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QUANDO COMER É UMA DOENÇA

O exagero gastronómico é, juntamente com a anorexia e a bulimia, um distúrbio alimentar que afecta cada vez mais mulheres. Mas o problema também ataca os homens

20 de setembro de 2002 às 16:47

O exagero gastronómico é, juntamente com a anorexia e a bulimia, um distúrbio alimentar que afecta cada vez mais mulheres. Mas o problema também ataca os homens

Deitam-se a pensar em comida. Mal adormecem, sonham com comida. Acordam, e a vontade de ir ao frigorífico torna-se impossível de controlar. Levantam-se, então, para ir à cozinha e devorar em poucos minutos algo com muitas calorias. É assim, segundo Mário Mascarenhas, endocrinologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que algumas mulheres passam as suas noites, antes de irem ao médico. Quando aqui chegam o diagnóstico é claro: “comedora compulsiva”, paciente de um distúrbio alimentar.

A compulsão pela comida é, juntamente com a anorexia e a bulimia, um distúrbio alimentar que afecta cada vez mais mulheres, apesar de alguns homens também sofrerem destes problemas. Aliás, o endocrinologista refere que a compulsão pela comida atinge muitos homens de negócios, “pois está relacionada com o stress”.

Cada uma destas doenças tem as suas características. Uma mulher anoréctica participa compulsivamente em regimes dietéticos muito rigorosos para baixar de peso, atingindo níveis muito abaixo do seu peso ideal. Um dos sintomas é a doente ter uma percepção distorcida da sua imagem e usar inadequadamente laxantes e diuréticos. A bulimia, por seu lado, é um distúrbio com episódios de ingestão compulsiva de alimentos, seguida pela provocação de vómitos. Quem sofre de bulimia faz também regimes rigorosos de dietas, para levar à perda de peso depois da compulsão.

A comedora compulsiva, essa, apresenta ciclos alternados de compulsão pela comida e sintomas depressivos acompanhados de sentimentos de vergonha, culpa e arrependimento. Aliás, segundo os médicos, a comedora compulsiva utiliza a comida para lidar com os seus sentimentos.

Mas, ao contrário das pacientes de anorexia e da bulimia, as comedoras compulsivas acabam, na maior parte das vezes, por ser tornarem mulheres gordas. A vontade de ingerir produtos com açúcar, gorduras e outros com muitas calorias é, segundo os especialistas, causado pelo facto de estes alimentos estimularem a produção de serotina, a substância que actua no cérebro e regula o apetite.

Diferentes nos sintomas, todos estes problemas alimentares têm algo em comum: são perigosos. Os comedores compulsivos correm sérios riscos de ficar com o estômago dilatado, serem alvo de doenças cardiovasculares, terem elevados níveis de colesterol e maior tendência para se tornarem diabéticos. Para além dos perigos físicos, ser comedora compulsiva traz também graves problema psíquicos.

O drama vivido por muitas pessoas levou a criação em todo o mundo de grupos de apoio. Em Portugal, há um que segue o modelo dos 12 passos dos Alcoólicos Anónimos e reúne às segundas-feiras na Igreja das Furnas, em Sete Rios, Lisboa.

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