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O homem que lucrou com a crise

Se a voz do povo é a voz de Deus (o povo preferia que a voz fosse a do Tony Carreira), o que se resmunga nos cafés?

12 de outubro de 2008 às 00:00

Bem, que a banca é como o casamento para o Bloco de Esquerda: uma instituição falida (salvo o casório gay). Ora, o povo, na sua infinita sabedoria, está redondamente enganado. Vejamos o caso do lendário investidor Warren Buffett – o segundo bípede mais rico do Mundo. Há dois meses, um ‘papel’ do banco Goldman Sachs valia 179 dólares. Com o trambolhão, caiu para 121. Buffett comprou 10 ‘biliões’.

Na sexta-feira passada, cada acção valia 128. O magnata cravou 578 milhões de dólares em dez dias. Fez mais ou menos o mesmo com a gigante General Electric, a Constellation (energia) e os chocolates Mars. Entretanto, os outros investidores escondiam-se debaixo da cama. Os axiomas dele são singelos. Não injecta pilim em assuntos de que não percebe patavina. Prefere coisas quenunca deixarão deser consumidas: comida, cerveja, lâminas de barbear. Previu o estoiro da bolha ponto.com. E adora uma boa pechincha – como ele diz, 'comprar príncipes a preço de sapo'. Idiossincrático? E como! Foi chamado 'Forrest Gamp das finanças' pela revista ‘Vanity Fair’. Tudo porque vive frugalmente (o seu salário é o mais baixo dos executivos das 200 maiores empresas americanas), na saloia cidade de Omaha. E suspira: 'É mais fácil ganhar dinheiro do que gastá-lo.' (Comigo passa-se precisamente o contrário.)

McCain daria o braço direito para o ter como secretário do Tesouro, mas Buffett apoia Obama. Pasmem: por décadas a fio, o magnata viveu em harmonia com duas mulheres (com uma já não é mole). Viúvo, casou com a sobrevivente quando esta tinha 60 anos. Não, não se trata de um pacóvio que nasceu com o rabo virado para a Lua, como atesta a biografia, 'Snowball, Warren Buffett and the Business of Life', lançada agora nos EUA. Os epigramas dele são quase dignos de não um Voltaire mas, pelo menos, um Mencken. Pesquei-vos três pérolas: 1) 'Se o mercado fosse eficiente, eu estava a pedir esmola na rua.' 2) 'Quando a maré baixa é que se vê quem estava a nadar nu.' 3) 'Com um milhão de dólares e muita informação privilegiada, você pode falir num ano.'

OK, deixemo-nos de tretas. Apesar dos aspectos tóxicos da especulação, foi a liquidez copiosa que retirou 400 milhões de chineses da pobreza (e 20 milhões de brasileiros). E a responsável por a Índia deter 65% do mercado mundial de tecnologia informática. E por a República Checa duplicar a produção automóvel em apenas três anos. E imensos etc. Mas só mesmo Warren Buffett para, aos 78 anos, surfar num tsunami...

OBAMANIA NA TV Homer já tem candidato: no episódio dos Simpsons que vai para o ar nos EUA a 2 de Novembro (dois dias antes das presidenciais), ele votará em Obama. E também quase toda a fauna de carne e osso de Hollywood, reduto democrata na Califórnia, governada por Arnold Schwarzenegger – que apoia McCain…

CHAMAR A MÚSICA Numa digressão em Portugal, Adriana Calcanhotto sofreu um 'surto psicótico induzido por medicação' (contra a gripe), com períodos de pânico e delírio. Evoca o episódio no livro 'Saga Lusa', que será lançado em Novembro no Brasil. Afinal, também quem conta os seus males espanta.

RECLUSA Superstar em comédias românticas nas décadas de 50 e 60, aos 83 anos Doris Day vive só num casarão californiano, com gatos e cães. Nos bons tempos, cultivou a imagem de rapariga ‘careta’ e ajuizada. Tanto que um amigo disse: 'Já estou em Hollywood há tantos anos que conheci Doris na época em que ela ainda não era virgem.'

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