Nunca uma vitória teve tanta interferência numa mudança de rumo. Foi o primeiro lugar num torneio de ténis, desporto que por essa altura preenchia os tempos livres de Iúri Feliciano, que lhe deu a conhecer o golfe. “Ganhei um ‘voucher’ que me permitiu experimentar e ter aulas durante uma semana”, conta o jovem algarvio, hoje com 16 anos . Foi (em 2004) e ficou (até hoje).
Encostou as raquetes, optou pelo taco e é no golfe que se imagina a fazer profissão; e não como atleta - é a ensinar que Iúri se imagina a trilhar caminho. O primeiro passo já foi dado. Terminou recentemente uma formação intensiva que o habilitou a ensinar o desporto -foi um dos dez alunos que conseguiu aprovação.
É o mais novo professor de golfe, a quem não falta na ponta da língua a pedagogia educativa e o vocabulário do incentivo mas um campo para ensinar. “Um professor novo tem que ter autorização do campo de golfe para poder utilizá-lo e dar aulas”, explica o jovem que já enviou currículos para todos os ‘greens’ que se localizam a Sul. Não obteve resposta. Perguntamos se acha que o silêncio se deve à sua tenra idade - mas Iúri é pronto a responder que não confessou os 16 anos no papel. A oportunidade vai chegar, ele confia na vontade. Mesmo porque foi o sucesso do primeiro ‘aluno’ que o incentivou a procurar uma formação que lhe desse habilitação para ensinar. Para transmitir.
O pai aprendeu com ele a técnica e os preceitos do desporto que se faz de tacadas e percursos. De bolas alinhadas e de ‘greens’ repletos de buracos. “Olhei para o meu pai como uma possível ‘criação’ minha, ensinei-o a jogar e cerca de duas semanas depois ele começou a progredir”, conta orgulhoso da proeza o jovem professor.
Quando o questionamos sobre as qualidades que definem um bom professor de golfe, Iúri Feliciano nem pestaneja ou denuncia hesitação. “Há três passos essenciais”, contextualiza.
“Dizer ao aluno o que deve fazer, mostrar-lhe, e deixá-lo fazer”. Parece fácil, pensamos, mas Iúri acrescenta mais informação. “É muito importante dar aos alunos o feedback do que fizeram, mas nunca de uma forma negativa”, conta, explicando que a escala vai do ‘está melhor’ até ao ‘está óptimo’. É a pedagogia, sublinha confiante na capacidade de um professor em determinar o progresso dos alunos. Aos 16 anos não lhe faltará razão.
Mas não se pense que Iúri só no ensino do golfe se realiza. O xadrez, a natação, a química e a matemática também entusiasmam o algarvio que na escola está no 11º ano. Confessa que prefere tudo o que se baseia em cálculos e exactidão, mais do que a subjectividade de outras disciplinas. Até porque o golfe é uma ciência exacta, diz-nos como explicação. “Temos que escolher os tacos indicados para cada distância e alinhar; qualquer pequena falha se reflecte no resultado”.
É também isso que quer ensinar aos futuros alunos. A não falhar. E Iúri Feliciano, que só não gosta muito de estudar, não se imagina mesmo a fazer outra coisa no futuro-que-espera-próximo que não ensinar golfe. “Não há nada melhor do que ter uma profissão ao ar livre, por isso se conseguir é isto que quero fazer”. Não lhe falta iniciativa.
Um país... França
Uma pessoa... O pai
Um livro... ‘O Código Da Vinci’
Uma música... ‘I believe I can fly’
Um lema... Experimentar de tudo um pouco
Um clube... Sporting
Um prato... Todos, desde que seja bom
Um filme... ‘O Tesouro’
ALGARVIO FOI O ÚNICO PORTUGUÊS NA FORMAÇÃO
Durante uma semana , entre 11 e 17 de Novembro, Iúri Feliciano não foi à escola. O motivo era importante e o apoio dos pais tornou possível. Em Tavira, no campo de golfe ‘Benamor’, o jovem algarvio aprendeu os passos e a técnica para poder ensinar a modalidade.
Das 8h30 até ao pôr do sol os dezassete candidatos a professor treinavam no campo; depois até às 21h30 reuniam-se numa sala de estudo a aprender a metodologia de ensino necessária. Iúri foi um dos dez aprovados no curso, com o diploma da ‘European Golf Teachers Federation’ (EGTF). Dos participantes da formação o jovem algarvio era o único português - “o curso foi dado em inglês” - e o mais novo.
“O jovem mais novo a seguir a mim tinha 25 anos e o mais velho tinha 60 anos”, conta Iúri Feliciano que estranhou ser o único português mais do que o único menor de idade. Até porque em todas as formações que fez, a idade precoce distinguiu-o sempre dos restantes participantes.
A ideia de fazer o curso foi do adolescente, que chegou a pensar deixar para mais tarde o sonho; arriscou e foi aprovado, pelo que agora só falta um local onde possa ensinar - “não tem sido fácil”. Mas Iúri não desiste.
Iúri Feliciano frequenta o 11º ano na área de Ciências e Tecnologia. Adora matemática e química - “são mais exactas, tal como o golfe” - e nos tempos livres também pratica natação e joga xadrez.
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