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Artigo exclusivo

Praias antigas: Lavradores iam 'a banhos' em outubro

Em Cascais ou na Granja, todos os veraneantes se conheciam. A grande colónia espanhola da Figueira da Foz assustou-se com a Guerra Civil (1936-1939). Pelo litoral, havia praias para aristocratas, cosmopolitas, novos-ricos, burgueses, remediados e plebeus.

12 de julho de 2026 às 01:30

Na Figueira da Foz, “todas as famílias que se prezavam alugavam barraca para a temporada”, garantia Jorge de Sena, no romance ‘Sinais de Fogo’. “Os toldos eram para veraneantes sem categoria”, acrescentava o escritor, descrevendo o verão de 1936, que ali passou, vendo “espanhóis aos gritos” na estação de comboios “e uma grande massa de gente comprimindo-se nas bilheteiras”. Afinal, aquela comunidade vinda da Estremadura, de Leão e Castela, de Madrid, aproveitando a linha ferroviária da Beira Alta e contagiada pela “intensa propaganda” que, desde 1882, tinha sido feita nos jornais do seu país, quase tinha já adotado a “Rainha das Praias de Portugal” - que até tinha o mais antigo casino da Península - como a sua “segunda residência”.

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