Natureza, quietude e inspiração. E afectos, ou não fossem os filhos companheiros de refúgio habituais
O Alentejo serve a inspiração numa bandeja de serenidade e comodismo. O produtor de cinema Alexandre Valente socorre-se do verbo amar quando descreve a região do País onde o seu refúgio o espera aos fins-de-semana e, por vezes, em certas noites durante a semana – quando o trabalho exige delinear estratégias e maior concentração.
'Amo o Alentejo! A natureza, as pessoas, a gastronomia, o ar, o cheiro, os campos...', enumera, com a certeza de que os atractivos do local não se ficam por aqui, onde a lista termina. Entre Alcácer e Montemor-o-Novo, o paraíso de Alexandre Valente tem forma de casa e, à parte os dias em que o contexto ajuda o trabalho a fluir, é feito de afectos. Principalmente. Dos passos e das gargalhadas da Inês, de seis anos, e do Lucas, de dois: os filhos do produtor de cinema são os seus mais habituais companheiros de refúgio.
'Aqui, consegui encontrar o conceito ideal para a minha condição de pai solteiro, para descansar e gozar o (pouco) tempo livre. Quando estou com os meus filhos sou totalmente deles', assume o produtor dos filmes ‘Corrupção’ e ‘O Crime do Padre Amaro’, satisfeito por poder proporcionar aos filhos 'a liberdade em contacto com a natureza'. E tudo aquilo a que a vida no campo dá direito. 'Convivem com gado, cavalos, raposas, coelhos, é um recheado de emoções e experiências: até já assistiram, por duas vezes, ao nascimento de vitelos', conta Alexandre.
Isto, aliado à comodidade de um condomínio onde os serviços são garantidos através de uma administração, o que elimina 'a enorme trabalheira' que costumam dar as segundas casas. 'Se não fosse assim, passava o tempo disponível todo a trabalhar – arejar, cortar a relva, tratar da piscina – em vez de usufruir da mesma', refere, sublinhando o 'comodismo' como a maior vantagem que ali encontrou.
Até na decoração a tranquilidade foi a palavra de ordem. 'Os objectos simples que já tinha foram colocados de maneira a não sobrecarregar o espaço e tornar a casa o mais simples possível'. Muitos, carregam memórias do passado; pertenciam ao avô de Alexandre e o produtor fez questão (e gosto) de os conservar bem perto. É também no refúgio que desfruta da música, literatura e cinema, uma convergência de artes que a quietude do Alentejo estimula e incentiva.
Não se pense é que Alexandre Valente não gosta de ambientes mais urbanos e movimentados. 'Lido muito bem com todo o tipo de stress, sou dependente do stress saudável; a minha cidade, Lisboa, é maravilhosa, sinto-me parte dela, das suas colinas, do rio inconfundível, do cheiro único', explica quem não imagina a sua vida sem os dois locais que elegeu para viver. 'Não levava nada de Lisboa para o Alentejo, muito menos do Alentejo para Lisboa. Acho que cada um dos locais serve muito bem como estão e preenchem-me na plenitude', garante. Acreditamos.
UM 'PARAISO DE SENSAÇÕES' NO ALENTEJO
É o telheiro no exterior do refúgio de Alexandre Valente, a área da casa que o produtor do filme ‘Corrupção’ prefere. 'Quando vou sozinho, entro por um lado e atravesso a casa para sair em direcção ao telheiro, onde me sento a olhar o nada, ouvir o silêncio único do Alentejo, contemplar o céu e as estrelas, perder-me no paraíso de sensações que tão bem o local me consegue proporcionar', diz quem também aproveita para trabalhar na segunda habitação. E, muitas vezes, em conjunto, como acaba por explicar: 'Serve muito bem a minha actividade profissional. Por exemplo, a nova longa-metragem que estamos a preparar na Utopia Filmes, nasceu aqui e foi também aqui desenvolvida e escrita na sua maioria, quer por mim quer pelos argumentistas e colaboradores da Utopia que adoram aqui trabalhar e desfrutar do ambiente único'. Quando está com os filhos, Inês e Lucas, a palavra trabalho não entra. E até a falta de rede no telemóvel de serviço na zona onde o refúgio se localiza ajuda Alexandre Valente: 'quando estou com os meus filhos sou totalmente deles.'
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