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QUERO MUITO SER MÃE

A vencedora do último Big Brother prepara-se para lançar o seu primeiro disco, Mil e Uma Cores. Quer ainda terminar o curso de Físico-Química, e confessa que gostava de jantar com Sean Connery.

26 de julho de 2002 às 19:27

Magazine Domingo - Sempre disse que queria gravar um disco. Como é que surgiu esta oportunidade?

Catarina Cabral -A vontade de gravar um disco é antiga e foi, aliás, uma das razões pelas quais concorri ao Big Brother. Dois dias depois de sair da casa telefonaram-me a saber se estava interessada em gravar um álbum, assinei um contrato, comecei a fazer testes de voz para saber que tipo de música podia cantar e qual era o meu timbre. Tive também aulas de canto.

MD - Quanto tempo é que esse percurso demorou até ao Mil e Uma Cores?

CC - Saí em Janeiro da casa e em finais de Fevereiro, início de Março assinei o contrato e comecei a preparação para o disco.

Já apresentou dois singles, o Mil e Uma Cores e o Sinal.

Sim, foram os únicos que apresentei. Ainda não temos uma data fixa para o lançamento do álbum nem para o primeiro concerto, apesar de já ter alguns espectáculos marcados. Posso apenas dizer que é muito em breve.

MD - Como é que define este álbum?

CC - O repertório está dividido entre baladas e música pop. Penso que é um álbum com ritmo. As letras estão relacionadas com a imagem que as pessoas têm de mim, da ilha, das cores, do facto de ser açoriana.

MD - Pensa que é essa a imagem que as pessoas têm de si?

CC - (risos) Sim, nem que seja porque quando falam da Catarina identificam-me logo com os Açores, com as ilhas. Sei também que quem me conhece através do Big Brother lembra-se logo que sou açoriana.

MD - Além de querer gravar um disco, que outras razões a motivaram a concorrer ao Big Brother?

CC - Queria muito gravar um disco. Eu já cantarolava e se fosse concorrente do Big Brother ia ser mais fácil. A música sempre esteve dentro de mim. Há outras coisas que gostava de fazer, mas não tenho qualquer tipo de técnica, instrução e experiência.

MD - Está a pensar em novos projectos?

CC - Talvez, mas são ainda ideias soltas, na medida em que para me entregar a uma coisa faço-o sempre de corpo e alma. Preciso de aprender primeiro e de conhecer, mininamente, os meios antes de me envolver num projecto. Por outro lado, sei que os concorrentes dos reality-shows ficam rotulados, não me quero envolver só porque fui concorrente do Big Brother. Tudo o que eu fizer sem qualquer tipo de instrução não é por mérito próprio, mas sim porque estive no Big Brother e teria tudo “de mão beijada”. Essa ideia não me agrada.

Mas o Mil e Uma Cores foi uma “consequência” do Big Brother...

Sim, mas é diferente porque dentro da casa as pessoas ouviram a minha voz e a música já fazia parte da minha vida. “Utilizei” o Big Brother para atingir os meus objectivos, mais imediatos. Já tinha cantado numa banda, na tuna académica... ou seja, possuía alguma experiência.

Talvez gostasse de experimentar a representação, mas não tenho qualquer experiência. Por isso, considero injusto para actores e actrizes profissionais que têm curso, experiência e se calhar não têm papéis de destaque porque há muitos obstáculos ou surgem outras pessoas...

MD - Ou seja, não aceitava um convite para protagonizar uma telenovela?

CC - Não. Se me convidassem agora, nunca aceitaria. Seria muito injusto eu participar numa telenovela com um papel de destaque quando há profissionais que andam há anos a batalhar para que o seu talento seja reconhecido. Eu só seria convidada por ser a “menina que ganhou o Big Brother” que é precisamente aquilo que não quero.

MD - Vai ver o próximo Big Brother?

CC - Sim, claro que vou ver. Dentro das minhas possibilidades estarei atenta. Vi o primeiro e o segundo. Participei no terceiro...

Como é que acha que vai ser o novo BB, tendo em conta que os concorrentes têm vindo a ter, cada vez mais “liberdade”?

Penso que depende muito do formato, ou seja, das regras que a produção adoptar. Mas sinto que em cada BB a selecção dos concorrentes foi muito diferente. Estou na expectativa... Quando comecei a ver a Academia das Estrelas, ao princípio incomodava-me ver os concorrentes na “minha casa” e acho que isso também vai acontecer com o novo BB.

MD - Que papel tem a dança na sua vida?

CC - Estive durante dez anos no ballet clássico e depois mais cinco no ballet contemporâneo. Neste momento, se regressasse à dança não seria ao ballet. Já tenho uma certa técnica, mas também já desisti há quatro anos, ou seja, o meu corpo já não está tão preparado. Se voltar a dançar, quero experimentar a dança jazz. Tive duas semanas de estágio nos Estados Unidos e adorei. Seria algo diferente na minha vida.

MD - No meio de tantas actividades, a Catarina está a estudar Físico-Química.

CC - (risos) Pois estou! Ainda só frequento o 10 ano porque estive em Letras, depois mudei para Ciências, estive em Engenharia Química e agora estou em Físico-Química, que é o curso que quero tirar. Estava matriculada nos Açores, mas pedi transferência para Lisboa e quero acabar este curso.

MD - Como é que se conjuga a Físico-Química com a vida artística?

CC - Costumo dizer que se eu tivesse muito dinheiro passaria o resto da vida a tirar cursos. Sou uma salta-pocinhas em termos de cursos. Se calhar, por ser nova e por me desculparem pela minha idade, experimento tudo e mais alguma coisa até descobrir a minha verdadeira vocação. Mas a vida não tem sentido se não fizermos algo de que gostamos. Neste momento, sinto-me bem com a Físico-Química que é uma disciplina que sempre adorei. Estou na vertente de ensino.

MD - Gostava de ensinar?

CC - Desde criança que o ensino me “inspira”. Quando era pequena queria ser professora de inglês. E a Físico-Química é uma cadeira extremamente motivante. Os miúdos chegam às aulas e mesmo sem conhecerem, antes de entrarem, já detestam a disciplina e a professora. Penso que há maneiras de brincar com o estudo e com o ensino e dar aulas a crianças e jovens de uma forma que os motive.

MD - Lembra-se da sua primeira aula?

CC - Recordo-me perfeitamente da minha primeira aula de Físico-Química. Os meus irmãos disseram- -me “vai ser a tua primeira negativa” e fiquei aterrorizada. Cheguei lá, detestei a professora, mas depois achei que era uma disciplina divertida, brincava com os átomos, as moléculas e aquilo tudo e tornei-me uma boa aluna nesta disciplina. Acabar o curso é uma prioridade.

MD - Que outras prioridades a regem?

CC - Prioridades? Prefiro dizer objectivos. Um dos meus grandes objectivos é ser mãe e ser feliz naquilo que faço. Quero muito ser mãe. É uma busca incessante de felicidade, de vitória e de glória na vida.

MD - Mas imagina-se a ser mãe daqui a um ano, por exemplo?

CC - Não tenho uma data definida para ser mãe. Quero ter filhos e sinto que tem muito mais piada quando somos novos.

MD - Como é que lida com a popularidade?

CC - Quando concorri ao BB, os meus amigos diziam-me sempre : “se entras, depois vais ter que lidar com a fama”. E eu respondia: “Aqui, na ilha, é uma coisa normal, praticamente não se consegue sair à rua sem dizer “olá” de cinco em cinco minutos e é só expandir isto para o continente, mais nada”. Não me faz confusão a popularidade ou a fama.

MD - Já teve algum episódio engraçado com “fãs”?

CC - Sim, vivi alguns momentos muito engraçados, mas sempre pelo lado positivo. Lembro-me, por exemplo, de uma senhora que me veio dar o telefone e que me convidou para ir a casa dela para sermos amigas e para me conhecer melhor. Depende dos sítios. Geralmente, no interior do país é que se passam coisas mais engraçadas.

MD - Como é que se sentiu quando teve que lidar com os media?

CC - Não me fez grande confusão porque sou uma pessoa reservada e sempre disse isso. Não gosto de me dar a conhecer, gosto que me descubram. Não sou pessoa de falar muito dos meus sentimentos e da minha vida privada, por isso nunca foi difícil lidar com os jornalistas.

MD - De que signo é?

CC - Sou Aquário.

MD - Acredita na astrologia?

CC - Não sei bem se acredito, mas confesso que gosto de ler e saber como vai ser o meu dia ou a minha semana.

MD - Quais é que são as características dos aquarianos?

CC - São pessoas adaptáveis, simpáticas e amigos dos seus amigos. Somos pessoas muito sonhadoras, mas ao mesmo tempo, terra a terra.

MD - No meio de uma vida tão agitada, como é que encontra tempo para estar consigo?

CC - Por natureza sou uma pessoa calma. Converso muito com o espelho. E se tiver algo que me perturbe, gosto de estar sozinha no meu canto e de preferência com o comando de televisão na mão.

MD - E em que canais é que o comando pára?

CC - Em todos menos nos canais das telenovelas. Estou saturada, além de que o enredo é sempre o mesmo.

MD - Lembra-se dos livros que a marcaram?

CC - Quando era criança adorei a colecção Os Cinco. “Devorei” a colecção, se fosse preciso não almoçava nem jantava para continuar a ler. Dos livros mais recentes que li, saliento As Palavras Que Nunca te Direi.

MD - Viu o filme?

CC - Vi e não gostei. Penso que os livros são sempre muito melhores do que os filmes. São mais ricos e mais fortes.

MD - Se pudesse almoçar ou jantar com uma personalidade internacional, quem escolheria?

CC - (risos). Almoçava ou jantava com o Sean Connery. Considero-o um homem interessante e charmoso, além de ser um excelente actor. E, hoje em dia, nem toda a gente tem charme...

RAIO X

Nome: Maria Catarina Álvares

Cabral Raposo Cabral

Idade: 22

Naturalidade: Ponta Delgada,

Açores

Estado Civil: Solteira

Filhos: Não tem

Viagem de sonho: Sei que é estranho porque venho de uma ilha, mas a viagem ideal é a uma ilha paradisíaca

Primeiro emprego/ordenado: Fiz um spot publicitário. Era adolescente e não me lembro quanto ganhei

Música: Jazz

Filme: Música no Coração e

Os Suspeitos do Costume

Restaurante: Sentado em Pé,

São Miguel (Açores)

Cidade: Nova Iorque

Maior defeito: Sou preguiçosa e não costumo ser pontual

Virtude: Sou sonhadora

O que mais admira nas pessoas:

A capacidade de lutarem pelos seus objectivos

O que não suporta: A ambição desmedida

Compra mais extravagante: A única “grande” compra que fiz foi a minha casa, mas não considero isso uma extravagância

Hobby: Era a dança...

O que levaria para uma ilha deserta: Um rádio, velas, o namorado e os melhores amigos

Prato que odeia: Sopa de tomate

Clube de Futebol: Sporting e Santa Clara

Pecado mortal: Vaidade

Máxima de vida: Busca incessante da felicidade

Ambição: Ser mãe

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