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Quim Barreiros: "O fole da gaita estará mais flexível"

Rei das canções com duplo sentido, que fazem corar os pudicos, diz que o segredo para ficar casado muitos anos é "fintar à esquerda e à direita", qual Maradona. E admite inspirar-se no ‘Correio da Manhã'.

10 de junho de 2014 às 16:42

Nasceu a 19 de junho de 1947, em vila praia de âncora, numa família que tinha regressado do Brasil. Com nove anos já tocava bateria, no conjunto alegria, Mas seria o acordeão o instrumento musical que o acompanharia desde o seu primeiro disco, gravado em 1971, quando ainda se dedicava ao folclore minhoto. Rei das canções brejeiras, teve êxitos tão marcantes como ‘Garagem da Vizinha' e ‘A Cabritinha'.

O seu terceiro disco chamava-se ‘O Malhão não é Reaccionário', e nunca se esquece de agradecer às figuras da música com que se cruzou ao longo de décadas de carreira, como o poeta Pedro Homem de Melo, autor de ‘Povo que Lavas no Rio', o fadista Carlos do Carmo, o músico de intervenção Zeca Afonso, o maestro Shegundo Galarza ou o guitarrista Jorge Fontes.

Joaquim de Magalhães Fernandes Barreiros, conhecido por Quim Barreiros, vai a caminho dos 67 anos, mas não é por isso que desiste de ser um malandro assumido, cujas canções, tão populares nas aldeias como nas festas académicas, testam a maldade de quem as ouve.

Volta a fazê-lo no disco mais recente, ‘Caça Asneiras', que não dispensa referências às duas bolas de ouro de Cristiano Ronaldo.

*A resposta escolhida aparece sublinhada.

Lançou ‘Caça Asneiras', 43 anos após a sua primeira gravação. O que o leva a continuar a fazer música?

a) Há que pôr pão (e bacalhau) em cima da mesa

b) Adoro encontrar palavras com segundos sentidos

c) Habituei-me à vida na estrada, e não sei fazer de outra maneira ("Dizem-me que os anos não passam por mim mas eu vou passando pelos anos. Os anos com ‘u'")

Ficou na escola até à quarta classe, e foi logo trabalhar. Arrepende-se disso?

a) Sim. Podia ter sido advogado, eleger-me deputado e ter uma reforma milionária

b) Não. Triunfei no mundo da música e aprendi matemática suficiente para ser o meu próprio empresário ("Foi uma escola extraordinária e aprendi de tudo, até a ser malandro")

c) Nem uma coisa nem outra. Os meus pais achavam que estudar era para malandros e eu só tive de acatar

Qual era o seu maior receio quando percorria os EUA e o Canadá, do Atlântico ao Pacífico, para tocar e cantar para as comunidades de emigrantes?

a) Ter uma avaria e ficar parado numa estrada deserta, cheia de gelo e ursos ferozes

b) Encontrar assaltantes pelo caminho e ficar sem veículo e sem instrumentos

c) Encontrar plateias vazias nos espetáculos ("Devido às intempéries")

‘Bolo do Caco', uma canção do seu novo disco, refere-se a Cristiano Ronaldo. Como é que ele irá reagir?

a) Vai gostar de ouvir que "é o português mais brilhante, tem as duas bolas de ouro, e a broca é diamante"

b) Rezará para que ninguém traduza a Irina os versos "espanholas, inglesas, russas e da Madeira, o CR fura tudo"

c) Irá dizer aos advogados para verem a parte do "até o bumbum da brasileira"

d) Outra hipótese: o CR vai reagir como um verdadeiro macho latino que é. A história do bumbum da brasileira, espanholas, russas e inglesas, é da autoria do ‘Correio da Manhã', pois foi aí que eu bebi essa inspiração

Entre estas canções, qual é que gostaria de ter composto e interpretado?

a) ‘O Bacalhau quer Alho', do Saul Ricardo

b) ‘Marilu', dos Ena Pá 2000

c) ‘Talvez F....', de Pedro Abrunhosa ("Gostava de ter composto o ‘Talvez' e interpretado o ‘F....')

O que se deve evitar para ficar casado com a mesma mulher mais de 30 anos?

a) A garagem da vizinha

b) Cheirar o bacalhau

c) Os seios da cabritinha

d) Outra hipótese: para estar casado mais de 30 anos com a mesma senhora um homem tem de ser um Maradona, saber fintar à esquerda e à direita. E, acima de tudo, ser um grande mentiroso

Quais são as maiores malandrices que as fãs lhe fazem nos concertos?

a) Puxam o bigode para ver se é verdadeiro

b) Segredam-me que posso meter e tirar o carro, à hora que eu quiser

c) Coisas que não se podem dizer numa revista lida por toda a família

d) Outra hipótese: as malandrices que me fazem cabem nas três hipóteses, não esquecendo o placard: ‘Tio Quim, faz-me um filho'

Sendo o campeão das semanas académicas, como reage às tragédias ligadas a praxes universitárias?

a) Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga

b) Os azares acontecem, com ou sem praxes ("Uma tragédia!")

c) Mais valia aprenderem a ser mestres da culinária

Como é que se imagina daqui a dez anos?

a) A compor músicas e a fazer concertos. O acordeão nunca me será pesado

b) Sossegado, em Vila Praia de Âncora, a rir-me das malandrices dos meus netos

c) Sabe Deus se ainda existe Mundo em 2024

d) Outra hipótese: a fazer exatamente o que faço hoje. Sei que o fole da gaita estará mais flexível, mas há por aí comprimidos que fazem arrebitar

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