite que se prevê animada.

Manuel Tomé, 64 anos, é um frequentador assíduo do Voz de Cristal.E não é de agora. “Há mais de 20 anos que venho aqui todas as noites, sempre que está aberto.” Ou seja, às terças, sextas, sábados e domingos. O homem, divorciado, chega quase sempre sozinho mas, garante a quem o quer ouvir, não anda à procura de namorada. No entanto, sempre vai dizendo que “já conheci algumas senhoras jeitosas”. Deixa soltar um sorriso largo e não dá mais explicações.

Dois casais assíduos no Voz de Cristal são Lurdes Soares e o marido e Vítor Viegas e esposa. Residentes em Faro, visitam o ‘dancing’ duas a três vezes por semana. São vizinhos e trocam de par entre si sem problemas. Tudo dentro do respeito, garantem. “Vimos para aqui porque gostamos da música, os artistas convidados são bons e somos muito bem recebidos”, dizem, acrescentando que “já conhecemos aqui algumas pessoas de quem nos tornámos amigos.É uma casa respeitável”. Dito isto acrescentam: “Há uns anos, com outra gerência, é que as pessoas vinham para encontrar outras, agora não”. Lurdes gosta de baladas, Vítor prefere “as pimbalhadas”. Dançam até às 03h00 ou 04h00, enquanto houver música e força para aguentar o balanço.

Vírgilio de Carvalho é outro dos ‘habitués’ do Voz de Cristal. Mas naquela noite, e contrariamente ao que é hábito, deixou a sua cara-metade em casa. “A minha mulher resolveu ficar em casa esta noite”, justifica. Mas este velho de 73 anos não foi sozinho ao bailarico. A companhá-lo estava a prima Lisete Couto, do Estoril.

Para o dançarino Vírgilio a romaria ao Voz de Cristal mais do que um prazer é uma terapia.“Não perco estes bailes por nada. Durante 30 anos, saía todas as noites, agora já não pode ser assim, mas continuo a divertir-me”, revela o septuagenário. E acrescenta em jeito de despedida: “Podia dançar oito dias seguidos que não me cansava. A minha prima ainda é pior que eu”.

NA DANCETERIA É QUE É

Em Albergaria-a-Velha há uma das chamadas ‘catedrais’ da dança popular, a Turol. Ao fim-de-semana mobiliza um batalhão de gente que procura animação, convívio e, em alguns casos, o par perfeito. A música ao vivo e a sofisticação do espaço deliciam os adeptos. Apesar dos dançarinos tentarem relegar para segundo plano o objectivo de encontrar um parceiro, admitem que é um local propício para uns “arranjinhos”.

António Santos, quase sexagenário, é uma espécie de prata da casa.Começou por sair sozinho “para conhecer o ambiente”, mas agora não dispensa a companhia da esposa, Maria da Graça, que diz não “trocar um pé de dança ao fim-de-semana por nada”.

Ana Maria, divorciada de 45 anos, confessa ter uma postura “excessivamente cautelosa”. “Saio para dançar com as amigas e não procuro mais nada, porque há quem só venha para o engate”, acrescentou.

Maria Fernanda, viúva de 50 anos, também lamenta não poder confiar nos homens. “A maior parte são casados e andam a enganar as mulheres. Eu já fui enganada aqui, mas se aparecer um homem em condições não o vou rejeitar.”

Do lado masculino as motivações parecem ser mais determinadas. Paulo Costa, solteiro de 29 anos, é adepto do espaço por poder “conhecer mulheres mais velhas e com experiência, para bons momentos sem compromissos”. De copo na mão e encostado a um balcão, o jovem lembra que, no entanto, aquele “não é um local para conhecer a futura esposa”.

Carlos Pimenta, divorciado de 35 anos, recorda um episódio curioso que torna a danceteria “num local sem igual”. “Pedi a uma senhora para dançar e ela exigiu o meu bilhete de identidade para ver se eu era casado”. “Mostrei e dançámos”, diz sorrindo.

Manuel Oliveira, o gerente do espaço, não esconde o seu orgulho – “é uma enorme casa de família”, conclui.

RELAÇÕES ENGRAÇADAS

Longe vão os tempos em que os bailes do Salão A Catraia, em Amoreira da Gândara, Anadia, rebentavam pelas costuras. O povo gostava de dançar e sabia as músicas de cor e salteado, animando as tardes ou noites com passos de dança de fazer inveja aos melhores dançarinos da nossa praça. Manuel Arroz, 40 anos, é proprietário do salão local, onde promove espectáculos há 12 anos. Até há algum tempo, organizava bailes todos os fins--de-semana. Uma rotina que foi obrigado a alterar devido “à decadência dos bailes”.

Agora é só uma vez por mês, sempre aos domingos à tarde, que o Salão A Catraia se enche de gente. “A adesão é menor, os bailes estão a ficar fracos e dá prejuízo fazer todas as semanas”, assegura. “Há uns anos, o baile estava cheio com qualquer conjunto, mas agora as pessoas só vêem com esta banda que são os TV5”, acrescenta.

Nos bailes de antigamente, havia gente de todas as idades. “Hoje só se vê pessoal mais jovem, os mais velhos não aguentam o ritmo.” O preço das entradas varia consoante o grupo em palco, mas o bilhete mais caro custa cinco euros. O negócio vai andando com a ajuda da família, que se divide por várias tarefas, desde o irmão na bilheteira ao sogro na entrada.

Lino Gala, 22 anos, é um cliente assíduo destes bailes. Solteiro e bom rapaz, o jovem de Vilarinho do Bairro, que ainda se lembra quando as mães acompanhavam as filhas, pica o ponto já lá vão nove anos. Quase sempre acompanhado da irmã e de amigos, o rapaz adverte: “Pessoal ao engate era antigamente, agora vem gente para se divertir e se aparecer alguma coisa aparece, mas se não aparecer este domingo tenta-se para o próximo”.

TUDO EM FAMÍLIA

Desde os oito anos que Antonino Rodrigues se habituou a fazer da Sociedade Filarmónica Figueirense (SFF) a sua segunda casa. Mesmo depois de abandonar o cargo de director da colectividade nunca deixou de frequentar os bailes. Para ele não restam dúvidas – estes são onde “revive o passado, mas a olhar para o futuro”.

Maria Teresa Marinho e José Pedrosa Seguro rasgam leves o piso da colectividade ao som da música do conjunto privativo da SFF, o Classic Band. Conheceram-se há décadas, mas a vida levou-os por caminhos opostos. Nestes bailes, reataram “a amizade antiga e a paixão nasceu”. Hoje o casal não perde um baile: “Aqui fazemos um outro tipo de ginástica”, conta bem disposta Maria Teresa, que não pára de dançar horas seguidas.Apesar das telenovelas, cinema e DVD “aqui o convívio é saudável”. “Acabámos por nos tornar numa outra família”, explica o seu companheiro.

A família Silva também não falha um baile. Ao lado de Fernando, Udília, sua mulher, deixa passos de dança bem executados. A Fernando agrada-lhe o ambiente, tendo nascido destes convívios o convite para integrar a direcção da colectividade. Ana Rita, de oito anos, e Daniel, de 12, mostram que ‘filho de peixe sabe nadar’. Os filhos do casal Silva são já uma presença activa nos bailes, dançando a pequena Ana Rita com o pai, e Daniel com mãe. Mas fica o reparo de que “uns computadores aqui davam jeito...”.

A orquestra anima os dançarinos, deixando no ar notas de fino recorte musical e as canções mais dançáveis neste tipo de espaços. E o baile segue noite fora...

HOMENS TÍMIDOS

Nas instalações dos estaleiros municipais de Mortágua o relógio marca 15 horas. Faz algum frio, mas será por pouco tempo. Está quase a começar o baile e naquele domingo o slogan é ‘Mexa-se! Venha dançar’.Os convivas começam a chegar e o agrupamento musical termina a afinação dos instrumentos. Está tudo a postos. Logo que soltam os primeiros acordes os artistas da dança começam a perder a timidez e fazem-se à pista. Outros ficam a observar, sentados em bancos colocados em redor do salão.

Tal como noutros tempos, as mulheres esperam o ‘desafio’ dos homens – só em último caso é que dançam mulher com mulher. “Os homens hoje são mais tímidos e não têm coragem para convidar uma dama a dançar”, afirma Maria Ramos, uma das ‘habitués’.

O grupo Contraste sabe do que as pessoas gostam e faz-lhes a vontade. O ritmo é bom, os dançantes empolgam--se, e com um sorriso nos lábios falam entre si… ao ouvido.

Fernando Pires Ramos, não perde uma única música.“Foi nos bailes que eu conheci a minha mulher. Somos os dois viciados. Mas hoje já não é como antigamente. Os mais novos não gostam de dançar, preferem estar como uma cerveja na mão a sentir o corpo de uma mulher ao som da música.”

Tiago Rodrigues, de 21 anos, estava no salão mas não se fez à pista porque o seu ‘alvo’ não se encontrava ali nas redondezas. “Pensei que estivesse cá uma pessoa – a pretendente – mas não está. Não estou com muita vontade de dançar, mas gosto de ver”, observa o jovem meio desconsolado.

Até às 19 horas, a pista de dança manteve-se sempre bem composta mas a partir daquela hora os dançantes começaram a debandar. Para o próximo domingo há mais.

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