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Sardinha: da lota para a fama

Há 11 anos a decorar a cidade por altura das festas, os peixes coloridos tornaram-se obrigatórios nas casas lisboetas.

28 de agosto de 2014 às 08:55

Em 2003, quando os responsáveis pela EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural lançaram a sardinha como imagem de marca para as Festas de Lisboa, estavam longe de imaginar que os simpáticos peixes, tanto do agrado do paladar nacional, se transformariam num fenómeno de popularidade tão grande.

Onze anos depois de as primeiras sardinhas terem começado a decorar as ruas da capital, perante o espanto de alguns e as reticências de outros, os peixes coloridos já se tornaram indissociáveis desta fase em que Lisboa se enche de turistas e se anima com festas tradicionais, dos Santos Populares às Marchas.

Rita Castel-Branco, diretora de comunicação da EGEAC, lembra-se do primeiro sinal de que as sardinhas agradavam: em 2010, cartazes e pendões começaram a desaparecer.

"As pessoas davam-se ao trabalho de subir aos postes para roubarem os materiais de divulgação", recorda. "Foi nessa altura que criámos as chamadas ‘sardinhas de guerrilha’: construídas em material cartonado, de 50 centímetros, são feitas para se levarem para casa."

E recorda uma situação caricata ocorrida nesse mesmo ano. No lançamento das Festas de Lisboa, o Cinema São Jorge foi decorado com as imagens, mas assim que o presidente da câmara, António Costa, começou a discursar, convidando os presentes a levarem uma recordação para casa, quem estava na sessão levantou-se e pôs-se a arrancar cartões. "Antes do fim do discurso, já não havia uma única sardinha na sala", diz Rita.

2014 bateu recorde

O molde para a figura-base foi feito com uma sardinha verdadeira, comprada na lota, que os artistas da Silvadesigners digitalizaram e trabalharam graficamente. Até 2007, o conceito manteve-se mais ou menos inalterado: mudava apenas a cor que preenchia o interior e pouco mais. Em 2008, a EGEAC quis associar o ícone à programação das Festas de Lisboa, que nesse ano tinha propensão multicultural. "Houve sardinhas-zebra, sardinhas africanas… Sardinhas temáticas, que, no fundo, chamavam a atenção para os espetáculos que íamos apresentar", explica Rita Castel-Branco.

Nos dois anos seguintes, a decoração foi encomendada a designers, ilustradores e artistas plásticos, mas o ‘boom’ do novo símbolo da cidade veio depois, a partir de 2011, altura em que a EGEAC abriu um concurso público e desafiou todos a criarem a sua própria sardinha.

O resultado superou as expectativas. Se no primeiro ano a empresa recebeu 2080 candidaturas, oriundas de oito países; em 2012 concorreram 3526 projetos, de 16 países, e em 2013 apareceram 6446 candidatos de 53 nacionalidades.

Nas propostas portuguesas, tem surgido de tudo: sardinhas em calçada portuguesa; tapete de Arraiolos; produtos comestíveis (pão, pastel de nata, ginjinhas); garrafas; instalações de luz; peças de joalharia. Chegam à EGEAC candidaturas de lares de idosos, de hospitais psiquiátricos, de estabelecimentos prisionais, de escolas.

Este ano, depois do recorde de candidaturas (8258 propostas de 59 países), passou-se à fase do merchandising: com 3 a 30 euros, é possível comprar objetos decorados. De capas de iPad a cadernos, de leques a sacos. A EGEAC promete reinvestir o lucro no negócio da sardinha.

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